A pandemia de covid vem se propagando rapidamente entre os trabalhadores petroleiros no último mês. O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) denunciam novo surto de contágios na Petrobrás, que já atinge cerca de 1.500 trabalhadores.
Segundo o Sindipetro-NF, mais da metade dos 900 casos confirmados de contaminação entre trabalhadores da empresa só no estado do Rio de Janeiro estão no norte do estado, onde fica a Bacia de Campos. Ainda assim, os sindicalistas ressaltam que os trabalhadores terceirizados não entram nas estatísticas completas, nem os trabalhadores da Transpetro, braço de transporte e logística da Petrobrás. Cobram ainda acesso aos dados oficiais integralmente, coisa que a empresa não fornece.
Em nome do lucro que precisa ser enviado aos parasitas estrangeiros que detém ações da empresa, o número de petroleiros nas plataformas marítimas não foi reduzido na pandemia. A medida foi aplicada apenas para os trabalhadores das unidades administrativas e refinarias, a extração do petróleo bruto no entanto é mais importante do que a vida daqueles que fazem a Petrobrás funcionar.
Segundo a FUP, enquanto as refinarias e unidades administrativas reduziram o efetivo para menos da metade diante da nova onda de contágios, a situação dos trabalhadores mais expostos seguiu na contramão. Os turnos de 8 horas diárias foram aumentados para 12 horas, depois 16 horas e chegando até absurdas 24 horas, como repercutido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Justamente por conta dos afastamentos por covid, a empresa optou por espremer ainda mais seus trabalhadores.
Trabalhadores contaminados, com suspeita de contaminação ou que entraram em contato com pessoas contaminadas não são desembarcados e a doença se espalha entre os trabalhadores por conta do confinamento nas plataformas. Em reunião com a Petrobrás no dia 24, mediada pelo Ministério Público do Trabalho, o Sindipetro-NF encaminhou uma série de questionamentos à empresa, que se negou a abrir os dados a respeito do número de trabalhadores atingidos.
A burguesia simplesmente não dá a mínima. Enquanto a classe média vivia o “drama” do confinamento trabalhando em suas casas, os setores proletários seguiram suas rotinas normalmente, servindo como vetores para o vírus. O trabalhador que se contamina acaba espalhando o vírus entre seus familiares e amigos, um lado que não figura nas estatísticas oficiais das empresas.
Agora, a classe média defende todo tipo de autoritarismo em nome do combate à pandemia, mas não se importa com um confinamento de trabalhadores sem controles sanitários suficientes pois acha que o problema está distante dos seus muros. Enquanto a burguesia encena medidas puramente ilusórias e amplia o autoritarismo, o fato é que enquanto a classe operária não estiver fora de perigo, a pandemia simplesmente não será freada.




