Governo do estado alemão Baixa Saxônia designa a seção local do parido Alternativa para a Alemanha (sigla AfD do alemão Alternative für Deutschland) como prioridade de vigilância. Definindo-a como “extremista” e alvo político prioritário das instituições do Estado Alemão.
O comunicado ocorreu mediante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (17), prestada pela ministra do Interior da Baixa Saxônia, Daniela Behrens. Em sua declaração, a ministra referenciou a caracterização “inequívoca” do Gabinete Federal para a Proteção da Constituição – BfV (Bundesamt für Verfassungsschutz): “O maior perigo para a nossa sociedade vem do extremismo de direita, e o AfD na Baixa Saxônia… claramente se enquadra nessa categoria”.
O que é o BfV
Trata-se basicamente de um órgão subordinado ao Ministro do Interior para controle ideológico e político. Visando a manutenção e estabilidade do Estado e ordem pública adjacente.
Um serviço de inteligência sediado em Colônia, que em 2005 contava com orçamento de 137 milhões de euros e mais de 2.400 servidores. O mesmo é regulamentado pela “Lei relativa à cooperação entre o Estado Federal e os Länder em matéria de proteção da Constituição e ao Gabinete Federal para a Protecção da Constituição – BVerfSchG” (Bundesverfassungsschutzgesetz).
Recrudescimento
O interesse da BfD sobre a seção da AfD na Baixa Saxônia não é algo ressente, em 2022 a mesma havia sido designada como um “caso claro para vigilância”. Neste sua titulação como “objeto de considerável importância para observação”, representa uma elevação categórica no interesse da BfV. Em outros termos, maior vigilância e tentativa de controle do Estado sobre a agremiação.
Longe de ser um caso isolado, o caso da Baixa Saxônica é regra para a intenção estatal na agremiação. Nos estados alemães de Brandemburgo, Saxônia, Saxônia-Anhalt e Turíngia, as regionais da AfD foram classificadas como entidades extremistas de direita confirmadas. A designação de suspeição ainda paira sobre a AfD nos estados da Renânia-Palatinado e no Sarre.
Perseguição política
É transparente a orientação do Estado alemão, e do imperialismo em geral, de perseguir e censura os opositores de sua orientação política. Mesmo que seja para os manter em estado de espera como futuras ferramentas de sua atuação política.
Diante do quadro formado, houve a denúncia realizada pelo presidente do AfD na Baixa Saxônia, Ansgar Schledde, que disse desprezar todas as acusações feitas; e de que o caso seria, segundo ele, uma manobra política para eliminar opositores se forma verossímil.
O que é a AfD?
O partido foi fundado em fevereiro de 2013, por um grupo liderado por professores universitários de Economia e de Direito, além de líderes empresariais alemães anti-Euro. Inicialmente com aproximadamente 1500 membros, tem apresentando resultados espetaculares.
Sua orientação política tem basicamente dois eixos faccionais: o primeiro expresso por Bernd Lucke, centrado nas questões econômicas, crítica ao Euro. O segundo, agrupado por Frauke Petry, com linha de direita populista e nacionalista, tendo como alvo a Imigração, o que se relacionada à ‘Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente’ (PEGIDA).
Nas eleições de 2025, o partido ainda relativante novo, obteve 20% dos votos, ficando em segundo lugar. Conquistou 152 das 630 cadeiras do “Parlamento Federal” alemão, o Bundestag. Mesmo com este resultado extremamente expressivo, não pode compor o governo ou forma coalizões devido a um mecanismo no regime político alemão conhecido como “firewall” ou Brandmauer, em alemão, que significa literalmente “parede de fogo” ou “muro corta-fogo”. Refere-se a um cordão sanitário político estabelecido pelos partidos tradicionais da Alemanha para isolar a AfD.
Esse firewall, resumidamente, estabelece que Nenhum partido (do centro-esquerda ao centro-direita) aceite formar governo com a AfD, seja em nível federal ou estadual.
Vítima deste “golpe” eleitoral, sua popularidade cresce continuamente em meio à população. Atualmente, estimasse que conte com o apoio de 25% dos alemães. Aprovação similar à da coalização governista CDU/CSU, do chanceler Friedrich Merz.
Antissistema
Como declarado por Behrens, e caracterizado pela BfD, a AfD seria supostamente uma ameaça à constituição alemã. Uma oposição ao Estado que oprime continuamente a casse trabalhadora alemã.
Para a representante do Estado, a seção do partido na Baixa Saxônia “despreza nosso Estado e nossas instituições democráticas”. Esse cenário coloca a AfD como uma agremiação antissistema perseguida pelo Estado.
Uma confusão que sensibiliza parte da população, aquela que sofre com a opressão estatal e odeia a política do imperialismo. Essa gente passa a simpatizar com a extrema-direita, que aparece como “antissistema” e, desse modo, a perseguição acaba se traduzindo em crescimento.




