Copa do Mundo de 2026

Seleção se despede do Brasil em grande estilo: Maracanã e goleada

Brasil faz primeiro tempo apático, mas vai para cima no segundo e se impõe com goleada

Juca Simonard, da revista Zona do Agrião

O escrete brasileiro que nos representará na Copa do Mundo se despediu do Brasil neste domingo (31). Uma saída em grande estilo: no templo do futebol, o Maracanã, casa da Seleção Brasileira — infelizmente, subutilizada pela politicagem da CBF —, e goleando o Panamá por 6×2.

“Ah, mas a Seleção do Panamá é fraquíssima”, dirão alguns. E é verdade, mas o Brasil fez o que tinha de ser feito, portanto, não há espaço para desmerecer a Seleção. Lembremos que, nos amistosos antes da Copa de 1970 — para alguns, a melhor Seleção da história (o que não é minha opinião, que confiro o título à de 1958) —, o Brasil teve uma vitória magra (1×0) contra a Áustria e um empate (0x0) com a Bulgária. Isso apenas mencionando os dois últimos jogos contra seleções realizados antes da Copa.

Desde o fim das Eliminatórias em agosto de 1969, o Brasil perdeu para o Atlético Mineiro (1×2) e para a Argentina (0x2), e empatou com o Bangu de Flávio Costa (1×1) e o Paraguai (0x0). Claro, vencemos os outros sete amistosos: Argentina (2×1), Chile duas vezes (5×0 e 2×1), Seleção do Amazonas (4×1), Seleção Mineira (3×1) e mais três times mexicanos após chegar à sede da Copa — Chivas (3×0), Deportivo León (5×2) e Irapuato (3×0).

Retirando-se os jogos contra os times mexicanos, a retrospectiva após as Eliminatórias foi de cinco vitórias, duas derrotas e dois empates. Analisando apenas os números, dir-se-ia ser um aspecto positivo. Mas, na época, não foi. Com exceção do Chile, o Brasil conseguiu apenas vitórias magras contra outras seleções nacionais.

O Brasil chegou, como geralmente aconteceu nas Copas em que ganhou, completamente desacreditado. Isso aconteceu mesmo quando defendemos o título de campeão do mundo em 1962. “Nilton Santos, Didi e Zito estão velhos. Bellini está na reserva”, entre outras coisas que repetiam os corneteiros da época, liderados pela imprensa pró-imperialista. Em 1958, nem se fala: depois das derrotas na tragédia de 1950 e em 1954, a Seleção chegava ao Mundial como o melhor futebol fracassado do mundo. Em 1994, quase ficamos de fora, não fosse a vitória contra o Uruguai nas Eliminatórias e o espetáculo de Romário, que fez uma das melhores atuações individuais da história. Em 2002, depois da derrota vergonhosa para a França em 1998 e da lesão de Ronaldo, as críticas surgiam aos milhares.

O que quero demonstrar com isso? Que não adianta o que a Seleção faça, sempre será criticada por algum motivo. Mesmo goleando o Panamá, farão de tudo para desmerecer o atual escrete nacional.

Dito isso, vamos à partida deste domingo.

O Brasil fez, de fato, um primeiro tempo muito aquém, quase apático. Em determinados momentos, foi engolido pelo Panamá. Mas futebol se joga até o apito final — ah, se tivéssemos pensado nisso no dia da fatídica eliminação contra a Croácia na Copa passada!

Dos titulares, apenas Vinícius e Wesley jogaram bem. O primeiro, não por acaso, fez um dos gols e deu o passe para o outro, quando Casemiro, que não vinha fazendo grande partida, jogou para dentro da meta adversária.

Mas, no futebol, além de talento e tática, é preciso ter sorte. Antes de Casemiro marcar o segundo, os adversários empataram, com uma cobrança de falta cujo chute desviou em Matheus Cunha e tirou completamente Alisson da jogada.

Assim, a primeira metade terminou em 2×1, com uma atuação da Seleção abaixo do esperado.

No segundo tempo, Ancelotti, acertadamente, fez 10 alterações, colocando todos os jogadores disponíveis (com exceção do terceiro goleiro, Weverton) na partida. Do time do primeiro tempo, sobrou apenas Leo Pereira.

E o Brasil mostrou que o escrete, em geral, é forte. Os reservas foram para cima e marcaram quatro tentos — três em apenas 15 minutos de partida.

