Donald Trump encerrou sua visita de dois dias à China nesta sexta-feira (15) sem anunciar nenhum acordo significativo com o presidente chinês Xi Jinping. Apesar da retórica conciliadora, dos elogios mútuos e dos gestos cuidadosamente organizados pelo governo da China, os principais conflitos entre as duas potências seguem sem solução.
No último dia da viagem, Trump foi recebido por Xi no complexo de Zhongnanhai, residência oficial do dirigente. O local, raramente usado para encontros diplomáticos, serviu como palco para demonstrar proximidade política. Xi mostrou ao presidente norte-americano dois ciprestes entrelaçados, símbolo chinês de união duradoura, e classificou a visita como “histórica”.
Trump, por sua vez, afirmou que os dois governos haviam discutido “acordos comerciais fantásticos” e chegou a dizer, em entrevista à Fox News e depois a jornalistas no Air Force One, que a China compraria 200 aviões da Boeing, podendo chegar a 750. Também declarou que a China compraria mais soja e petróleo dos Estados Unidos.
O governo chinês, no entanto, não confirmou essas compras. Pequim limitou-se a dizer que os dois países concordaram em criar mecanismos de diálogo comercial e de investimento, além de continuar discutindo tarifas e cooperação econômica.
A questão mais explosiva, Taiuã, permaneceu sem solução. Xi Jinping queria garantias de que os Estados Unidos deixariam de vender armas à ilha, reivindicada pela China. Trump não assumiu compromisso público. Questionado se os EUA defenderiam Taiuã em caso de conflito, respondeu apenas: “não falo sobre essas coisas”.
A guerra no Oriente Próximo e o bloqueio do Estreito de Ormuz também estiveram na pauta. Trump disse que ele e Xi pensam de forma semelhante sobre a necessidade de manter a passagem aberta e impedir que o Irã tenha armas nucleares. Mais tarde, porém, afirmou que não pediu favores ao dirigente chinês.
Para Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, o encontro não representa uma trégua real entre as duas potências. “Foi um encontro amigável de inimigos”, afirmou. Segundo ele, a diplomacia não muda a tendência de fundo do conflito: “mesmo que o Trump quisesse fechar um acordo de grandes proporções com o Xi Jinping, os monopólios imperialistas não querem saber disso; eles querem derrubar a China”.
A avaliação de Rui contrasta com a encenação diplomática feita pelos dois governos. Para ele, não se deve esperar que o encontro traga paz ou estabilidade duradoura. “O avanço da China vai progredir, a crise com os chineses vai progredir, independentemente de qualquer encontro diplomático”, declarou.
O dirigente do PCO também afirmou que Trump tenta reconstruir sua imagem internacional. “Trump está se fazendo de bonzinho depois do desastre que ele provocou no Oriente Médio”, disse. Pimenta comparou a postura agressiva do presidente norte-americano à imagem de um “Gengis Khan moderno”, afirmando que Trump primeiro se apresentou de maneira brutal e agora tenta aparecer como conciliador.
No balanço da visita, o que ficou foi a diferença entre a aparência e o conteúdo. Houve banquete, símbolos de amizade, convite para Xi visitar os Estados Unidos em setembro e declarações sobre cooperação. Mas não houve acordo sobre Taiuã, não houve solução para a disputa tecnológica, não houve avanço confirmado sobre tarifas e tampouco uma saída concreta para a crise no Oriente Próximo.





