O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Vice-Presidência da República, Antônio Carlos Silva, participou neste sábado (19) do lançamento das candidaturas do Partido em Mato Grosso do Sul. O ato, realizado na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, reuniu candidatos, militantes e dirigentes ligados à luta dos guarani-caiuá e de outras nações de índios do estado.
No início de sua intervenção, Antônio Carlos manifestou solidariedade a uma comunidade ameaçada por uma operação policial e anunciou a produção de materiais para denunciar a ação.
“Nós vamos tirar cartaz, vamos tirar panfleto para denunciar em todos os lugares essa ação criminosa da polícia e do governo. Nós somos irrestritamente solidários, porque somos o único Partido que tem no programa a defesa das retomadas e a defesa da demarcação de todas as terras dos índios. Nenhum outro partido tem no seu programa essa posição.”
Os candidatos do PCO ao governo estadual e ao Senado, acrescentou, defendem abertamente a autodemarcação. Os índios não podem permanecer à espera das instituições controladas pelos latifundiários enquanto suas terras continuam ocupadas pelos grandes proprietários.
“Nossos companheiros, nosso candidato a governador e nosso candidato ao Senado foram à televisão, foram às rádios e estão falando claramente da necessidade da autodemarcação. A gente não vai ficar esperando esses eleitoralistas, que são os turistas da burguesia. Agora eles aparecem pagando cachaça, fazendo promessa, dando um dinheirinho e, depois, dão um pé na bunda da população pobre, da população trabalhadora e dos índios.”
Josiel Machado, candidato do PCO a deputado estadual, recebeu o apoio da Aty Guasu, organização das comunidades guarani-caiuá de Mato Grosso do Sul.
“Eu queria destacar uma coisa importante: o companheiro Josiel teve sua candidatura aprovada e apoiada pela Aty Guasu. Eles aprovaram o nome dele como nosso candidato, como candidato do povo guarani a deputado estadual. Então nós vamos cerrar fileiras em torno dessa campanha.”
A campanha do Partido no estado é feita coletivamente. Os candidatos distribuem os materiais uns dos outros e trabalham pelo voto na legenda, sem a concorrência interna comum aos partidos burgueses.
“Como vocês estão vendo, a nossa campanha não é de um candidato contra o outro. Se vocês pegarem os nossos panfletos, verão que os materiais são combinados. Nos outros partidos, é um candidato metendo a faca nas costas do outro. Aqui não tem isso. O Ramão distribui panfleto do Josiel, distribui panfleto do Jorge e faz a campanha junto, porque nós estamos trabalhando juntos. Se a pessoa votar no 29, nós já estamos felizes. Seja no Josiel, seja no Jorge, seja no Luiz, seja no Ramão, nós não vamos ficar brigando.”
O trabalho, explicou Antônio Carlos, não pode depender de um candidato ou dirigente. O objetivo é organizar uma força que permaneça em atividade depois das eleições e consiga resistir às perseguições.
“Nós estamos fazendo um trabalho coletivo porque não acreditamos em salvador da pátria. Não vai ser uma pessoa, um indivíduo. O indivíduo passa. Eu estou aqui hoje, amanhã posso não estar mais. Josiel está aqui, amanhã pode não estar mais. O importante é continuar a nossa luta. Houve um momento em que a polícia colocou o companheiro Magno indevidamente na cadeia. Nós defendemos o companheiro porque sabíamos que era uma perseguição e seguimos na luta. Por isso, hoje nós temos um trabalho mais amplo do que tínhamos no passado. Independentemente de quem estiver aqui, a nossa luta vai prosseguir.”
A organização entre os índios também aproximou do Partido professores, jovens e operários. Um dos militantes envolvidos nesse trabalho, Marcelo, foi eleito para a presidência da entidade dos professores da Universidade Estadual.
“O companheiro Marcelo, que está aqui apresentando o ato com a gente, foi eleito presidente do sindicato dos professores da Universidade Estadual graças a esse trabalho feito junto com os índios. É uma demonstração de que o nosso trabalho está se fortalecendo. Quando começamos, só tínhamos um candidato e alguns companheiros correndo para cima e para baixo, fazendo campanha e divulgando o nome do Partido.”
Os primeiros militantes percorreram as comunidades com poucos recursos. Em tom de brincadeira, Antônio Carlos comparou o automóvel usado por Marcelo ao carro dos personagens do desenho Os Flintstones. Renato, outro militante citado no discurso, encontrava-se na Bahia participando do trabalho entre os pataxós.
“O companheiro Marcelo saía naquele carro que todo mundo conhece, aquele Kadett famoso, aquele carro de luxo que parece o carro dos Flintstones. Vocês já viram aquele desenho em que o pessoal anda com o pé no chão? Então, esse é o carro do companheiro Marcelo. Ele e o companheiro Renato, que hoje está trabalhando na Bahia entre os pataxós, saíram por aí fazendo campanha e divulgando o nome do Partido.”
“Hoje o Partido está presente em várias comunidades. Nós temos companheiros guarani-caiuá, terena e cadiué. Também estamos aproximando professores, setores da juventude, companheiros operários e novos militantes. O nosso Partido está crescendo e vai crescer muito. Isso acontece pelo trabalho dos companheiros que estão aqui e que levam adiante essa luta todos os dias.”




