Rui na TV 247

Rui Costa Pimenta: ‘terceira via é o sistema’

Em entrevista à TV 247, o presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência analisou a situação no Oriente Médio, a América Latina e a eleição presidencial de 2026

Na entrevista semanal que concede à TV 247, sempre às sextas-feiras, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência, analisou a situação política nacional e internacional. O programa, apresentado por Leonardo Attuch, tratou da guerra no Oriente Próximo, das eleições na América Latina, da disputa em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro, da situação do governo Lula e da tentativa da burguesia de viabilizar uma terceira via em 2026.

Ao comentar a situação entre Estados Unidos e Irã, Pimenta afirmou que Donald Trump tenta encontrar uma saída para a derrota política e militar sofrida diante da República Islâmica. Para ele, a operação norte-americana terminou em fracasso e o governo dos Estados Unidos busca administrar a pressão interna e a pressão do sionismo.

“Não ocorreu uma mudança substancial. O Trump está procurando uma maneira de encerrar a fatura. A operação foi um desastre, isso é uma unanimidade internacional. Ele está procurando uma saída da entalada em que se meteu. Acho que ele está indo por aproximações sucessivas. Ele negociou, depois as negociações foram rompidas, depois ele assinou memorando, aí ‘Israel’ ataca o Líbano, o Irã pressiona. Acho que isso é mais um jogo de esconde-esconde do que qualquer outra coisa, uma tentativa do Trump de controlar a pressão que sofre internamente, dar satisfação para o eleitorado dele nos Estados Unidos.”

Segundo Pimenta, a influência do sionismo dentro do governo norte-americano segue sendo um fator decisivo. Ele citou setores como o de Marco Rubio, a quem classificou como representante dos falcões do Partido Republicano.

Sobre a América Latina, Pimenta avaliou que os resultados eleitorais recentes na Colômbia e no Peru apontam uma tendência negativa. Para ele, a vitória da direita nesses países faz parte de uma tentativa do imperialismo de recompor seu domínio sobre a região, também em função da disputa com a China.

“Eles estão procurando arrumar a casa aqui. Esses governos neoliberais são todos profundamente entreguistas. Então o imperialismo está olhando para a América Latina como um terreno que deveria ser controlado por ele. E tem a ver com a China. Acho que não é só a China, mas tem a ver com a China.”

Pimenta afirmou que o caso peruano é mais preocupante. Segundo ele, Keiko Fujimori representa uma estrutura de direita mais consolidada no país.

“O Peru é pior. Esse candidato da Colômbia é um candidato improvisado, que pegaram de última hora. No Peru, a Keiko Fujimori não. Ela faz parte de um sistema político já implantado no país. O partido dela é grande, é forte. Está mais problemático o Peru, na minha opinião.”

Ao tratar da disputa interna no bolsonarismo, Pimenta comentou a intervenção pública de Michelle Bolsonaro contra o núcleo político ligado a Flávio Bolsonaro. Para ele, a iniciativa teve repercussão negativa entre os próprios bolsonaristas e não deve, por si só, alterar de maneira decisiva a candidatura do senador.

“Eu fiquei um pouco surpreso, porque acho que a atitude da Michelle Bolsonaro é uma atitude meio suicida. Ela está se chocando contra o núcleo bolsonarista, de fato, os dois irmãos e o pessoal que é próximo do Bolsonaro. Ela falou na transmissão que está agindo em comum acordo com Jair Bolsonaro. Parece um gesto que, se não tiver por detrás uma articulação para derrubar de vez a candidatura do Flávio Bolsonaro, o que eu acho muito difícil, é uma coisa meio suicida.”

Pimenta afirmou que o público bolsonarista tende a ser menos afetado por esse tipo de denúncia do que a esquerda.

