Copa do Mundo 2026

Time iraniano busca levar orgulho ao país, diz técnico

Restrições de entrada nos EUA sabotaram a preparação da seleção, que chega ao jogo contra o Egito ainda com chance de classificação

O técnico Amir Ghalenoei defendeu foco total na partida contra o Egito, em Seattle, na quinta-feira (25), após restrições impostas pelos EUA à delegação iraniana. A seleção do Irã tenta avançar à fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026 e busca transformar a campanha em motivo de alegria nacional. Mesmo obrigada a entrar e sair dos Estados Unidos perto das datas dos jogos anteriores, a equipe somou empates contra Bélgica e Nova Zelândia.

A seleção iraniana chegou à última rodada do Grupo G ainda com possibilidade de classificação. O resultado contra o Egito se tornou decisivo, e Ghalenoei procurou afastar debates paralelos da entrevista coletiva. O treinador afirmou que o grupo quer falar de futebol e levar alegria ao povo iraniano, evitando que a pressão política e os constrangimentos externos desviem a atenção da partida.

As dificuldades de deslocamento foram centrais na preparação do Irã. Autoridades dos Estados Unidos haviam restringido a entrada da equipe antes dos jogos anteriores, obrigando a delegação a permanecer pouco tempo no país-sede das partidas. A federação iraniana afirmou que autoridades norte-americanas “causaram problemas” quando a seleção viajou de sua base no México para o compromisso contra o Egito. Antes da partida decisiva, as restrições foram parcialmente aliviadas.

Ghalenoei disse que as limitações afetaram fisicamente a equipe nos jogos anteriores. Ao mesmo tempo, afirmou que o time está agora em melhor condição e mais preparado. Para o treinador, entrar antes nos Estados Unidos era um direito que o Irã deveria ter tido nas duas partidas anteriores. A declaração mostra que a questão não se limitou a um detalhe logístico, mas interferiu diretamente no período de descanso, adaptação e treino.

A seleção iraniana resistiu em campo apesar das barreiras. O empate com a Bélgica, uma das equipes mais tradicionais da competição, e o empate com a Nova Zelândia mantiveram o Irã vivo na disputa. A campanha passou a ser tratada como símbolo de firmeza, especialmente em um torneio marcado por tentativas de transformar a presença iraniana em tema político.

A coletiva também foi atravessada pela decisão dos organizadores locais de apresentar a partida em Seattle como um jogo ligado à celebração do orgulho LGBT. Um funcionário da Federação Internacional de Futebol (Fifa) leu antes da entrevista uma declaração da Federação de Futebol do Irã informando que Ghalenoei responderia apenas sobre o jogo contra o Egito. O técnico seguiu essa linha e disse que a equipe não queria comentar assuntos proibidos ou exteriores à partida.

O treinador egípcio Hossam Hassan adotou posição semelhante, restringindo sua atenção ao futebol. A coincidência entre os discursos de Irã e Egito indica uma tentativa de impedir que o jogo seja usado para constranger politicamente determinadas seleções.

Para o Irã, a partida contra o Egito carrega valor esportivo e nacional. A equipe busca superar dificuldades impostas fora de campo e responder com desempenho dentro das quatro linhas. Ao afirmar que quer levar alegria ao povo, Ghalenoei recolocou a seleção no terreno do futebol e denunciou, ainda que de forma contida, os efeitos da sabotagem administrativa norte-americana sobre a preparação iraniana.

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