Roma, filme dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, que também é o roteirista, levou o Leão de Ouro na última edição do Festival de Veneza, levando os mexicanos a uma grande festa na Itália.
A festa, no entanto, não deve ser vista apenas pelo fato de um latino americano ter vencido um importante festival de cinema, mas pelo filme mesmo e sua história. A produção em preto e branco conta a história de uma família de classe média na Cidade do México, nos anos 70. Como esclarece o próprio diretor, o filme inspira-se nas mulheres que seriam responsáveis por “moldar o mundo” da infância de Alfonso Cuarón.
Trata-se de uma homenagem ao matriarcado e explora os conflitos domésticos, mas igualmente os presentes na sociedade mexicana daquele tempo. Assim, pode-se tomar contato com uma ideia da organização social, da hierarquia social, e da instabilidade política reinante. As tensões entre as classes sociais do México dos anos 70 são exploradas e fundamentais para entender a história e o mundo que ele procura retratar. É um país, como outros da América Latina, em que impera a desigualdade social e onde as maiorias, indigenas, estão localizados na larga base da sociedade, arcando com o trabalho e vivendo na pobreza.
Ganhar o Leão de Ouro é importante pois significa que o filme deve ganhar holofotes maiores e, assim, a questão da luta de classes, da manutenção e ampliação da desigualdade social ganha igualmente visibilidade. O México do Século XXI é muito diferente desse México dos anos 70 do século XX? Provavelmente não, e o filme é uma oportunidade valiosa para nos perguntarmos o porquê.
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