O primeiro foi um golaço de Rayan, que mostrou que tem personalidade para vestir a Amarelinha. Após Igor Thiago (até pouco tempo, desconhecido do público brasileiro) atrapalhar a saída de bola do goleiro panamenho, a bola sobrou para Rayan, que, de fora da área e da lateral do campo, marcou. Em seguida, golaço de Paquetá após linda jogada de Danilo e Douglas Santos. No passe do lateral, Danilo fez o corta-luz, sobrando para Paquetá, que bateu de primeira sem chance para o arqueiro panamenho.

Poucos minutos depois, Igor Thiago entra na área, dribla espertamente o goleiro, sofre o pênalti e converte. Para finalizar, faltando 10 minutos para o fim do tempo regulamentar, Paquetá achou um passe genial para Danilo. O jogador do Botafogo matou com perfeição, driblou o marcador, que ficou no chão, e colocou para dentro: 6×1.

O Panamá, menos de cinco minutos depois, diminuiu para 6×2, com um golaço de Carlos Harvey de fora da área, uma porrada que não deu chance para o goleiro Ederson.

Enfim, resultado positivo e ótima atuação no segundo tempo. O que fica de lição boa é que, se nossos jogadores mais badalados não derem conta na Copa, temos uma infinidade de jogadores dispostos a comer grama pela Seleção esperando no banco.

Ainda acho que nosso grande problema será o sistema defensivo. Parece óbvio, mas, no futebol, se fizer mais gols do que tomar, ganha-se a partida. Conto com isso.

Minhas notas

Alisson: nota 5. Não foi bem, nem mal. Não teve culpa no primeiro gol panamenho. Fez algumas defesas, mas nada difícil.

Wesley: 7. Deu profundidade e foi um dos jogadores mais ativos. No primeiro tempo, melhor em campo depois de Vini.

Bremer: 5. Partida tímida, perdeu alguns tempos de bola, mas não comprometeu.

Leo Pereira: 5. Quase entregou um gol para o Panamá em um erro de saída de bola, mas melhorou no segundo tempo.

Alex Sandro: 4. O pior do primeiro tempo. Perdeu quase todos os duelos e, por opção técnica, não apoiou na lateral. Portanto, na função que deveria fazer — auxiliar na defesa — foi mal.

Bruno Guimarães: 5. Partida meia-boca, não comprometeu e não ajudou.

Casemiro: 6. Apesar de ter falhado algumas vezes nos passes, fez o gol que tirou o empate do placar e roubou a bola que levou ao golaço de Vini Jr.

Raphinha: 6. Muito participativo. Quase todas as jogadas passavam por ele, mas faltou criatividade para armar o time.

Matheus Cunha: 5. Sumido em campo, tomou várias decisões erradas.

Luiz Henrique: 6. Outro que sumiu, o que não é comum. Não arriscou quase nenhuma jogada do seu ponto forte — o drible, a velocidade e a força. Faltou criatividade no ataque, mas participou de algumas jogadas com Wesley.

Vinícius: 8. Melhor do primeiro tempo. Não se escondeu, foi para cima, marcou um golaço de fora da área e deu uma assistência (mesmo que sem querer). Líder do Brasil na primeira metade da partida.

Ederson: 4. Não passou segurança, pelo contrário, deu um ou outro susto. Não fez nenhuma defesa difícil. Bem abaixo.

Ibanez: 3. Pior do jogo. Improvisado na lateral-direita, parecia completamente perdido. Deu alguns sustos.

Danilo: 5. Não comprometeu e atuou de forma organizada, meio burocrática, como é seu esquema nos últimos anos.

Douglas Santos: 7. Na minha opinião, o titular da posição. Foi seguro na defesa e apoiou bem no ataque, dando o passe para o gol de Paquetá.

Danilo Santos: 8. Errou algumas jogadas fáceis, mas ganhou muitos pontos pelo golaço que fez, um verdadeiro gol de craque.

Fabinho: 6. Atuou bem no que era esperado que fizesse. Deu apoio ao sistema defensivo mais do que qualquer coisa.

Paquetá: 9. Melhor em campo. Marcou gol e deu assistência para Danilo, apareceu muito no jogo, armou muito bem. O maestro do segundo tempo.

Endrick: 6. Mostrou vontade e foi muito participativo no ataque, mas errou algumas tomadas de decisão.

Rayan: 8. Mostrou ter brilho. Aos 19 anos, marcou seu primeiro gol pela Seleção Brasileira. Fez um golaço e mostrou que sua convocação foi certeira, mesmo tendo apenas dois jogos com a Amarelinha.

Igor Thiago: 8,5. O segundo melhor em campo. Mostrou vontade, até apareceu para defender. Correu o jogo todo e deu trabalho para a defesa adversária. Marcou um gol e participou do gol de Rayan.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.