A falta de equipamento adequado paralisou a vacinação em duas unidades de saúde de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, na terça-feira (5). Moradores dos bairros Nova Lima e Vila Corumbá ficaram sem aplicação de imunizantes nas unidades locais porque a rede pública não garantia a refrigeração exigida para conservar as vacinas. O problema atingiu a USF São Francisco e a UBS da Vila Corumbá, revelando falha básica de estrutura na saúde municipal.
Vacinas exigem conservação entre 2°C e 8°C para que sejam mantidas suas propriedades, o que é estabelecido por regra da Anvisa. Sem equipamento confiável, a aplicação precisa ser interrompida por segurança. O ponto central, porém, é que a interrupção não deveria ocorrer. Uma prefeitura que administra unidades de saúde deve garantir, antes de qualquer campanha ou rotina de atendimento, a estrutura mínima para armazenar imunizantes.
Na USF São Francisco, no Bairro Nova Lima, a suspensão ocorreu porque a câmara fria apresentou falha e não mantinha a temperatura exigida. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que não havia falta de vacinas e que um novo equipamento já havia sido providenciado, com instalação em andamento. A explicação, embora tente reduzir o problema, confirma a insuficiência da resposta municipal: ter vacina em estoque não resolve quando a unidade não pode aplicá-la. A população precisa do serviço funcionando perto de casa, não apenas da promessa de que o material existe em outro lugar.
Na UBS da Vila Corumbá, o problema foi atribuído à rede elétrica de um prédio antigo e alugado, incapaz de suportar os equipamentos. A prefeitura informou que o proprietário foi notificado para fazer adequações. A justificativa também é frágil. Se o imóvel é usado para atendimento de saúde, cabe ao poder público garantir previamente que ele tenha condições técnicas para operar. Notificar o proprietário depois da suspensão apenas demonstra que a prefeitura não vai resolver o problema. Afinal, contratos de locação permitem que o locatário, a prefeitura, faça reformas estruturais necessárias, como problemas na rede elétrica, e então exija que os valores sejam abatidos do aluguel, o que a prefeitura tinha plenas condições de fazer.
Enquanto tenta apresentar os casos como pontuais, a prefeitura orienta moradores a buscarem outras unidades, como as USFs 26 de Agosto e Paradiso. Essa saída transfere o custo do problema para a população. Quem depende da unidade do bairro pode ter dificuldade de deslocamento, gasto com transporte, horário de trabalho apertado ou crianças sob cuidado. A vacinação, para ser efetiva, precisa ser acessível. Encaminhar moradores a outros postos é uma medida emergencial, mas não substitui o funcionamento regular da unidade.


