Oriente Médio

‘Israel’ fomenta divisão da Somália visando ataque ao Iêmen

Mais de 20 estados árabes, muçulmanos e africanos, incluindo Arábia Saudita, Egito, Jordânia e Turquia, emitiram uma declaração conjunta alertando para "graves repercussões"

Após mais de três décadas em busca de reconhecimento internacional, a Somalilândia, região pertencente à Somália, mas que busca reconhecimento formal para um Estado independente, garantiu seu primeiro endosso formal de soberania por parte de “Israel”, em um movimento que desencadeou forte oposição em toda a África e no Oriente Médio.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, anunciou na semana passada que “Israel” reconheceria a Somalilândia como um “Estado independente”, 35 anos após a região declarar independência da Somália. Netaniahu enquadrou a decisão como consistente com o “espírito” dos “Acordos de Abraão”, intermediados pelos Estados Unidos, que normalizaram as relações entre a ocupação israelense e países árabes em 2020.

A medida pareceu pegar os Estados Unidos de surpresa. O Departamento de Estado dos EUA reiterou que continua a reconhecer a integridade territorial da Somália, incluindo a Somalilândia. O presidente dos EUA, Donald Trump, ao ser questionado se os Estados Unidos seguiriam o exemplo do regime israelense, mostrou-se cético, dizendo que a questão estava “sob estudo” e questionando o perfil internacional da Somalilândia.

O presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, saudou a decisão, afirmando que Hargeisa se juntaria aos “Acordos de Abraão” e descrevendo o passo como uma contribuição para a paz regional e global.

A reação regional foi rápida e hostil. A União Africana alertou que o reconhecimento da Somalilândia mina a soberania da Somália e corre o risco de abrir um precedente perigoso para outras regiões separatistas. Mais de 20 estados árabes, muçulmanos e africanos, incluindo Arábia Saudita, Egito, Jordânia e Turquia, emitiram uma declaração conjunta alertando para “graves repercussões” decorrentes dessa medida sem precedentes.

Países árabes e muçulmanos expressaram preocupação particular de que a decisão reflita uma postura regional mais agressiva do governo de Benjamin Netaniahu após a Operação Dilúvio de Al-Aqsa, e que isso poderia dar à ocupação israelense uma base estratégica ao longo do Golfo de Aden e do Mar Vermelho. Especula-se que a Somalilândia poderia, em troca do reconhecimento, permitir uma presença militar israelense que reforçaria operações contra o Ansar Alá do Iêmen, que tem visado embarcações e territórios ligados a “Israel”.

Ao mesmo tempo, os países árabes temem que o movimento possa estar ligado aos esforços israelenses para persuadir países africanos a aceitar palestinos deslocados de Gaza. A Somalilândia negou manter conversações sobre o reassentamento de palestinos.

O Chifre da África tornou-se uma região bastante disputada. A Turquia mantém sua maior base militar no exterior em Mogadíscio, enquanto os Emirados Árabes Unidos operam uma base no porto de Berbera, na Somalilândia. A Etiópia também explorou o reconhecimento da Somalilândia em troca de acesso a longo prazo a Berbera, embora ainda não tenha dado esse passo.

A ocupação israelense reconheceu oficialmente a República da Somalilândia como um estado “independente” e “soberano”, após a assinatura de uma declaração conjunta entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ministro das Relações Exteriores Gideon Sa’ar e o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdallah.

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