Análise Política da Semana

‘Defesa da democracia se transformou em defesa da corrupção’

Programa foi exibido excepcionalmente no Mato Grosso do Sul, onde candidato esteve em campanha

O presidente do PCO e candidato à Presidência, Rui Costa Pimenta, denunciou neste sábado (19) a campanha montada por setores da esquerda para proteger Alexandre de Moraes após a revelação dos contratos de cerca de R$200 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua mulher. Durante a Análise Política da Semana, da Causa Operária TV (COTV), Pimenta advertiu que a defesa do ministro desmoraliza a esquerda e impulsiona a direita nas eleições.

O programa foi transmitido de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Antes da análise, Rui Costa Pimenta participou de um ato na aldeia Jaguapiru, ao lado de candidatos do PCO, lideranças e centenas de índios. A atividade apoiou a demarcação das terras e as retomadas atacadas por jagunços e pelas forças repressivas do Estado.

Documentos apresentados pelo ministro André Mendonça expuseram contratos entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.

“Em uma situação de normalidade, o ministro Alexandre de Moraes já teria pedido a sua renúncia do STF, porque o escândalo é muito grande. Ele decidiu que não vai responder pelo que aconteceu. Considera que não deve satisfação ao povo brasileiro sobre esse gigantesco escândalo. Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, na reunião realizada no STF, em vez de tratar desse problema, decidiram atacar André Mendonça”, afirmou.

Os ministros acusaram Mendonça de divulgar apenas parte dos fatos porque não apresentou, na mesma ocasião, tudo o que envolvia outras pessoas. A manobra desviou a discussão dos R$200 milhões para a conduta de quem expôs os documentos.

“Vamos supor que ele não tenha mostrado outros fatos. De qualquer maneira, não dá para estabelecer uma equivalência entre as duas coisas. De um lado, você tem uma pessoa que foi pega em um gigantesco escândalo de corrupção. Eu vi pessoas do PT falando que não há crime. Tudo bem, isso deve ser provado por um tribunal. O fato é que o escândalo político é real. Em vez de dar explicações, decidiram acusar a pessoa que revelou o escândalo”, disse Pimenta.

Esquerda pequeno-burguesa tenta encobrir Moraes

Setores ligados ao PT e ao PSOL passaram a apresentar as denúncias contra Alexandre de Moraes como parte de um golpe. Investigar os negócios da família do ministro, nessa versão, favoreceria a direita.

“Agora, a defesa da democracia se transformou numa defesa da corrupção. À medida que o PT se apegue a defender Alexandre de Moraes, isso é um veneno para a campanha eleitoral do Partido. O próprio PT discutiu que deve se afastar de Alexandre de Moraes. Os petistas que insistem em defendê-lo prejudicam toda a campanha de Lula”, declarou o presidente do PCO.

O valor pago pelo Banco Master exige uma explicação. Trata-se de um dos maiores contratos de honorários advocatícios conhecidos no País.

“O caso Alexandre de Moraes não precisa de muita coisa para ser estabelecido. Ele já é público e evidente. Moraes fala que não mandou as mensagens. Nem precisaria das mensagens. O contrato em si já é altamente comprometedor. Por que Vorcaro fez um contrato que todos apontam como o contrato de honorários advocatícios mais caro da história do Brasil com a mulher de Moraes? Por que fez esse contrato caríssimo?”, questionou.

Pimenta também rejeitou a acusação de que o PCO denuncia o ministro por ressentimento. Moraes incluiu o Partido no inquérito das fake news e manteve suas redes sociais bloqueadas durante meses, mas a perseguição não se limita ao PCO. Ela atinge os direitos democráticos de toda a população.

“Se o País está ameaçado, não é defendendo o ministro de R$200 milhões que vamos defendê-lo. Isso, pelo contrário, é uma maneira de jogar o País no abismo. Se você está associado a esse tipo de coisa no STF, que manda e desmanda no País, quem vai levar você a sério? Ninguém. É absurdo”, afirmou.

O presidente do PCO usou a operação policial contra o Partido para mostrar como funcionam os vazamentos escolhidos pela Polícia Federal e pelo Judiciário.

“A investigação feita contra nós não tem base nenhuma. As pessoas invadiram a minha casa às 6 horas da manhã e, às 8 horas, o jornal Metrópoles já estava dando a notícia com dados. O que é isso? Vazamento. Esses processos correm em segredo de Justiça para dificultar a defesa e permitir o vazamento selecionado. Vaza aquilo que a turma que organiza o processo quer que vaze”, denunciou.

