A insistência de setores da esquerda em atacarem Flávio Bolsonaro é um sintoma de quem não têm o que apresentar, como o artigo Flávio é o esqueleto ambulante da extrema direita, de Moisés Mendes, publicado no Brasil 247 nesta segunda-feira (13).
Mendes diz que “até nos jornalões procuram os esqueletos no armário de Flávio Bolsonaro, enquanto o próprio candidato cata os ossos da fome do desgoverno do seu pai, para atribuir a ossada ao governo de Lula. O efeito da nova busca ao passado do filho ungido pode ser zero”.
Conforme já discutimos neste Diário, os Bolsonaros não são os candidatos ‘naturais’ da burguesia. Isso foi o que motivou o julgamento-farsa da “trama golpista”. Com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o grande capital esperava obter um acordo, sua liberdade em troca do apoio de um candidato de terceira via.
Com Bolsonaro fora da disputa, bastaria desgastar Lula e emplacar um candidato disposto a tudo, pois o imperialismo necessita esfolar ainda mais o brasileiro e roubar as riquezas do País para conter a própria.
A grande imprensa pode estar atrás de ‘esqueletos no armário’ de Flávio Bolsonaro por mais de um motivo. Pode utilizar isso para mantê-lo sob controle, ou mesmo descartá-lo.
Ficha criminal
Mendes insiste no tema da criminalização; escreve que “todo mundo sabe o que ele fez por suas relações e até homenagens a criminosos e pela capacidade de escapar dos cercos do sistema de Justiça. Sabem ou fingem não saber, porque a imagem de Flávio está, como dizem no mercado financeiro, precificada há muito tempo”.
Esses fatos apresentados estão longe no passado e ninguém se importa. A capacidade do candidato de escapar da Justiça revela apenas que essa instituição está aí para prender apenas pobres ou quem desafia determinados interesses.
“Flávio tem preço, tem etiqueta, tem especificação do material de que foi feito e tem alertas sobre os danos que pode sofrer se for exposto à luz.” Diz Moisés Mendes, e “mesmo assim, o Estadão publicou no sábado, dia 11, que o filho é uma página em branco”, conclui.
A questão é: quem vai expor Flávio Bolsonaro à luz? Se este estiver de acordo com os desejos da burguesia, nada lhe acontecerá. Além disso, se o Estadão diz que o possível candidato é uma página em branco, pode significar que podem escrever qualquer coisa nele. Exatamente o que a burguesia deseja. O problema é que ele não é uma página em branco, tem uma classe social que o apoia e aguarda que governe de conforme esses interesses.
Em seguida, Mendes que o Estadão “deu na capa, em destaque, a chamada para a entrevista do marqueteiro Jorge Gerez, que trabalha para Ratinho Júnior. Segundo o especialista em imagem pública, ninguém sabe de onde Flávio veio e o que pretende da vida. Essa seria a sua vantagem”. A informação não é exata, o filho mais velho de Bolsonaro esteve com o pai o tempo todo e um é reconhecido no outro, tanto que Jair Bolsonaro transferiu integralmente para ele seus votos.
A capivara do candidato
Moisés Mendes diz que “o mesmo Estadão, que apresentou o mais novo extremista moderado como se fosse um Collor de 1989, informa nesta segunda-feira, dois dias depois, que o filho tem um passado sombrio. E publica no título do editorial: Os ‘esqueletos’ de Flávio Bolsonaro’”.
O editorial citado, porém, diz também que “a eleição ainda está distante”, o que pode ser um indicativo de que a burguesia ainda não escolheu seu candidato, embora não reste muito tempo. É importante salientar que o senador não foi necessariamente descartado, e pode se tornar o representante do capital.
“Não demorou para que o passivo do senador – sobre rachadinhas e milicianos – começasse a aparecer”, aponta o editorial, que diz também que “o candidato, ao dizer que não sabia de nada, escolheu ofender a inteligência do eleitor”. A menos que isso seja uma ameaça, e que encontrem um modo de levar Flávio Bolsonaro às barras da justiça, nada resultará daí. Para seu eleitorado, francamente, não importa.
É inútil ficar repetindo que os grandes jornais “redescobrem a folha corrida do filho escolhido, tudo o que se sabe sobre o envolvimento de Flávio com suspeitas e investigações de desvios de verbas públicas, com milicianos e com a compra de imóveis da família com dinheiro vivo” e blá-blá-blá. Só a esquerda pequeno-burguesa se impressiona com a corrupção.
Vale a pena repetir: em São Paulo, dois políticos eram conhecidos como “Rouba, mas faz”: Ademar de Barros e Paulo Maluf, e nem por isso deixaram de ter seus votos.
O próprio Moisés Mendes é obrigado a aceitar que “é ilusória a sensação de que em algum momento todos os ossos escondidos pela família irão desabar sobre Flávio. Porque são ossos expostos há muito tempo. Todo mundo conhece cada detalhe desse acervo, o crânio, a clavícula, o fêmur, a tíbia”.
O que fazer
Tiradas sarcásticas como a que “todos conhecem a fíbula que segura a tornozeleira de Bolsonaro. Conhecem ossadas avulsas e cadáveres inteiros”. Não adianta ficar martelando na questão da corrupção, pois o Estadão, se for preciso, vai apresentar novamente a ficha da família “como sendo imaculada”.
É fato que “se encontrarem amanhã um cemitério ocupado só com ossos do bolsonarismo, a reação pode ser a mais natural, porque não é nessa área que Flávio será abalado”, o que significa que a esquerda precisa apresentar suas propostas e ir atrás do eleitorado, precisa parar com essa mania de transformar a política em caso de polícia.
Mendes erra ao dizer que “ssa é a eleição em que valores e referências sobre bons modos não valem um fêmur descarnado”, todas são assim, não existe espaço para moralismos em política.
O problema todo está em que o governo Lula tem apresentado pouco e corre o risco de não se eleger. Não bastando o baixo desempenho na economia, Lula ainda está enroscado com o Supremo Tribunal Federal, envolvido no escândalo do Banco Master, que pode muito bem ganhar as manchetes até as eleições.





