Segundo o jornal Valor Econômico, o ministro do STF Dias Toffoli participou de uma série de jantares entre maio e junho com parlamentares, fora da agenda. Durante esses encontros, Toffoli teria defendido o governo de Jair Bolsonaro, apelando aos parlamentares, de diversos partidos, para não levarem adiante pedidos de impeachment do presidente golpista.
Toffoli, atual presidente do STF, apareceu ao lado de Jair Bolsonaro por ocasião do anúncio de um “pacto” para sustentar o governo, junto com Rodrigo Maia, nessa mesma época. Um acordo entre os presidentes dos três poderes para procurar dar alguma estabilidade ao governo.
Deve-se lembrar, nesse caso, que o STF não age mais com autonomia. Toffoli tem como suposto “assessor” o general Ajax Porto Pinheiro. Na verdade, a presença do general no tribunal significa que o STF atua sob tutela militar. Situação que formalizou a tutela sobre o tribunal que apareceu durante o julgamento do habeas corpus de Lula em abril do ano passado, momento em que o general Villas Boas ameaçou o país inteiro com um golpe militar através de uma mensagem no Twitter, e levou o tribunal a negar o pedido do ex-presidente.
Portanto, Toffoli estava expressando durante esses jantares secretos revelados agora pela imprensa a posição dos militares. E mostrou o medo dos militares de que o governo Bolsonaro seja derrubado. Mesmo que fosse por vias institucionais, como no caso de um impeachment, que poderia acabar estimulando a polarização e a mobilização dos trabalhadores nas fábricas e nas ruas contra a direita golpista.
Esse medo do fim do governo Bolsonaro mostra como a direita está frágil diante de sua crise, enquanto há uma tendência de mobilização contra o governo. A fragilidade da direita também ficou expressa nas últimas manifestações públicas do general Augusto Heleno, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência do Brasil, que deu murros na mesa enquanto ofendia o ex-presidente Lula, e dias depois subiu em um caminhão de som para esbravejar contra os “esquerdopatas”.
A crise da direita deve ser aproveitada. É hora de se mobilizar em torno da palavra de ordem Fora Bolsonaro! Uma palavra de ordem que deixa a direita golpista em pânico, e que tomou as ruas em favor do fim do governo.





