Em acordo assinado nesta segunda-feira, foi anunciado que o governo da Bahia, Rui Costa (PT), começou um “plano conjunto” com a empresa Biogeoenergy, do Grupo Geoterra, para a produção de respiradores para conter o morticínio causado pela crise de coronavírus. A atitude foi tomada, segundo o governo, depois do roubo de respiradores feitos pelo Estados Unidos, e em seguida a desistência de novos respiradores comprados da China.
Embora pareça uma boa notícia, é fundamental destacar dois pontos cruciais. Primeiro, que o governo da Bahia não deveria estar fazendo consórcio com uma empresa privada, mas estatizando-a para exponenciar o número de respiradores. A empresa em questão não precisa de auxílio do governo, o que ela precisa é lucrar mais, e esse acordo é uma iniciativa para o fim da empresa, e não do estado. O que precisa de auxílio do Estado para fazer respiradores em larga escala seria, por exemplo, as universidades.
O segundo ponto é que são apenas 100 respiradores diários, por imposição dos capitalistas da empresa, não do governador. Com as estatísticas mesmo fraudulentas, fica evidente que seria necessária uma produção muito maior e com complementos significativos em todo o País para suprir a demanda. Como, por exemplo, a criação equivalente de leitos nos hospitais e a estatização de todo sistema de saúde para comportar todos os afetados pela Covid-19 nos hospitais, além de evitar a catástrofe social que é um sistema de saúde em colapso.
Além de ser uma iniciativa inócua, ainda mais se tratando daquele medíocre “alguma coisa”, por tentar ser um retalho entre o interesse popular da sobrevivência durante a crise, do atendimento médico universal e gratuito, obrigatório pelo Estado, acaba servindo mais a essas empresas de saúde privados. Que, todos sabem, não passam de “açougueiros da saúde” que lucram com a vida e a miséria da população.
O problema mais significativo apresentado é a completa falta de interesse de todos os governadores estaduais em resolver de fato o problema. Não há vontade política. Deve-se antecipar aos acontecimentos, levar em prática uma política séria e consequente, organizar a população para combater a pandemia, estatizar todo sistema de saúde, contratar todo pessoal de saúde necessário, testar em massa toda a população, criar leitos o suficiente. Entre tantas outras reivindicações que se fazem necessárias.
Sem um conjunto de medidas coerentes, sérias e consequentes, iniciativas como essa não passarão de financiar os capitalistas e fazer demagogia com a população.





