O Hesbolá confirmou neste sábado (21) o assassinato de oito de seus combatentes em uma série de ataques aéreos do Estado de “Israel” contra o vale do Becá, no leste do Líbano. Entre os assassinados está um comandante identificado como Hussein Mohammad Yaghi. A agressão ocorreu na noite de sexta-feira (20, horário local), com impactos reportados nas proximidades da localidade de Raiak e em áreas da região de Balbeque.
O Ministério da Saúde Pública do Líbano afirmou que os ataques no leste do país deixaram 10 mortos e 24 feridos, incluindo três crianças. Em outro balanço citado no próprio noticiário local, o Ministério informou ainda a morte de duas pessoas no sul do Líbano, enquanto diferentes localidades foram atingidas, como Riaq, Bednaiel, Qasr Naba e a planície de Tanaiel.
Ataques no Becá e atendimento em hospital
O diretor executivo do Hospital de Raiak, Ali Abdullah, declarou que o ataque ocorreu após o pôr do sol. Ele disse que a unidade recebeu 10 corpos e 21 feridos. Entre os mortos, segundo o hospital, havia dois estrangeiros: um homem sírio e uma mulher etíope. Entre os feridos, foram mencionados cinco sírios e três etíopes.
Dois dirigentes do Hesbolá falaram à imprensa libanesa sob condição de anonimato, afirmando que os oito integrantes do partido foram assassinados em ataques perto de Raiak, no nordeste do Líbano. Um deles afirmou que três dos assassinados eram comandantes locais e os identificou como Ali al-Moussawi, Mohammed al-Moussawi e Hussein Yaghi.
Hesbolá divulga nomes dos oito combatentes
Em nota, o Hesbolá confirmou a morte de seus membros e afirmou que foram assassinados “na defesa do Líbano e de seu povo”, em uma agressão que classificou como traiçoeira. O partido divulgou os nomes:
- Comandante Hussein Mohammad Yaghi
- Mohammad Ibrahim al-Moussawi
- Ali Zeid al-Moussawi
- Hussein Khairallah Alaaeddine
- Ahmad Hussein al-Hajj Hassan
- Qassem Ali Mahdi
- Ahmad Mohammad Zaiter
- Hassanein Yasser al-Siblani
Uma fonte do Hesbolá declarou que os oito estavam em uma reunião no Becá oriental quando o ataque atingiu o local e que a área bombardeada fica longe da fronteira sul do Líbano com a ocupação israelense.
Hussein Mohammad Yaghi foi descrito como filho de Mohammed Yaghi, um dirigente destacado do Hesbolá e um de seus fundadores, assassinado em 2023. Mohammed Yaghi também foi apontado como assessor próximo do então secretário-geral do Hesbolá, Saied Hassan Nasseralá, assassinado em um ataque aéreo israelense no sul de Beirute em setembro de 2024.
Forças israelenses alegam ataque a ‘unidade de mísseis’
O Exército de “Israel” afirmou neste sábado que assassinou integrantes da “unidade de mísseis” do Hesbolá em três centros de comando distintos na área de Balbeque, durante os bombardeios. Os militares israelenses disseram que os alvos estariam envolvidos em medidas de “prontidão” e “reforço de forças”, além de planejamento de ataques.
As declarações foram feitas após “Israel” também anunciar ataques contra supostos alvos do Hamas no sul do Líbano. Na mesma noite, houve registro de ataque ao campo palestino de Ain al-Helweh, nos arredores de Sidon, no sul do país, área densamente povoada.
Presidente do Líbano condena e cita violação da soberania
O presidente libanês Joseph Aoun condenou os ataques no Becá e afirmou que se trata de um “ato hostil” que busca frustrar esforços diplomáticos conduzidos pelo Líbano com países “irmãos e amigos” para estabilizar a situação e interromper as agressões israelenses. Aoun declarou que os bombardeios são “nova violação da soberania” do país e “clara quebra de compromissos internacionais”.
O presidente também afirmou que as ações mostram desprezo pelas resoluções da ONU, em especial as que exigem o cumprimento integral da Resolução 1701, com retirada de forças israelenses do território libanês. Aoun voltou a pedir que os países que dizem patrocinar a estabilidade regional “assumam suas responsabilidades” para interromper imediatamente os ataques e pressionem pelo respeito às resoluções internacionais, com objetivo de preservar soberania, segurança e integridade territorial do Líbano.
Deputado do Hesbolá denuncia massacre e cobra mudança do governo
O deputado Rami Abu Hamdan, representante do distrito Becá I no Parlamento libanês, condenou os bombardeios e afirmou que os ataques constituem um massacre. Ele declarou que “o sangue dos libaneses não é mercadoria barata” e pediu uma “mudança radical” na postura das autoridades diante da escalada.
Em nota, Abu Hamdan afirmou que não se dirigia ao inimigo israelense, que, segundo ele, “não entende nada além da linguagem da força”, mas ao governo libanês, que se apresenta como responsável pela segurança da população e pela soberania do país. Para o parlamentar, manifestações de indignação não bastam, e os ataques recorrentes no Becá e no sul do Líbano não podem ser tratados como rotina. Ele defendeu, ainda, que reuniões do comitê multinacional liderado pelos EUA, encarregado de monitorar o cessar-fogo, sejam suspensas até que a ocupação interrompa as agressões, como forma mínima de testar a credibilidade do comitê e de seus patrocinadores.
As declarações ocorrem dias depois de o governo ter anunciado que o Exército libanês iniciaria a segunda fase de um plano para desarmar o Hesbolá no sul do país.
Irã aponta responsabilidade de EUA e França
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, condenou os novos ataques e afirmou que EUA e França, apontados como garantidores da trégua, têm responsabilidade pelos crimes cometidos pelo regime sionista ao ignorar o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Baqai pediu que a ONU e o Conselho de Segurança atuem imediatamente para cumprir suas obrigações e interromper a agressão militar contra o Líbano, descrevendo as ações como violações graves da soberania e da integridade territorial do país.
Cessar-fogo de 2024 e continuidade da ocupação
Os ataques fazem parte da série de violações do cessar-fogo firmado em novembro de 2024, após 13 meses de agressão israelense contra o Líbano, que escalou para uma guerra aberta em setembro de 2024. Mais de quatro mil libaneses foram assassinados e cerca de 17 mil ficaram feridos no período.
Autoridades libanesas vêm exigindo pressão internacional para que “Israel” encerre os ataques e cumpra as condições do cessar-fogo, incluindo a retirada de tropas dos territórios ocupados. A entidade sionista mantém a ocupação de cinco áreas de terras altas no Líbano, além de outras regiões controladas há muitos anos, impedindo a reconstrução de vilarejos destruídos e o retorno de dezenas de milhares de libaneses expulsos pela ocupação.
Até dezembro de 2025, foram documentadas mais de 10 mil violações por forças israelenses, com agressões aéreas e terrestres, segundo números da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).


