Jeferson Miola publicou no Brasil 247 um artigo inteiro para sustentar uma tese que beira o ridículo: a de que o bolsonarismo estaria sendo “blindado” pelas instituições brasileiras.
É preciso uma dose extraordinária de imaginação para olhar para tudo o que aconteceu com o bolsonarismo nos últimos anos e enxergar proteção institucional.
Jair Bolsonaro foi preso depois de uma ofensiva judicial que teve entre seus episódios centrais uma reunião com embaixadores, transformada em peça fundamental da perseguição política contra ele. Eduardo Bolsonaro foi cassado. Dirigentes, parlamentares, assessores e apoiadores bolsonaristas passaram anos sob investigações, operações, bloqueios, decisões judiciais e ameaças de punição. Agora, em plena eleição, montou-se mais um inferninho político e judicial em torno de Flávio Bolsonaro.
O fato de existir um ministro, delegado, procurador ou qualquer outro funcionário do Estado que eventualmente tome uma decisão favorável a um bolsonarista não altera o quadro geral. Isso é absolutamente secundário.
A questão fundamental é outra: qual é a orientação política das instituições do regime em relação ao bolsonarismo?
Como Mendonça foi indicado por Bolsonaro e agora estaria tomando decisões favoráveis a Flávio, Miola tenta vender a ideia de que existe uma poderosa rede de proteção institucional ao bolsonarismo. É como encontrar uma árvore no deserto e anunciar a descoberta da Amazônia.
André Mendonça pode decidir isto ou aquilo. Pode beneficiar Flávio em determinado processo. Pode até agir politicamente em favor do grupo que o colocou no Supremo.
Nada disso muda o fato de que o bolsonarismo foi colocado sob uma gigantesca máquina de repressão institucional. Alexandre de Moraes tornou-se praticamente um poder político próprio no combate ao movimento. A Polícia Federal foi transformada em personagem cotidiano da disputa política. O STF passou a interferir diretamente na vida partidária, eleitoral e política do País.
Onde está a “blindagem”? Se isso é proteção, seria interessante saber o que Miola considera perseguição.
Miola precisa transformar o bolsonarismo em protegido porque sua política depende dessa ficção. Se admitir que as instituições estão perseguindo a direita, surge imediatamente uma pergunta incômoda: por que o PT e seus intelectuais estão depositando tanta confiança justamente nessas instituições?
Por isso, qualquer decisão favorável a Flávio precisa ser apresentada como prova de uma conspiração bolsonarista dentro do Estado.
Miola chega a comparar Mendonça a Sérgio Moro.
A comparação revela mais sobre a política defendida pelo próprio Miola do que sobre o ministro.
O problema, para ele, não é que o aparelho judicial esteja intervindo cada vez mais na política. O problema é quando essa intervenção atinge o PT.
Quando tribunais, ministros e policiais avançam contra Bolsonaro, a máquina judicial aparece como defensora da democracia. Quando a mesma política ameaça atingir alguém ligado a Lula, descobre-se subitamente o perigo da instrumentalização da Justiça.
Essa política é suicida. Não se pode transformar a Polícia Federal e o Supremo em instrumentos legítimos de combate aos adversários e depois reclamar quando setores desses mesmos aparelhos atuam contra o seu próprio campo político.
O PT terceirizou a luta contra a direita. É esse o verdadeiro fundo do problema.
Seu desespero diante de André Mendonça existe porque, para quem acredita que a eleição deve ser protegida pelo aparelho judicial, um juiz que não obedeça ao roteiro esperado vira imediatamente uma ameaça gigantesca. É uma falência completa.



