Oriente Próximo

Após ultimato dos EUA, qual a chance de uma guerra com o Irã?

Após declaração intimidadora de Trump, as chances de guerra são altas, mas a manutenção da situação atual também

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um ultimato ao Irã nesta quinta-feira: o país tem entre 10 e 15 dias para alcançar um “acordo significativo” sobre seu programa nuclear, ou “coisas realmente ruins” acontecerão. A declaração, feita durante a reunião inaugural do seu recém-criado Board of Peace em Washington, ocorre em meio a um dos maiores reforços militares americanos no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, elevando temores de um confronto direto entre Washington, Tel Aviv e Teerã.

A escalada diplomática e militar na Ásia Ocidental (Oriente Médio) coloca a região à beira de um possível conflito em larga escala. Trump reiterou que o Irã não pode possuir arma nuclear e exigiu não apenas limitações ao enriquecimento de urânio, mas também redução do arsenal de mísseis balísticos e corte de laços com grupos armados como Hezbollah e Hamas, demandas rejeitadas por Teerã.

O prazo apertado imposto por Trump, que coincide com a chegada iminente do segundo porta-aviões americano à região: o USS Gerald R. Ford, que transita pelo Atlântico e deve se posicionar no Mediterrâneo oriental, próximo às costas de “Israel”. Ele se junta ao USS Abraham Lincoln, já no Mar Arábico, formando uma força naval capaz de lançar operações aéreas sustentadas. Relatos indicam que dezenas de caças adicionais (F-35, F-22, F-15E, F-16), aeronaves de reabastecimento, plataformas de guerra eletrônica e baterias Patriot extras foram deslocados para bases no Golfo, Jordânia e Catar. Fontes do Pentágono afirmam que as forças americanas podem estar prontas para ação já neste fim de semana, embora a decisão final ainda não tenha sido tomada.

Do lado iraniano, o regime responde com preparativos defensivos visíveis. Imagens de satélite recentes mostram a construção de um “escudo de concreto” sobre instalações no complexo militar de Parchin (atingido por “Israel” em 2024) e o enterro de entradas de túneis em sítios nucleares danificados na guerra de 12 dias de junho de 2025, conflito em que “Israel” e EUA bombardearam instalações nucleares e de mísseis iranianos, matando comandantes-chave. Apesar das perdas, o Irã reconstruiu instalações de produção de mísseis e fortificou locais sensíveis. Teerã realizou exercícios navais conjuntos com a Rússia no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, simulando bloqueios e fogo real, enquanto o líder supremo Ali Khamenei conclamou resistência total a qualquer agressão.

Negociações indiretas em Genebra na terça-feira (17/02) duraram três horas e meia, com relatos de “princípios orientadores” acordados, mas sem avanço concreto. O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou progresso limitado, enquanto o vice-presidente americano JD Vance criticou a recusa de Teerã em aceitar as “linhas vermelhas” de Trump. O Irã ameaça retaliar contra bases americanas na região e alertou que qualquer ataque seria interpretado como tentativa de mudança de regime, levando a uma guerra regional.

“Israel”, por sua vez, mantém estado de alerta máximo. O premiê Benjamin Netanyahu declarou que o país está “preparado para qualquer cenário” e que uma resposta iraniana seria “inimaginável”. Há temores de envolvimento do Hesbolá, apesar da fraqueza do grupo após confrontos anteriores. Ali Jezzini, analista militar do Al Mayadeen, aponta que uma operação limitada (ataques aéreos contra defesas antiaéreas, mísseis e instalações nucleares) poderia escalar rapidamente se o Irã preservar capacidade de lançamento de mísseis balísticos.

O contexto econômico também pesa: um conflito prolongado elevaria o petróleo acima de US$ 90-100 por barril, arriscando recessão nos EUA antes das eleições intermediárias. Países do Golfo pressionam contra uma guerra total, temendo instabilidade e o colapso iraniano.

A probabilidade de confronto armado é alta, segundo o analista. O momento atual é de interseção estratégica instável: diplomacia de última hora versus preparação para guerra. O destino da região depende de cálculos racionais de resiliência, coesão interna e tolerância a custos, mais do que de superioridade tecnológica inicial.

A análise destaca que a disposição de forças americanas no Golfo permite cenários de manutenção da situação atual (opção A) ou ataques limitados (opção B), mas não chega à escala das guerras do Golfo de 1991 ou da invasão do Iraque em 2003. Bases como Muwaffaq al-Salti na Jordânia concentram dezenas de caças avançados (F-35, F-22, F-15E), aeronaves de guerra eletrônica e baterias Patriot extras, enquanto o porta-aviões USS Abraham Lincoln opera a distâncias seguras no Mar Arábico. O Irã, por sua vez, recebeu envios russos e chineses de equipamentos de radar, guerra eletrônica e defesas aéreas, além de helicópteros Mi-28NME para contramedidas contra drones. Um incidente recente envolveu o abate de um drone Shahed-129 iraniano a 700 km da costa, indicando capacidades de ISR (inteligência, vigilância e reconhecimento) aprimoradas, possivelmente com apoio chinês via satélite.

Ali Jezzini propõe análise militar utilizando um modelo de teoria dos jogos, o texto atribui recompensas em comparação com riscos, estabelecendo valores de 10 a -10 às opções: manutenção da situação atual favorece os EUA (+2.8) e o Irã (+2.5), mas prejudica ligeiramente “Israel” (-0.5); ataques limitados beneficiam “Israel” (+0.45 a +1.75, considerando chance de mudança de regime), mas punem severamente o Irã (-4 a -5.95); guerra total resulta em perdas pesadas para todos (-7 a -8 para EUA e “Israel”, -4 para Irã). O analista enfatiza que “Israel” sente pressão temporal, enquanto o Irã prefere guerra aberta a cenários de ataques limitados que visem mudança de regime. Trump busca concessões sem guerra, mas um impasse nuclear total torna provável uma campanha gradual: destruição de defesas aéreas, interrupção de mísseis balísticos, sabotagens e tentativas de desestabilização interna.

Três cenários principais são delineados caso ocorra um ataque: 1) Início “israelense” isolado, com EUA intervindo apenas se necessário, minimizando custos americanos e usando bases do Golfo como “escudos”; 2) Operação conjunta EUA-“Israel” desde o início, interpretada pelo Irã como guerra de mudança de regime, levando a resposta regional ampla e perdas elevadas para os EUA; 3) Estratégia de pressão gradual via confisco de navios de petróleo iranianos, rejeitada por Trump devido ao risco de alta nos preços do petróleo e recessão nos EUA. O Irã sinaliza que qualquer escalada leva à guerra total (opção C), onde todos perdem, mas com assimetrias: resiliência iraniana e coesão popular tendem a superar vantagens tecnológicas iniciais.

O analista alerta para os limites da modelagem: variáveis como resistência do povo iraniano, coesão interna e disposição ao sacrifício não são quantificáveis, citando o fracasso de McNamara no Vietnã. A probabilidade de guerra, para Ali Jezzini, supera 50%, com posicionamentos quase completos (retirada de RC-135 e chegada de AWACS). O melhor desfecho seria evitar o conflito, dando tempo ao “eixo de resistência” para reconstruir, enquanto “Israel” busca reduzir dependência norte-americana para futura dominação regional independente.

(Análise militar independente resumida a partir do artigo “Analysis: Is West Asia on the Brink of War or a Strategic Standoff?”, publicado por Ali Jezzini na Al Mayadeen English em 18 de fevereiro de 2026)

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.