Oriente Próximo

Sabotagem israelense levou Irã à autossuficiência nuclear

Chefe da Organização de Energia Atômica afirma que infiltração e sabotagem do regime sionista forçaram o país a desenvolver cadeia tecnológica do setor

Em Teerã, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (OEAI), Mohammad Eslami, afirmou na quarta-feira (18) que infiltração e sabotagem promovidas pelo regime sionista contra o programa nuclear iraniano empurraram o país a construir uma indústria nuclear “totalmente” própria. Segundo ele, as dificuldades de obtenção de equipamentos e infraestrutura, em meio a operações de sabotagem, levaram o Irã a internalizar todas as etapas do desenvolvimento tecnológico.

“A complexidade das tecnologias nucleares é extremamente alta, e seus equipamentos e infraestrutura não são facilmente obtidos, particularmente sob condições em que as rotas de fornecimento estão contaminadas por infiltração e sabotagem sionistas”, declarou Eslami, ao participar de um evento na capital iraniana. “Por essa razão, o Irã foi obrigado a criar internamente toda a cadeia de pesquisa, projeto, construção, testes e maturação tecnológica; um caminho que agora deu frutos”, acrescentou.

Eslami disse que o país enfrenta uma ofensiva ampla de seus adversários. “Hoje, estamos diante de uma situação em que o inimigo, empregando toda a sua força, ferramentas, instalações e capacidades, tenta derrubar a nação. O alvo não é apenas o território, mas o próprio povo iraniano”, afirmou.

Pressão imperialista, sanções e ataques ao programa nuclear

Ao descrever o cenário externo, Eslami citou a diretriz norte-americana de impor seus interesses “por meio da diplomacia ou da força”, conforme delineado no documento de Estratégia de Segurança Nacional dos EUA para 2026. O dirigente apontou que, ao longo dos anos, os inimigos do Irã miraram a indústria nuclear do país com um conjunto de medidas de caráter agressivo.

Entre essas ações, ele enumerou acusações de militarização do programa, sanções ilegais, assassinatos de cientistas do setor, ameaças repetidas de ataque militar e o bombardeio de instalações nucleares iranianas. Ainda assim, afirmou, o resultado foi o fortalecimento da capacidade interna. “Hoje, a AEOI e o povo iraniano possuem uma indústria nuclear eficiente, indígena e confiável”, disse.

Aplicações civis: medicina, agricultura e água pesada

No mesmo pronunciamento, Eslami destacou usos civis do programa nuclear, afirmando que a atividade pacífica do setor tem contribuições para áreas como medicina e agricultura. Ele declarou que o Irã está entre os países com posição destacada na produção de radiofármacos, com capacidade de atender à demanda interna e também fornecer a outros países.

“Hoje, o Irã está entre os países líderes na produção de radiofármacos e, além de atender às necessidades domésticas, seus produtos também são demandados por outros países; uma capacidade que desempenhou papel vital, particularmente no tratamento do câncer”, afirmou.

Eslami também mencionou derivados de água pesada, destacando o valor econômico desse tipo de produção. “Cada grama de derivados de água pesada vale dezenas de milhares de dólares, e este campo é um exemplo real de uma economia baseada no conhecimento; uma posição que os inimigos não toleram e não querem que o Irã ocupe como um ator confiável entre os principais protagonistas globais”, disse.

Revolução Islâmica e central nuclear de Bushehr

O dirigente vinculou os avanços científicos e tecnológicos do país ao processo político iniciado com a Revolução Islâmica e à direção do Estado iraniano. “Graças à Revolução Islâmica, à orientação do Imam Khomeini e do líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Saied Ali Khamenei, e apoiando-se na determinação de forças jovens, qualificadas e comprometidas, o Irã alcançou um nível de ponta em campos da ciência e tecnologia modernas”, afirmou, apontando o setor nuclear como um dos exemplos “mais claros” desse avanço.

Na parte final de sua fala, Eslami citou a usina nuclear de Bushehr, no sul do país, dizendo que a instalação entrou no 11º ano de operação estável. Segundo ele, a experiência de Bushehr demonstraria que é possível romper com a ideia de dependência absoluta de parcerias externas e consolidar infraestrutura estratégica com base em capacidades internas.

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