STF impôs culpa coletiva aos presos do 8 de janeiro

Pimenta também tratou da morte de mais uma vítima da perseguição aos presos políticos do 8 de janeiro. A mulher sofria de problemas cardíacos e usava uma tornozeleira eletrônica que dificultava seu tratamento.

Os manifestantes foram presos depois dos acontecimentos. Ninguém foi detido dentro dos prédios públicos em flagrante. Apesar disso, o STF responsabilizou coletivamente os acusados por tudo o que ocorreu naquele dia.

“O STF, agindo como uma verdadeira ditadura, condenou todo mundo por todas as coisas que aconteceram e até por coisas que não aconteceram, como a ideia de um levante armado. É um princípio fundamental do direito que a pena não pode passar da pessoa que realizou o crime. Você não pode ser culpado por associação”, explicou.

As prisões, os processos e as condenações não impediram golpe algum, pois vieram depois da manifestação.

“Todo o processo judicial é posterior aos acontecimentos apresentados como golpe de Estado. Não foi para impedir nenhum golpe. Foi para punir as pessoas de maneira exemplar e intimidar quem participava do movimento bolsonarista. As pessoas entraram nos prédios públicos, saíram e foram embora. Depois, Flávio Dino mandou prender pessoas que estavam acampadas na porta dos quartéis”, afirmou Pimenta.

A esquerda apoiou essa perseguição e ajudou a entregar poderes ditatoriais ao STF. Agora, os mesmos poderes servem para impedir que Alexandre de Moraes responda por sua ligação com o escândalo do Banco Master.

Censura será usada contra toda a esquerda

No início do programa, Rui Costa Pimenta destacou a rejeição, pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, de uma ação apresentada contra o PCO por uma publicação sobre Sônia Guajajara.

Já em Belo Horizonte, a Câmara Municipal aprovou uma lei que permite à Prefeitura cassar o alvará de estabelecimentos acusados de apoiar o “terrorismo”. A medida ameaça espaços que recebem atos e atividades de solidariedade à Palestina.

“Quem vai fazer apologia do terrorismo em um estabelecimento comercial? Na verdade, ‘apologia do terrorismo’ é uma maneira de dizer que os estabelecimentos não podem apoiar a Palestina. A Prefeitura estabeleceu uma censura geral sobre o comércio. À medida que a direita se impõe no Brasil, a censura se transforma numa arma contra toda a esquerda e, principalmente, contra as lutas verdadeiras dos trabalhadores”, declarou.

Uma adolescente também foi perseguida após criticar o Diário de Anne Frank em um evento literário. A jovem disse que não gostou do livro e que o considerava marcado pelo vitimismo, o que bastou para desencadear uma campanha sionista.

“O sionismo promove uma caçada permanente e sistemática contra qualquer tipo de opinião. A pessoa lê o livro e acha o livro ruim. Não, ela não pode. Tem de achar que é bom, que é uma obra-prima, que é uma maravilha”, afirmou.

No Rio de Janeiro, um homem que se identifica como militante da Unidade Popular (UP) abriu um processo contra o militante do PCO Vitor Lara, a quem acusa, entre outras coisas, de antissemitismo.

“Quando uma pessoa abre um processo por antissemitismo, você já sabe que ela é sionista. Até o momento, não vimos nenhum pronunciamento da UP. O pessoal fala que defende a Palestina e depois processa outro militante de esquerda por antissemitismo. É sionismo ou não é? É totalmente”, disse.

Medidas eleitoreiras revelam desespero do PT

Pesquisas divulgadas durante a semana apontaram empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto uma grande parcela do eleitorado permanece indecisa. A queda do candidato petista foi acompanhada pelo reajuste tardio do Bolsa Família e pela promessa de distribuir medicamentos para emagrecimento.

O governo deixou o benefício sem reajuste durante quatro anos e enviou ao Congresso o Orçamento de 2027 sem prever aumento. A correção veio apenas depois da queda de Lula nas pesquisas.

“Logicamente, não dá para ser contra o reajuste. Mas não há dúvida de que ele está sendo feito da maneira mais oportunista possível. A mesma coisa vale para o remédio de emagrecimento. Isso revela que a campanha entrou no módulo de desespero total. Não sei o que mais vão fazer para tentar elevar a votação do PT”, afirmou.

