O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, participou neste sábado (19) do lançamento da campanha eleitoral do Partido em Mato Grosso do Sul. O ato, realizado na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, reuniu candidatos guarani-caiuá, dirigentes, militantes e apoiadores.
Em seu discurso, Rui apontou a luta pela terra como o principal problema enfrentado pelos índios no estado. Há trabalhadores sem terra para plantar, comunidades instaladas em áreas ainda não regularizadas e pequenos produtores que não recebem a infraestrutura necessária do Estado.
“Eu acho que nós temos que deixar absolutamente claro que o grande problema que nós temos aqui no Mato Grosso do Sul é o problema da terra. Para nós, esse problema é essencial, um problema de sobrevivência de uma larga população que vem há muitos anos lutando pela terra. Nós temos o problema daqueles companheiros que não têm terra para plantar. Nós temos o problema dos companheiros que têm a terra, mas essa terra não está legalizada. E nós temos o problema de toda a nação guarani-caiuá, que é a falta de infraestrutura e de ajuda estatal para que a pequena propriedade possa se desenvolver.”
A participação do PCO nas eleições, explicou o candidato, serve para apresentar um programa e convocar os trabalhadores à mobilização. A conquista da terra e a solução dos demais problemas fundamentais do País não virão simplesmente da eleição de um novo presidente.
“Esse problema, nós temos dito sistematicamente, assim como outros problemas muito importantes do País, não vai ser resolvido pelas eleições. Ele só pode ser resolvido através da luta e da organização dos companheiros que querem conquistar a terra. Nós participamos da eleição para fazer a discussão desse problema, para apontar os caminhos e as soluções. No Brasil de hoje, com a crise social, com a crise econômica e, podemos dizer, com uma crise histórica, não há meias soluções. Nós estamos assistindo ao circo eleitoral: as pessoas prometem de tudo, mas a maioria dessas coisas não vai mudar efetivamente a situação de um país que está andando para trás e de uma crise social que aumenta sem parar.”
Rui rejeitou a ideia de que os problemas nacionais possam ser resolvidos por medidas administrativas. No campo, estão de um lado os trabalhadores que precisam da terra e, do outro, os grandes proprietários que procuram ampliar seu monopólio.
“Seja quem for eleito agora para presidente, no dia 4 de outubro ou no segundo turno, não vai conseguir mudar essa situação. A única força capaz de mudar a situação é a mobilização popular. Então, nós comparecemos à eleição para fazer essa pregação: é preciso mobilizar o povo. Não é uma meia solução. A solução para o problema do Brasil tem que ser uma solução radical. O problema da terra é um problema que exige uma solução radical. Não se trata simplesmente de distribuir a terra. O que nós temos aqui é uma luta entre aqueles que querem a terra e os latifundiários, que procuram ampliar ainda mais o seu monopólio sobre ela. É uma luta de classes, não um problema de medidas administrativas.”
Ao tratar dos conflitos agrários em Mato Grosso do Sul, o candidato defendeu o direito dos índios à autodefesa. Os guarani-caiuá enfrentam pistoleiros contratados pelo latifúndio e operações policiais destinadas a expulsar famílias das áreas retomadas. Durante o ato, Rui disse ter recebido a notícia de que a polícia tentava desocupar uma retomada.
“Muita gente pergunta ao nosso Partido sobre o problema do armamento. As pessoas que perguntam não conhecem a situação que existe aqui no Mato Grosso do Sul, onde os companheiros são encurralados pelos pistoleiros armados do latifúndio. Quando não são os pistoleiros, é a polícia; quando não são a polícia ou os pistoleiros, são os dois juntos. Fui informado de que, neste momento mesmo, há uma tentativa da polícia de desocupar uma retomada, levando ao enfrentamento. Nesse sentido, uma das reivindicações fundamentais da nossa campanha é o armamento do povo.”
Para Rui, os índios devem ter o mesmo direito ao armamento desfrutado pelos latifundiários e seus pistoleiros. A atuação da polícia ao lado dos fazendeiros demonstra que os trabalhadores não podem depender dos órgãos de repressão do Estado para proteger suas famílias e suas terras.
