A primeira impressão que se tem é a de que não se está lendo uma notícia, mas um roteiro daqueles filmes de terror e ficção científica. Relemos uma, duas, três vezes o artigo para termos certeza de que se tratava de uma notícia real, o que torna tudo ainda mais aterrorizante.
Escolas da região Sudoeste do estado canadense de Ontário queimaram quase 5 mil livros considerados racistas. Segundo matéria publicada no jornal O Globo, as obras estavam nas bibliotecas das unidades de ensino e “fazem referências aos povos originários do país”.
Ainda segundo O Globo, “os 4.716 livros incinerados eram cópias de 155 obras, que incluem quadrinhos, romances e enciclopédias. Em um documento que detalha os títulos eliminados consta que 152 livros foram autorizados a continuar nas prateleiras das bibliotecas. Outras 193 obras estão em avaliação” e “uma cerimônia de ‘purificação pelas chamas’ chegou a ser feita para incinerar exemplares de Tintin, Astérix e Pocahontas, entre outros, e depois enterrá-los”.
O ritual sinistro teria acontecido em 2019 e só veio à tona agora. Um desejo profundo dos identitários foi realizado pelas democráticas instituições estatais do Canadá. Mais especificamente, a decisão de queima dos livros foi tomada pelo Conselho Escolar Católico de Providence.
Parece mesmo que voltamos para a Idade Média. A Santa Inquisição Católica queimava livros, obras de arte e pessoas em nome da suprema moralidade cristã, agora, queima sob o pretexto da suprema moralidade do combate ao racismo. Justo a Igreja Católica, envolvida diretamente com os séculos de escravidão, opressão e exploração na história do mundo, está preocupadíssima com o racismo.
Como falamos no início, parece um filme de terror, mas é “apenas” nazismo mesmo. Qualquer cidadão comum, que preza pelo conhecimento humano, deveria tremer diante dessa notícia. Mas sabemos que os identitários não são pessoas normais, são orientados pela histeria que toma conta da classe média em momentos de crise, como aconteceu no nazismo. Eles devem estar aplaudindo o feito do libertador Conselho Escolar Católico.
Já estava claro que a histeria identitária em torno da derrubada de estátuas, censura, proibição de livros etc faria a humanidade retroceder para a era das fogueiras. Só não imaginávamos que já tínhamos ingressado nela.
Além da histeria, o acontecimento no Canadá confirma outra característica do identitarismo. Trata-se de uma ideologia impulsionada pelo imperialismo, impulsionada nos escritórios desses governos e instituições.
E qual o interesse do imperialismo em colocar em marcha essa política inquisitória com o pretexto de uma suposta luta anti-racista? É criar um ambiente de perseguição e controle político, típicos dos regimes fascistas.
A queima de livros no Canadá nos dá um conselho: esconda seus livros pois a qualquer momento, ler pode se tornar crime. Tudo, logicamente, em nome do santificado combate ao racismo. Enquanto a esquerda grita histericamente “queima! queima!”, o imperialismo explora a população do mundo todo, invade países, promove golpes, torturas e genocídios, tudo impunemente.





