Dia das mulheres

Por um 8 de março de classe, e não do identitarismo

Manifesto assinado por mais de 40 entidades esconde as verdadeiras reivinicações das mulheres e coloca 8 de março à mercê do identitarismo

Atividade das mulheres no Acampamento Democrático Lula Livre, em Curitiba (PR). Fotos: Ricardo Stuckert.

O dia internacional de luta das mulheres trabalhadoras, oito de março, se
aproxima e com a data, a tendência de ocorrerem grandes manifestações de
mulheres no Brasil se acentua. Por este motivo, foi lançado recentemente o
manifesto 8M: Movimento pela vida das mulheres, contra o governo Bolsonaro.
Assinado por 40 entidades, o Manifesto pede o fim do machismo, do racismo e da
fome.

A data sempre foi um dia de luta da mulher trabalhadora e não do feminismo
burgues que apenas levanta pautas identitárias sem nenhuma relação com a vida e
a luta das mulheres trabalhadoras.

No ultimo período, a esquerda pequeno burguesa tenta controlar essa data e
desviar as pautas essências na vida das mulheres para “culpar” o machismo, o
homem e a sociedade patriarcal, e esquecer completamente que a opressão sob a
mulher vem da escravidão do lar e do estimulo do sistema capitalista para essa
opressão para que os interesses da burguesia estejam em primeiro lugar.

Em praticamente todos os países do mundo, há um abismo cada vez mais
profundo existente entre as classes sociais, assim como nas barreiras
encontradas para se sair de tal abismo. Para a maioria das mulheres, as
barreiras mais difíceis de se transpor são as barreiras econômicas, de base
material. Sem renda, sem formação profissional, sem independência financeira, presas
as tarefas domésticas, as mulheres são alvo principal do reacionarismo e do
atraso cultural. A falta de condições econômicas deixa como alvos fáceis para
qualquer tipo de opressão e de maior exploração. Exemplos recentes são: o
descaso com a COVID 19 no Brasil, o corte de verbas para projetos sociais, como
políticas públicas de apoio a mulher, ataques as creches e as escolas públicas,
aumento da miséria, tentativa da extrema direita de controlar o corpo das mulheres,
como proibição total do aborto e até mesmo proibição de métodos contraceptivos.

Diante desse cenário, o Manifesto 8M apresentado por essas 40 entidades
fictícias que não representam realmente as mulheres, a maioria das pautas
fundamentais das mulheres são deixadas de lado e de maneira secundária. A
legalização do aborto, construção de creches, políticas de apoio as mulheres
como aumento dos empregos, fim das forças de repressão do estado são deixadas
de lado. Em vez disso são apresentadas apenas menção ao Movimento “Ele Não” (2018)
que foi propagado pela direita, a posição reacionária da ministra Damares Alves
no trato com as minorias brasileiras, a “misógina”, o “racismo”, ou seja,
pautas identitárias vazias.

Como o enfrentamento de problemas concretos não se resolve apenas através de
#hashtags e mudanças nos usos da língua, pode-se notar, recentemente,
um uso massivo e até institucionalizado dos termos novos que povoam as
conversas, nutrem pensamentos e ideologias, ditam comportamentos.

Ao que tudo indica, o 8M vai ser apenas mais um dia para fazer propaganda de
políticos da esquerda pequeno burguesa que estão distantes das mulheres
trabalhadoras. É preciso colocar questões fundamentais para as mulheres como o direito
ao aborto nas ruas e convocar massivamente as mulheres para sair as ruas no dia
oito de março.

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