O XII Congresso Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) foi encerrado neste domingo (7) com a votação das resoluções políticas e organizativas discutidas ao longo de quatro dias de atividades. Após os debates realizados nos grupos de discussão, as propostas, dúvidas e destaques apresentados pelos delegados foram sintetizados e encaminhados a uma comissão, responsável por sistematizar o material e levá-lo ao plenário.
No plenário final, foram lidas as propostas de resolução sobre a política nacional, a situação internacional e as questões organizativas do Partido. Em seguida, os delegados votaram os textos, com direito ao contraditório nos pontos destacados, permitindo que as divergências fossem apresentadas diante de todo o Congresso antes da deliberação final.
A última etapa dos trabalhos foi a eleição do novo Comitê Central Nacional (CCN), órgão dirigente do Partido. O encerramento também foi marcado por uma série de homenagens a militantes que tiveram papel destacado na construção do PCO e do movimento operário. Além de Natália Pimenta, dirigente falecida no ano passado e que deu nome ao Congresso, foram homenageados Júlio Marcelino, membro do CCN morto há dois anos, vítima de infarto; Neuder Bastos, militante antigo do Partido, falecido no início deste ano em decorrência de um câncer; e Irapuan Augusto Pedro, militante palmeiriense da velha guarda da Central Única dos Trabalhadores (CUT), morto em 2024 de mal súbito.
Com isso, o Congresso Natália Pimenta encerrou um ciclo de debates iniciado na quinta-feira (4), reunindo militantes, delegados, simpatizantes e convidados de todo o País. O evento, realizado em São Paulo, foi apresentado pela Direção do Partido como um balanço de um dos períodos mais difíceis e, ao mesmo tempo, mais importantes da trajetória recente do PCO.
A abertura, realizada no Auditório Paraíso, teve caráter público e reuniu representantes de organizações políticas, populares e sindicais. O ato foi marcado pela homenagem a Natália Pimenta, dirigente histórica do Partido, e por uma defesa das liberdades democráticas, da liberdade de expressão e da luta dos povos oprimidos contra o imperialismo.
Entre os convidados, estiveram representantes do Cebrapaz, do Campo Progressista Árabe, do POR, da Apeoesp, do Coletivo Indígena Terra Vermelha e do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal). Ahmed Shehada, presidente do Ibraspal, fez uma das intervenções mais fortes do ato, denunciando a perseguição promovida pelo lobby sionista contra militantes, professores, estudantes e jornalistas que defendem a Palestina. Shehada destacou que a luta palestina não é uma questão religiosa, mas uma luta política contra a ocupação e a colonização.
O presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, encerrou o ato de abertura com um balanço dos últimos anos. Segundo ele, o intervalo entre o XI e o XII Congresso correspondeu a uma etapa de ataques profundos ao Partido, incluindo processos judiciais movidos por organizações sionistas e o bloqueio das redes sociais da legenda por determinação do Supremo Tribunal Federal. Para ele, a sobrevivência e o crescimento do PCO nesse período demonstram a importância de um partido baseado em um programa político claro, e não em alianças oportunistas com o grande capital ou com setores do aparato repressivo do Estado.
No segundo dia, os delegados discutiram os informes político nacional e internacional. Rui Costa Pimenta apresentou o informe nacional, defendendo que a situação brasileira é marcada pelo esgotamento do regime político surgido da transição pactuada da ditadura militar. Para o dirigente, o golpe de 2016 abriu uma etapa de decomposição institucional que segue em curso e que não foi superada pelo terceiro governo Lula.
O presidente do PCO criticou duramente a política de conciliação adotada pela esquerda pequeno-burguesa, afirmando que o governo atual não realizou uma política social, nacional ou democrática. Ao contrário, segundo a análise apresentada, o governo se adaptou às exigências do grande capital, às reformas fiscais, às privatizações e ao fortalecimento de mecanismos de censura e controle político.
Ainda no segundo dia, João Jorge Caproni Pimenta apresentou o informe internacional. A exposição destacou a crise mundial do imperialismo, a instabilidade política na América Latina, a decomposição dos regimes democráticos nos países centrais e a perseguição crescente às organizações que defendem a Palestina. Segundo o informe, a posição diante da política internacional se tornou um critério decisivo para revelar o caráter das organizações de esquerda.
O informe internacional apontou que as potências imperialistas enfrentam uma crise profunda de controle político e que, diante disso, recorrem cada vez mais à censura, à repressão e à criminalização dos movimentos de luta. A defesa da Resistência Palestina, do Irã, da Venezuela, de Cuba e dos demais povos atacados pelo imperialismo apareceu como eixo central da política internacional discutida pelo Congresso.
O terceiro dia foi dedicado ao balanço das atividades práticas do Partido. A Direção apresentou dados sobre organização, finanças, imprensa, coletivos e atuação digital. Segundo o balanço, o PCO atravessou o período de maior atividade interna desde a campanha contra o golpe de 2016, com crescimento superior a 50% no número de filiados oficiais.
A discussão financeira destacou a importância da independência política do Partido. Ao contrário das organizações que dependem de fundos públicos, mandatos parlamentares ou financiamento de ONGs estrangeiras, o PCO apresentou como uma de suas conquistas a ampliação de contribuintes regulares, campanhas de arrecadação, venda de materiais impressos, cursos e outras iniciativas sustentadas diretamente pela militância.
Os coletivos também fizeram parte do balanço. Foram discutidas as atividades entre mulheres, juventude, trabalhadores, índios, psicólogos e psicanalistas. O Coletivo Terra Vermelha teve destaque com a intervenção de Valderi, liderança indígena do Mato Grosso do Sul, que denunciou a situação das comunidades de índios e criticou tanto a direita quanto a política de conciliação da esquerda pequeno-burguesa diante da luta pela terra.
A situação da imprensa e da atuação digital do Partido ocupou outro ponto central. Os responsáveis pelo setor de Internet relataram os efeitos da censura judicial que atingiu as redes do PCO em 2022, obrigando o Partido a descentralizar seus canais e criar formas alternativas de comunicação. Apesar da perseguição, o Partido apresentou crescimento expressivo de engajamento, consolidando-se entre as maiores organizações políticas do País nas redes sociais.
A Comissão de Redação do Diário Causa Operária também apresentou o balanço da incorporação de ferramentas de inteligência artificial na imprensa partidária. Segundo o informe, a automação permitiu acelerar a produção do DCO e da Causa Operária TV, inclusive com a transcrição quase imediata das intervenções do próprio Congresso. A tecnologia também foi apresentada como uma ferramenta para romper barreiras linguísticas e acompanhar diretamente fontes do Oriente Próximo, agências iranianas e canais ligados à Resistência Palestina.
Ao final dos quatro dias, o XII Congresso do PCO consolidou um balanço político, internacional e organizativo do período aberto desde o último congresso. O eixo das discussões foi a preparação do Partido para uma nova etapa de crise nacional e internacional, marcada pela ofensiva do imperialismo, pelo crescimento da censura, pela decomposição da esquerda tradicional e pela necessidade de organizar uma resposta independente da classe operária.