“O bolsonarismo é mais impermeável a esse tipo de retórica. A mulher foi maltratada, o pessoal olha com maus olhos, mas o impacto político é menor. O pessoal olha e fala: ‘o candidato é o Flávio Bolsonaro’. O que vamos fazer agora? Já está posto.”

Para o presidente nacional do PCO, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro são alvo de uma ofensiva da imprensa burguesa. No caso de Lula, ele citou as denúncias envolvendo a Bahia e o caso Daniel Vorcaro; no caso de Flávio, a crise com Michelle Bolsonaro e as investigações sobre o Banco Master.

“As duas candidaturas estão recebendo bastante fogo. O Lula está às voltas com o negócio que o pessoal chamou de República do Acarajé, e o Flávio Bolsonaro está às voltas com o negócio do Vorcaro e esse negócio agora da Michelle. Tenho a impressão de que há um esforço da burguesia de debilitar ambas as candidaturas. O que vejo de repercussão das coisas na imprensa burguesa é que eles repercutem tudo isso. Não acho que eles estão facilitando para nenhum dos dois candidatos.”

Pimenta também comentou o caso Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Para ele, a ida do processo para André Mendonça favorece os bolsonaristas. “Não acho que a vontade dele é prejudicar os Bolsonaro. Digamos assim que o inquérito caiu em mãos amigas”, disse.

Sobre a eleição presidencial, Pimenta afirmou que a burguesia ainda tenta abrir espaço para uma terceira via, mas não encontrou um candidato viável. Segundo ele, os nomes apresentados até agora não têm força eleitoral sem o apoio do bolsonarismo.

“Não tem, até agora não consegui achar. Os três candidatos que seriam da terceira via, na invenção, não têm chance sem apoio do Bolsonaro. O meu problema na política nacional é que a pior coisa que tem no Brasil é a chamada terceira via. A terceira via é o sistema. É o imperialismo. São os grandes monopólios tipo Rede Globo. Esse é o inimigo principal, e um problema que a gente tem é que muita gente não vê isso.”

Ao falar do governo Lula, Pimenta afirmou que entregas locais podem ter algum efeito, mas não resolvem o problema político da campanha. Para ele, a eleição será marcada pela polarização, e a política defendida por setores da esquerda em favor da censura e de prisões prejudica o governo.

“Parcialmente, isso sem dúvida, principalmente em termos locais. Agora, não acho que isso seja decisivo na eleição. A eleição é muito polarizada, é uma eleição por um lado de ideias e, desse ponto de vista, a política do PT é muito ruim. Apoia-se em coisas que são muito negativas, na minha opinião.”

Pimenta também criticou a abordagem inicial do governo em relação aos trabalhadores de aplicativos. Segundo ele, a defesa abstrata da regulamentação não convence o trabalhador quando os direitos sociais estão sucateados.

“Essa ideia de que ter carteira assinada, direitos, aposentadoria, é uma grande coisa, é uma ideia do passado. Porque os direitos e a aposentadoria caíram numa situação de total sucateamento. Então, quando você propõe regulamentar uma carreira, o cidadão pensa: ‘vou ter que pagar imposto e não vou receber nada em troca’. Se ele fosse receber alguma coisa importante em troca, aceitaria. Mas, para a maioria dos trabalhadores, não está parecendo que vale a pena.”

Na parte final da entrevista, Pimenta criticou o sistema eleitoral brasileiro. Para ele, as eleições são dominadas pelo dinheiro e por regras que favorecem os grandes partidos e a direita.

“A eleição é muito antidemocrática. Você não pode fazer propaganda, então a propaganda ficou controlada durante um período pela televisão. Agora tem as redes sociais, que abriram uma porta mais democrática, mas as leis são draconianas contra tudo. Depois, a eleição é um jogo multimilionário. O PL tem R$800 milhões só do fundo eleitoral. O PT, que está em segundo lugar, tem R$650 milhões. Isso é quase um empreendimento capitalista. Você precisa investir muito para conseguir eleger.”

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