Nos últimos dias, o atletismo brasileiro vivenciou um feito histórico: Alison dos Santos, o Piu, quebrou o recorde mundial dos 400 metros com barreiras na etapa de Zurique da Diamond League. Com o impressionante tempo de 45s80, o atleta superou marcas históricas e derrotou os principais nomes globais da modalidade. Longe de ser um mero milagre individual, o triunfo de Piu reflete a potência esportiva represada nas camadas mais populares do País.
Esporte popular
O atletismo mantém laços profundos com a classe trabalhadora e o povo pobre brasileiro. Por ser uma modalidade de base, fundamentada no correr e no saltar, é nos bairros pobres e nas cidades do interior que brota a imensa maioria dos talentos. Contudo, sob o regime capitalista e a mercantilização promovida pelos grandes monopólios esportivos, a prática de esportes no Brasil sofre com o sucateamento, o abandono público e o elitismo, como foi visto em 2025, quando o prefeito Ricardo Nunes cortou 120 mil alunos das Olimpíadas Escolares da cidade de São Paulo.
A superação de Piu escancara que, mesmo sem amplo apoio estrutural, a energia da classe trabalhadora é capaz de romper barreiras e ocupar posições de destaque no cenário internacional.
Liderança negra
O feito de Alison dos Santos coloca definitivamente seu nome ao lado dos maiores atletas da história do esporte no País. Ao estabelecer a nova marca global, Piu junta-se ao seleto grupo de recordistas mundiais individuais do atletismo brasileiro: Adhemar Ferreira da Silva (bicampeão olímpico e recordista do salto triplo), João Carlos de Oliveira, o João do Pulo (que chocou o mundo com o recorde do salto triplo), Robson Caetano (histórico recordista das pistas de velocidade) e Ronaldo da Costa (recordista mundial da maratona).
O dado político central e inegável dessa trajetória brasileira é a sua composição racial: todos os recordistas mundiais do atletismo masculino brasileiro são negros. Esse fato explicita que a população negra, sistematicamente marginalizada e submetida às piores condições pelo capitalismo, constitui a verdadeira espinha dorsal da excelência esportiva nacional. Mais uma vez, fica demonstrada a necessidade de exigir dos governos incentivos ao esporte, com pesados investimentos na educação esportiva, construção de quadras em todas as comunidades, liberdade de manifestação para as torcidas, patrocínio aos atletas dos esportes populares e daqueles que devem ser popularizados. Um programa que somente o PCO tem apresentado de forma consequente.




