Editorial

Filho feio não tem pai

A politica econômica de Haddad e cia. é a expressão da total capitulação da esquerda parlamentar diante dos bancos e do imperialismo

Em evento organizado pelo Bradesco, o 11º Annual Brazil Investment Forum, na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), atribuiu — corretamente — o aumento da dívida pública, que passa da casa dos R$9 trilhões, ao patamar elevado das taxas de juros e ao déficit nominal, negando que o mesmo seja decorrente do resultado primário, ou seja, da receita menos os gastos do governo.

Nas palavras do próprio ministro, “é anomalia um país como o Brasil pagar 8% de juro real para rolar a sua dívida”. Ainda segundo Fernando Haddad, é preciso “tomar as medidas para trazer os juros para um patamar minimamente adequado”. E acrescentou: “é muito difícil um país que está com 5% de inflação estar com quase 9% de juro real”.

Estranhamente, o ministro fala como se não ocupasse o mais alto cargo da área econômica do governo e não tivesse ele mesmo indicado o burocrata responsável pelo cargo mais importante na área monetária: a presidência do Banco Central (BC). Antes mesmo do fim do mandato do bolsonarista Campos Neto, Haddad indicou — e Lula sancionou — para a diretoria do BC pessoas de confiança do “mercado financeiro” (entenda-se: dos banqueiros e grandes especuladores que controlam o mercado), que votaram junto com Campos Neto pela manutenção dos juros nos patamares mais elevados do mundo.

Neste ano, o principal dos indicados — apontado como o principal assessor de Haddad —, Gabriel Galípolo, após assumir a diretoria de política monetária do BC, chegou à presidência e manteve, com apoio público de Haddad e de toda a área econômica do governo, a mesma política de seus antecessores, já tendo comandado a aprovação de dois aumentos de 1% na taxa de juros, que representam, cada um deles, a transferência de mais de R$53 bilhões por ano para os bancos.

O ministro, que já foi apontado por Lula, anos atrás, como “o mais tucano dos petistas”, esbanjou no “tucanês” para “explicar” a situação e declarou que “desde abril do ano passado, as coisas deram uma desandada e isso fez com que as expectativas no Brasil desancorassem”. Longe de apontar a necessidade de uma mudança na atual política de favorecimento aos bancos, que expropriam o povo brasileiro ficando com mais de 40% dos recursos do orçamento nacional a título de amortizações, juros e serviços da fraudulenta dívida pública; afirmou que “é preciso trabalhar, do ponto de vista psicológico, as expectativas no Brasil. Vamos enviar o LDO em 15 de abril com projeção de superávits dos próximos quatro anos. Estamos fazendo isso para mostrar a consistência da nossa trajetória”.

Ditada pelos banqueiros, a política neoliberal que o BC e toda a área econômica do governo adotam, pressionando no sentido de cortar na carne dos salários e dos gastos públicos para satisfazer os insaciáveis apetites dos tubarões do sistema financeiro, está levando o governo ladeira abaixo, fazendo dele, inclusive, alvo de críticas de setores da direita golpista que, por anos, em governos reacionários como FHC, Temer e Bolsonaro, conseguiram que seus políticos de direita e liberais adotassem políticas semelhantes. Agora, estes mesmo setores mantêm o governo sob cerco (e curvado, sem reação), seguindo a mesma política mortal para a maioria da população.

Sem uma mudança profunda nessa política — e não bastam palavras e declarações de boas intenções —, o governo Lula e todo o povo brasileiro estão condenados a pagar muito caro e a se verem esmagados por sua política de conciliação e covardia frente aos sanguessugas do mercado financeiro.

Diante dessa situação, a esquerda classista, as organizações dos trabalhadores, mais do que nunca, precisam de um programa, de uma política própria. Contra a expropriação do povo pelos banqueiros, é necessário organizar a luta pela expropriação dos bancos, com a estatização do sistema financeiro, sob o controle dos trabalhadores.

De imediato, é preciso parar a sangria da economia nacional, reduzindo drasticamente a taxa de juros, organizando uma auditoria da dívida pública e suspendendo o pagamento de cerca de R$7 bilhões por dia para os bancos, quando faltam recursos para impulsionar o desenvolvimento do País e atender às necessidades básicas da população.

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