A União Europeia barrou a importação de carnes do Brasil para o bloco, mesmo em meio à queda da produção interna. O cenário de declínio na produção da UE mostra que o setor de carnes, em 2026, poderá atingir os níveis mais baixos dos pelo menos últimos 25 anos.
A medida adotada foi a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes para o bloco. As alegações são, principalmente, por questões relacionadas ao cumprimento das regras sanitárias, especialmente no que diz respeito ao uso de produtos antimicrobianos e antibióticos na produção da carne.
O Brasil não forneceu garantias suficientes à UE, segundo alegam, sobre a não utilização desses produtos, o que é um requisito rigoroso para a entrada de carne no mercado europeu. A decisão da União Europeia estaria ligada a preocupações com a rastreabilidade do gado e o cumprimento das normas sanitárias exigidas, que visam garantir a segurança alimentar e a saúde dos consumidores europeus, diz a imprensa.
A falta de garantias e a burocracia associada a essas exigências teriam levado à suspensão das exportações brasileiras de carne, coisa que não é comum acontecer, exceto em situações de problemas claros, como surtos de doenças animais como a da vaca-louca ou falhas em controles sanitários. Não há indicações nas fontes recentes de que a União Europeia tenha retirado outros países da lista de exportadores de carne por motivos semelhantes aos alegados contra o Brasil.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE teve as negociações concluídas em 06 de dezembro de 2024 após mais de duas décadas de debates. O acordo começou a vigorar de forma provisória e gradual em 1º de maio de 2026, e já impuseram essa proibição ao Brasil, logo no início da vigência. Tudo muito estranho, uma vez que foram mais de 20 anos de negociações e só agora perceberam essa “falha”? Com essa medida, o Brasil fica proibido de vender carnes para o bloco a partir de 03 de setembro.
O governo tinha comemorado as tratativas com o Mercosul, mas o acordo só servirá para os interesses do imperialismo, pois o Brasil não tem força nessa briga. Se os países imperialistas assim o quiserem, fecham as importações de produtos brasileiros e a produção brasileira fica altamente prejudicada.
A última lista de países autorizados a exportar para a União Europeia é de 2024 e o Brasil constava nela. Agora, com essa medida, o Brasil perde o 2º maior mercado para exportação brasileira que só é menor que as exportações a China. Considerando apenas a exportação bovina é o terceiro maior mercado, superado pela China e pelos EUA. Ocorre que nenhum desses dois países detectaram problemas com a carne brasileira. Fica a pergunta: por que só a UE levantou essas questões?
Ao que parece, é pura sabotagem e o País perde um mercado muito importante para as exportações da agropecuária, o que desequilibra a balança de comércio brasileira. Por outro lado, o governo, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), trabalha para provar o óbvio aos países europeus, que os controles sanitários e todo o sistema produtivo atendem aos padrões internacionais para exportação.
Os governos da Europa sacrificam o abastecimento interno e arriscam suas prováveis consequências, como a inflação e aumento da pressão na renda das famílias, para aparentemente sabotar a produção de empresas brasileiras do setor de proteínas.
Não se sabe ao certo qual o intuito dessa medida. Como estamos em ano eleitoral, o imperialismo pode estar tentando criar a imagem de um governo fraco e desgastar ainda mais a popularidade do governo Lula.



