Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Sem vigilância, agências bancárias não podem abrir

Com a greve dos vigilantes, a diretoria do Sindicato dos Bancários de Brasília saiu a campo em defesa dos companheiros

A categoria dos vigilantes no Distrito Federal decretou, em assembleia realizada no dia 23 de junho, greve geral devido ao impasse de meses nas negociações referentes à Convenção Coletiva de Trabalho. Os patrões ofereceram uma migalha de reajuste de 3,9%, sem, inclusive, retroatividade, sendo que a data-base dos vigilantes é no mês de janeiro e o pagamento começaria apenas em setembro de 2026. Segundo a direção do Sindicato dos Vigilantes de Brasília (Sindesv-DF), “a mobilização dos vigilantes começou a gerar resultados concretos” e “já foram firmados acordos individuais com as empresas Brasília Segurança, Total Segurança e, no final desta quarta-feira (24), também com a Confederal” (site Sindesv-DF, 25/06/2026).

Com a greve dos vigilantes, a diretoria do Sindicato dos Bancários de Brasília, no mesmo dia da decretação da greve, também saiu a campo em defesa dos companheiros e em total apoio à mobilização. Toda a diretoria se dirigiu a diversas agências bancárias no sentido de impedir a abertura delas, já que, conforme lei federal, é vedado o funcionamento de qualquer estabelecimento financeiro que movimente numerário sem um sistema de segurança.

Rodrigo Brito, presidente da Fetec-CUT/CN (Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte) e dirigente nacional da CUT, salientou que a defesa dos vigilantes também é a defesa da vida e da segurança no ambiente bancário. Para Brito, “somos solidários à luta dos vigilantes por direitos, mas também estamos nesta mobilização pela nossa segurança, pela nossa qualidade de vida e pelo direito de trabalhar em paz, sem colocar em risco a vida dos trabalhadores, dos clientes e dos usuários” (site Bancários-DF, 24/06/2026).

Além da importância da solidariedade de classe, a mobilização do Sindicato dos Bancários vai no sentido de defesa da própria categoria bancária. Há uma orientação dos banqueiros para que aquelas agências que funcionam sem numerário abram as suas portas e, para aquelas que trabalham com numerário, não abram os caixas executivos e mantenham o funcionamento das agências normalmente.

A luta dos vigilantes pelos seus direitos é legítima e necessária. A categoria bancária deve ficar atenta contra qualquer tentativa dos banqueiros de passar por cima da regulamentação bancária e dos direitos dos trabalhadores bancários, já que eles são especialistas nesses quesitos.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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