O governo também autorizou uma ofensiva contra as pessoas que compram no Paraguai versões mais baratas dos medicamentos. Enquanto o produto vendido oficialmente no Brasil custa cerca de R$2.000 por mês, no país vizinho era encontrado por uma pequena parte desse valor.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Polícia Federal passaram a perseguir os compradores e ameaçaram enquadrá-los por tráfico de drogas. Durante a campanha, Lula anunciou que distribuiria gratuitamente o Ozempic.

Pimenta criticou ainda a proposta de proibir as apostas eletrônicas. Os problemas causados pelas apostas devem ser enfrentados por meio de regulamentação, sem retirar de toda a população o direito de apostar.

“Tudo tem um lado negativo. Se você tem um cassino, sempre vai ter um maluco que vai perder todo o dinheiro, vai apostar até a casa. Agora, isso não é motivo para proibir nada. O governo poderia regulamentar. Ninguém quer falar porque as empresas de apostas são antipáticas e porque a campanha moralista tende a calar as pessoas”, disse.

PCO rejeita chantagem pelo voto útil

Diante das dificuldades de Lula, militantes petistas passaram a responsabilizar antecipadamente os eleitores do PCO, da UP, do PSTU e de outros partidos por uma possível vitória de Flávio Bolsonaro.

“Para nós, o voto útil não existe como política. Se o voto útil fosse uma política, você não precisaria ter seu partido, já deveria estar no partido do outro. Um partido sério só chama a votar em outro partido se tiver uma razão política. Nós chamamos a votar em Lula na última eleição não porque era voto útil, mas porque analisamos a situação e concluímos que o correto era votar nele. Agora, votar em Lula porque haveria uma obrigação contra Flávio Bolsonaro? De jeito nenhum”, afirmou.

A responsabilidade por uma possível derrota pertence ao PT. O governo manteve os juros em 15%, aceitou a política dos bancos, apoiou as arbitrariedades de Moraes e se associou ao STF.

“Se o PT perder a eleição, a culpa é única e exclusivamente do PT. Não temos nada a ver com as coisas completamente malucas que fizeram. Em particular, com o principal problema que enfrentam na campanha, que é Alexandre de Moraes. Um partido de esquerda minimamente sério não pode se envolver com pessoas mafiosas que estão no poder”, declarou Pimenta.

Uma vitória eleitoral também não deteria o crescimento da direita.

“Se Flávio Bolsonaro está em condições de ganhar a eleição, isso significa que a relação de forças no País é favorável à direita. Ganhando ou não a eleição presidencial, a direita vai crescer e vem crescendo. A política da direita só pode ser combatida através de uma mobilização. A eleição não vai parar isso”, explicou.

Governo negou remédio à filha de Pimenta

No fim do programa, Rui Costa Pimenta relatou a luta para obter um medicamento para sua filha. Mesmo depois de uma decisão judicial favorável, o Ministério da Saúde não entregou o remédio a tempo. A filha de Pimenta morreu durante a demora.

“Entramos na Justiça para conseguir um remédio que não era propriamente experimental para minha filha. Mostramos que havia sido aprovado nos Estados Unidos e conseguimos, a duras penas, que a Justiça concedesse o remédio. Fomos parar no Ministério da Saúde e, particularmente, o ministro Padilha não mexeu um dedo para fazer o negócio acontecer. Ficamos nessa saga por cerca de 90 dias. Minha filha morreu”, relatou.

O dirigente comparou o caso com a rápida liberação de um remédio experimental para um paciente que ganhou grande repercussão pública. Pimenta defendeu o direito ao tratamento, mas denunciou o uso propagandístico do episódio enquanto milhares de pessoas continuam sem acesso a medicamentos caros.

“O remédio desse paciente foi expedido em prazo recorde porque é uma pessoa popular e dá para fazer demagogia. O PT é um partido muito mais de conversa mole e demagogia do que de ação. Há muita gente que precisa desses remédios caros, experimentais ou de outra natureza. O Judiciário cria uma barreira porque os planos de saúde não querem pagar e o governo também não quer gastar. Chega a hora de economizar R$1 milhão ou R$2 milhões, que para o governo não é nada, e as pessoas morrem”, denunciou.

A transmissão terminou com a convocação para o ato nacional do PCO no domingo (27), às 11 horas, na Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato reunirá candidatos, militantes, trabalhadores, estudantes, sem-terra e delegações de índios de várias regiões. Entre as reivindicações estão o salário mínimo de R$8 mil, a nacionalização do petróleo, o fim do STF e a eleição direta dos juízes.

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