“Nós queremos que os índios aqui no Mato Grosso do Sul tenham integral direito de se armar, assim como estão armados os latifundiários e os pistoleiros do latifúndio. É uma questão central. Sem isso, nós ficamos à mercê da polícia, e a polícia, vocês todos sabem e já viram inúmeras vezes, atua 100% das vezes a favor do latifúndio. O trabalhador da terra, assim como o trabalhador da cidade, não pode contar com outra força que não seja a sua própria força, a força do seu número, da sua união e da sua organização. Para que essa luta seja levada adiante, é preciso que o trabalhador tenha condições de se armar.”
O presidente nacional do PCO também denunciou a perseguição contra o Partido. Citou o indeferimento de candidaturas em cinco estados e a operação da Polícia Federal realizada no início da campanha eleitoral, quando sua casa foi invadida.
“Nós temos feito uma campanha eleitoral com muita dificuldade. O nosso Partido é o partido mais perseguido do País. Tivemos candidaturas impugnadas em cinco estados diferentes, por bobagens, por questões formais, quando não pela sabotagem da Justiça Eleitoral. Logo no começo da campanha, a polícia deflagrou uma operação contra o Partido, à qual foi dada uma grande divulgação na imprensa dos patrões. A Polícia Federal invadiu a minha casa sem nenhum motivo, simplesmente para criar um espetáculo e combater a campanha eleitoral do PCO. Isso significa que o nosso Partido já adquiriu uma influência política que precisa ser combatida pelos poderosos. Essa influência política tem a ver com as nossas propostas, com o nosso programa.”
Rui relacionou essa perseguição às posições que distinguem o PCO dos demais partidos: o armamento dos trabalhadores, a tomada da terra pela mobilização, o não pagamento da dívida pública, a reestatização das empresas entregues aos capitalistas e uma ampla reforma do Judiciário. Também mencionou a crise do Supremo Tribunal Federal e as relações milionárias entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Nós somos o único partido na eleição que fala abertamente que o trabalhador tem que se armar, que não se trata de medidas administrativas, mas que é preciso tomar a terra pela força da mobilização. Somos o único partido que fala que a dívida pública não tem que ser paga, que as empresas estatais têm que ser reestatizadas e que é preciso uma ampla reforma do Judiciário. O regime político está mergulhado em uma crise porque foi tornado público que o senhor Alexandre de Moraes, juiz do STF, tinha relações de milhões e milhões de reais com um banqueiro acusado de dar um golpe na praça. Muitos setores do regime procuram abafar esse escândalo. No entanto, o povo brasileiro, que passa dificuldade, está vendo o que fazem as instituições políticas do regime, instituições controladas pelos milionários e pelos grandes capitalistas.”
O programa defendido pelo PCO é o de um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, sem banqueiros, grandes industriais ou representantes do capital. Na Aldeia Jaguapiru, Rui reafirmou o compromisso do Partido com os índios e com todos os setores explorados.
“Nós temos que dizer em alto e bom som que não somos a favor das instituições políticas que estão aí. Nós lutamos por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, sem patrões, sem nenhuma relação com os banqueiros, os grandes industriais e os grandes capitalistas. Precisamos de um governo que seja efetivamente o governo do povo trabalhador. O companheiro falou aqui que o PCO é o Partido dos índios, e eu quero deixar claro que sim. O PCO é o Partido do operário, é o Partido do trabalhador do campo, é o Partido de todas as nações de índios brasileiros e é o Partido de todos os oprimidos que lutam para sair da situação de miséria em que o regime capitalista os colocou.”
“É uma satisfação muito grande estar aqui com vocês, nesta aldeia guarani-caiuá. Gostaria de estar aqui mais vezes e acompanhar de perto a luta de vocês. O nosso Partido não é um partido que se reúne na época de eleição e depois desaparece. O nosso Partido é o partido do dia a dia da luta do trabalhador brasileiro e dos trabalhadores de todos os países.”





