A tese conspiratória mais ilustre do olavismo cultural está sendo usada para justificar um golpe militar no Brasil. Em entrevista à imprensa no Japão, o golpista ilegítimo Jair Bolsonaro fez a seguinte declaração: “Não podemos ser surpreendidos, temos que ter a capacidade de nos antecipar a problemas. Conversei com o ministro da Defesa sobre a possibilidade de ter movimentos como tivemos no passado, parecidos com o que está acontecendo no Chile, e a gente se prepara para usar o artigo 142, que é pela manutenção da lei e da ordem.” É uma promessa de tentar um golpe militar no momento em que a revolta popular, hoje latente no Brasil, manifestar-se.
O artigo 142 da Constituição é justamente aquele que sempre é invocado nas pequenas manifestações de extrema-direita realizadas pelos chamados “intervencionistas”, e diz o seguinte: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”
Há um debate ocioso sobre se esse artigo permitiria de fato um golpe militar ou não. O fato é que esse artigo será usado dessa maneira pela extrema-direita se chegar o momento propício para lançar essa cartada. Essa será a justificativa “legal”, independentemente do que estejam discutindo juristas e acadêmicos. Mas há outra justificativa para colocar o Exército nas ruas contra o povo brasileiro. Uma justificativa muito mais pitoresca, embora igualmente perigosa
Foro de São Paulo
Trata-se da tese criada pelo grande guru do bolsonarismo, o ex-astrólogo Olavo de Carvalho. Segundo Bolsonaro, a explosão de revoltas populares no continente seria fruto de uma conspiração articulada pelo Foro de São Paulo, e não o efeito dos ataques dos governos direitistas contra a população. Os protestos no Equador não seriam devidos aos brutais ataques às condições de vida das massas, com os cortes de subsídios e serviços públicos, mas a uma tramoia da esquerda no continente. A mesma coisa teria acontecido no Chile, onde a população não estaria reagindo ao neoliberalismo, mas sendo enganada por agentes ocultos.
Esmagar o povo
Por trás dessa justificativa olavista, de combate ao Foro de São Paulo, o real motivo do golpe militar que Bolsonaro está preparando é que seu programa só pode ser implementado com uma intensa repressão contra os trabalhadores e toda a população. A política da direita golpista provocará uma enorme miséria no país, e por isso já existe uma grande tendência à reação popular. Como Lenín Moreno e Sebastian Piñera, Bolsonaro pretende usar as Forças Armadas para esmagar essa reação. E por isso ele procura se antecipar preparando desde já um golpe militar, com justificativa “legal” e ideológica, e com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, já avisado.



