Izadora Dias

Izadora Dias é militante do Partido da Causa Operária em São Paulo, coordenadora do coletivo de mulheres Rosa Luxemburgo e integrante da Secretaria de Organização do PCO. É militante anti-imperialista e anti-identitária. É estudante da USP e colunista do Diário Causa Operária.

Coluna

Se estivéssemos no comunismo, Natália estaria aqui

Impossível pensar na data de seu aniversário e não refletir sobre a própria condição humana

Natália Pimenta, dirigente do Partido da Causa Operária e, para mim, uma grande amiga que a luta por um partido operário e revolucionário me presenteou. Hoje, 28 de maio, ela completaria 41 anos. Com certeza estaríamos organizando sua festa. Natália dava valor aos aniversários não pelo narcisismo da data; os aniversários das outras pessoas também eram importantes para ela, que gostava dessas ocasiões por serem um motivo para reunir pessoas, comer comidas gostosas, conversar. Eram os encontros que ela tanto prezava.

Impossível pensar na data de seu aniversário, na doença, no tratamento, na luta para conseguir o remédio que poderia salvá-la e não refletir sobre a própria condição humana.

“Mas as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam, ao mesmo tempo, as condições materiais para a resolução desse antagonismo. Com esta formação social encerra-se, por isso, a pré-história da sociedade humana” – Karl Marx

Aqueles que realmente se debruçaram sobre as obras marxistas compreendem que o comunismo representa uma fase superior de organização econômica: uma sociedade sem os sanguessugas das riquezas do povo, onde toda a riqueza produzida pela humanidade esteja livre para servir ao próprio desenvolvimento humano.

Ou seja, ao contrário da miséria imposta a 99% da população mundial, um mundo de tecnologia, conhecimento e abundância; um mundo em que as necessidades humanas não sejam subordinadas ao lucro, que ainda nos mantém vivendo mais próximos da época dos homens das cavernas do que de uma sociedade verdadeiramente avançada.

Nesse tipo de sociedade, doenças que hoje mal compreendemos não serão mais sentenças de sofrimento e morte.

Natália faleceu em consequência de um câncer de mama. E eu não consigo deixar de pensar: e se as mulheres do mundo inteiro, em vez de serem ensinadas desde meninas a se tornarem especialistas em organização doméstica, maquiagem, dietas e caçadoras de maridos, pudessem dedicar integralmente sua inteligência ao desenvolvimento da ciência? E se milhares delas estivessem estudando exames mais avançados, o funcionamento completo do corpo feminino e tratamentos realmente eficazes para doenças que ainda matam tantas mulheres? Quantas poderiam continuar vivas?

“A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas” – Karl Marx

E se a vida das pessoas não tivesse um preço, mas sim valor, e toda a riqueza produzida pela humanidade, arrancada diariamente através da mais-valia, fosse destinada integralmente ao bem social? À saúde, à ciência? E se não existissem capitalistas lucrando com a doença humana, transformando cada tratamento em mercadoria e cada vida em um preço?

Natália dedicou toda a sua vida à luta pelo comunismo justamente porque compreendia isso como poucos compreendem. Não como algo abstrato, mas como uma necessidade da própria humanidade. Ela compreendia que o desenvolvimento criado pela sociedade moderna deveria servir às pessoas; que a ciência, a tecnologia, a riqueza e toda a capacidade produtiva construída coletivamente não deveriam existir para enriquecer parasitas, mas para garantir uma vida digna para todos.

E talvez seja justamente por isso que ela valorizasse tanto os encontros, os cafés da manhã antes das nossas reuniões, as sessões de filmes no final do dia, as conversas demoradas em volta de uma mesa, os aniversários. Porque, no fundo, tudo aquilo pelo que ela lutava era isso: a possibilidade de uma vida verdadeiramente humana. Uma vida digna em que as pessoas tenham tempo para estar juntas, comer bem, rir, celebrar e viver plenamente.

Natália dava valor às comemorações porque dava valor às pessoas. Dava valor à vida.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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