Na segunda-feira (2), ocorreu no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), o lançamento do movimento “Direitos Já”, formada pelo PSDB, DEM, Podemos, Solidariedade, PPS/Cidadania, PSD, PV, PSB, PDT, PR, PROS e Rede, que foi apoiada inicialmente por Fernando Haddad, da ala direita do PT, e Guilherme Boulos, candidato à presidência do PSOL nas eleições de 2018.
Trata-se de uma tentativa entre os que apoiaram o golpe e os que não apoiaram o golpe, uma forma de conter a polarização política atualmente existente no país. Em debate com Breno Altman na TV 247, o presidente nacional do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta, afirmou que essa tentativa procura “reconstruir o centro” política da grande burguesia, que entrou em estado de falência com o golpe de Estado.
Com o aumento da polarização política, os partidos tradicionais da burguesia entraram em uma crise generalizada. Partidos como estes que participaram do evento no TUCA, entraram em processo de decomposição; tanto a esquerda, quanto a direita se radicalizou. Tanto é que o único política da direita que ainda tem alguma base popular, mesmo que pequena, é Bolsonaro, um elemento da extrema-direita.
Isso pôde ser visto com as eleições de 2018. A direita, apesar da toda a tentativa de eleger um elemento representante da política tradicional da burguesia, como Geraldo Alckmin (PSDB), teve de abrir mão do candidato e apoiar, de conjunto, Jair Bolsonaro. Os partidos da burguesia que compõe o movimento “Direitos Já”, todos eles, apoiaram a candidatura de Bolsonaro para não eleger o PT, e agora procuram formar um movimento para colocar Bolsonaro na linha, controlar a política de devastação do governo.
Essa manobra política se realiza através da aliança com setores da esquerda, como Fernando Haddad e Guilherme Boulos, pois vêem na esquerda um salvação, uma forma de recuperar uma certa popularidade.
Desta forma, a esquerda pequeno-burguesa que se alia com estes setores falidos estão ajudando na recomposição do centro político da grande burguesia, dos partidos tradicionais que historicamente atacam as organizações de luta dos trabalhadores e os direitos democráticos da população.
Além disso, vale dizer que estes setores fazem parte da base política do bolsonarismo. Eles que ajudaram Bolsonaro a se eleger e são eles que ainda sustentam o governo do fascista. Por isso, uma integração da esquerda à base de Bolsonaro não pode, de forma alguma, incentivar a luta contra o governo. Muito pelo contrário, a única realização de tal frente é de controlar as manifestações contra a direita golpista, conter o avanço da luta contra o golpe sob as mãos da própria burguesia golpista.





