Causa Operária TV

Rui Pimenta comenta operação da Anvisa e da PF contra saúde dos brasileiros

Presidente do PCO criticou duramente a proibição de canetas emagrecedoras a preço acessível no Brasil

Em transmissão da Análise Política da Semana, da Causa Operária TV (COTV), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, classificou como “escabrosa” e “monstruosa” a recente ofensiva da Anvisa e das forças policiais contra a importação de medicamentos emagrecedores, adquiridos no Paraguai.

Pimenta iniciou sua crítica expondo a disparidade de preços que empurra brasileiros para a fronteira. Enquanto no Brasil o tratamento com o Mounjaro — fabricado pelo laboratório Eli Lilly — custa cerca de R$2.000 por mês, no Paraguai é possível encontrar o mesmo princípio ativo, produzido por laboratórios normais e aprovados pela vigilância sanitária local, por um décimo do valor.

“No Brasil, só tem um laboratório que produz esse remédio, o laboratório Lilly. Diante desse preço escorchante, criminoso, um preço de monopólio, as pessoas começaram a visitar o Paraguai e comprar o mesmo remédio por uma fração mínima do preço. O cidadão ia lá e, pelo preço que pagava aqui por um mês, comprava o remédio para quase o ano inteiro.”

Segundo o dirigente, a obesidade e o diabetes não são questões estéticas, mas doenças graves que exigem tratamento contínuo. Ao proibir alternativas baratas, a Anvisa estaria condenando milhares de pessoas ao agravamento de suas condições de saúde.

“A Anvisa proibiu todos esses remédios. O único que ela considera legal no Brasil é o Mounjaro. Ou seja, ela deu a um único laboratório o monopólio e esse laboratório cobra o ‘olho da cara’. (…) A proibição é totalmente sem sentido. Se você coloca o remédio a quase R$ 2.000 por mês, quem é que pode comprar? A maioria das pessoas que sofrem com essas doenças não pode, ou vai ter que fazer das tripas coração para conseguir.”

O ponto de maior indignação no discurso de Pimenta é a mobilização de uma gigantesca operação policial para interceptar ônibus vindos de Foz do Iguaçu e prender cidadãos portando medicamentos. Ele questionou qual o sentido de punir com até 5 anos de prisão quem busca tratamento para uma doença crônica.

“Eles montaram uma gigantesca operação policial para prender qualquer pessoa que comprasse o remédio no Paraguai. Os ônibus eram parados, as pessoas revistadas e presas. Estão anunciando que a pessoa pode pegar 5 anos de cadeia. Isso faz sentido para alguém? Para ‘proteger’ a pessoa de um remédio sem eficácia, você põe ela na cadeia? Parece que o cidadão está indo no Paraguai comprar heroína. Quem eles estão protegendo? Não é a pessoa, é o lucro do laboratório.”

Pimenta alertou que essa postura autoritária e pró-monopólio está abrindo caminho para a extrema direita, que já se mobiliza para capitalizar politicamente sobre a indignação popular. Ele ironizou a situação, afirmando que o desgaste do governo é merecido .

“A extrema-direita está fazendo uma mobilização gigantesca com esse pessoal, pensando em entrar com ação pública. E o que a gente pode dizer? Bem feito. O governo merece esse resultado. (…) A proibição e a operação policial servem apenas para preservar a extorsão que esse laboratório pratica contra a população brasileira.”

Para encerrar o debate, Rui Pimenta defendeu que medicamentos de tamanha importância social devem ter patente livre. Ele criticou a Anvisa por também ter barrado a quebra da patente da Semaglutida (Ozempic), reforçando que o Estado deveria intervir para garantir o acesso universal, e não para blindar o mercado de empresas privadas.

“Um remédio como esse tem que ser de patente livre. É uma questão de saúde pública muito grande. O aparato de Estado está colocado totalmente a serviço de um monopólio. É uma coisa monstruosa.”

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