Bolsonaro e Macri, servos do imperialismo

Saudado pela grande imprensa capitalista e seus economistas de plantão, todos subservientes à política do imperialismo para o Brasil e para a América Latina, o fechamento do acordo entre o Mercosul e a Comunidade Européia, já é tratado como o maior “feito” do governo Bolsonaro nesses seus seis primeiros meses.

Assinado no último dia 28 de junho, o acordo terá, ainda, de ser referendado pelos parlamentos dos países signatários e visa estabelecer as relações políticas e econômicas, sobretudo as relações multilaterais de comércio de bens e serviços, investimento, intercâmbio tecnológico e fluxo financeiro entre os dois blocos.

A partir da assinatura do acordo definitivo, que ainda levará em torno de seis meses para que seus itens sejam especificados, as tarifas de importação passam a ser diminuídas para que, ao final de 15 anos, sejam zeradas atingido praticamente 100% de todos os setores das economias dos dois blocos.

Esse é mais um “ovo da serpente” produzido pelo golpe de Estado que já atinge diversos países, entre eles o Brasil e a Argentina, os principais do bloco do Mercosul. Na realidade, o que está em discussão é a parte do bolo que caberá aos países imperialistas europeus, diante da política de destruição das economias nacionais dos países do Mercosul em proveito do imperialismo norte-americano, principalmente.

O acordo entre UE e Mercosul será um desastre para as indústrias nacionais da América do Sul. É um plano de economia colonial para os países atrasados, que serão reduzidos a exportar produtos de valor baixo, enquanto importam os industrializados.

Em conjunto com a política neoliberal imposta para um conjunto de países latino-americanos, o acordo em questão visa transformar esses países em exportadores de commodities, outras matérias-primas e produtos do agro-negócio e importadores de produtos industrializados, uma reprodução numa escala infinitamente maior do que o que ocorreu no período da colonização dos países da região.

As investidas contra as economias nacionais do países do Mercosul, não se resumem ao comércio entre os países dos dois blocos. Um dos itens que mais “encheu os olhos” das empresas europeias é a permissão para que possam concorrer livremente nos processos de licitação e compras governamentais em praticamente todas as áreas.

Caso os planos macabros do imperialismo para a América Latina não sejam derrotados, o poder de contaminação do Mercosul, pelo peso do Brasil e da Argentina, para o conjunto dos países da região será fatal para todas as economias.

Ao contrário da sórdida campanha feita pelo imperialismo e seus agentes “nacionais” sobre os “benefícios” para o “desenvolvimento” que a abertura econômica dos países atrasados trás, a realidade é sempre o seu contrário um desastre para as economias nacionais. No Brasil da era FHC, na primeira “onda neoliberal”, boa parte da economia industrial brasileira foi arrasada pelas privatizações e pela política de paridade com o dólar.

Nesse momento em que o imperialismo desencadeia uma nova ofensiva, apenas a operação Lava-Jato destruiu mais de 500 mil empregos e levou à lona grandes empresas, que mantinham relações comerciais com a Petrobrás na expansão da indústria alavancada pelo Petróleo.

A Argentina, por sua vez, depois de quatro anos do governo golpista de Macri, aproxima-se com velocidade da crise econômica e política vivida nos início dos anos 2000, que levou à derrubada consecutiva de três presidentes. O PIB do país acaba de retroceder em 5,8% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Esse é o resultado da mesma política que Bolsonaro tenta implementar no Brasil, ou seja, a política do golpe, do imperialismo.

Bolsonaro e Macri, são as mesmas faces de uma mesma moeda que tem como uma outra face o servilismo ao imperialismo, que avança como ave de rapina sobre as economias dos dois países, sendo o acordo do Mercosul com a Comunidade Europeia mais uma etapa para repartir o bolo no processo de recolonização da Amérca Latina.

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