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Ric Jones fala ao DCO sobre perseguição do lobby da cesariana

Preso por mais de um ano após julgamento farsa, Jones é pioneiro na defesa do parto humanizado no Brasil

PORTO ALEGRE — Leo Leon, do Diário Causa Operária

“O parto normal está em vias de extinção. Se nós não fizermos nada, se nós não produzirmos uma revolução no atendimento, o parto vai deixar de existir”. É isso que defende o médico Ricardo Jones, obstetra, ginecologista e homeopata com mais de três décadas de atuação e pioneiro no Brasil na defesa do parto humanizado. Em entrevista ao Diário Causa Operária, ele afirmou que a taxa de cesarianas no País, que era de 5% em meados do século passado, hoje passa de 60% e chega a 90% entre as classes média e alta.

Para Jones, essa situação é resultado da submissão da medicina aos interesses econômicos dos hospitais, da corporação médica e da indústria farmacêutica. Segundo o médico, o parto deve ser compreendido como um acontecimento humano, não como um procedimento médico de rotina. Ele defende que a mulher deve conduzir o parto e que qualquer intervenção precisa estar submetida à medicina baseada em evidências.

“Parto não é uma coisa que acontece com a mulher, parto é uma coisa que a mulher faz”, afirmou.

O obstetra rejeitou a expressão “cesariana humanizada”. Para ele, a cesariana é uma cirurgia e deve ser realizada apenas quando o trabalho de parto deixa de seguir seu curso fisiológico e passa a apresentar risco real para a mãe ou para o bebê.

Jones afirmou que a expansão das cesarianas atende diretamente aos interesses econômicos da medicina privada. “Uma cesariana mobiliza muito mais recursos do que um parto normal”, explicou, citando a presença de cirurgião, auxiliar, anestesista, pediatra, equipe de enfermagem, UTI neonatal, internação e diárias hospitalares.

Segundo ele, o custo dessa intervenção é pago por mães e bebês. As mulheres ficam expostas a riscos hemorrágicos, infecciosos e anestésicos. No caso das crianças, a retirada cirúrgica impede a passagem pelo canal de parto e a colonização microbacteriana materna, processo importante para o desenvolvimento do bebê, inclusive do ponto de vista neurológico.

O médico também denunciou a perseguição que sofre por parte da corporação médica e do sistema de Justiça brasileiro. Jones teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina em 2016 e foi condenado em um julgamento posteriormente anulado por impedimento dos peritos. Ele chegou a passar um ano e um mês preso por causa de um caso de óbito neonatal ocorrido em 2010.

Segundo Jones, no caso em questão, o bebê foi transferido para o hospital ao primeiro sinal de alteração e faleceu após uma sequência de erros documentados da equipe de neonatologia. Ainda assim, o obstetra foi julgado, de forma inédita em um caso obstétrico, por dolo eventual, como se tivesse intenção de assassinar o bebê.

O médico comparou sua situação ao caso da obstetra húngara Ágnes Geréb. Na Hungria, afirmou, a corporação médica, sem conseguir proibir legalmente o parto domiciliar, passou a perseguir judicialmente os profissionais que respeitavam a decisão das pacientes. O resultado foi impedir as mulheres de exercer esse direito.

Para Jones, o mesmo processo ocorre no Brasil. A perseguição contra ele procura intimidar médicos e impedir que as mulheres escolham o tipo de parto, o local em que desejam parir e os procedimentos aos quais querem ou não ser submetidas.

O obstetra situou sua trajetória na submissão geral da medicina ao capitalismo. Segundo ele, praticamente todas as especialidades médicas são controladas por grandes lobbys, de fabricantes de marca-passos a próteses ortopédicas, lentes oftalmológicas, antibióticos e psicotrópicos.

Durante o período em que ficou preso, Jones afirmou ter observado de perto o papel da indústria dos medicamentos. No Hospital de Custódia, segundo ele, havia consumo mensal de 30 mil comprimidos de benzodiazepínicos para 2.500 detentos.

Para o médico, sua condenação não atinge apenas sua atuação profissional. Ela atinge o direito das mulheres brasileiras de decidir sobre sua gravidez e seu parto. Na prática, abre caminho para que a corporação médica imponha sozinha o tipo de parto, o local e os procedimentos sobre o corpo da mulher.

Leia, abaixo, a entrevista na íntegra:

Quem é você? Quem é Ricardo Jones? Meu nome é Ricardo Jones, sou médico, trabalhei durante mais de 30 anos como obstetra, ginecologista e homeopata. Eu tenho três especialidades em medicina, e trabalhei desde o início, em meados dos anos 80, como um incentivador daquilo que hoje é conhecido como humanização do nascimento.

A humanização do nascimento pode ser entendida basicamente como uma forma de atendimento do parto humano baseada na ideia de que a mulher é o elemento central do processo. E, portanto, todos os esforços devem ser direcionados ao seu bem-estar, à sua segurança e a uma vivência plena do processo.

A humanização do nascimento é, portanto, um movimento humanístico, que se contrapõe à tecnocracia, que é um modelo, um entendimento do parto humano em que os aspectos técnicos, tecnológicos, institucionais e corporativos são levados em consideração acima das necessidades básicas e fundamentais de mães e bebês. Esse movimento de humanização do nascimento se baseia nessa contraposição a uma lógica da atenção ao nascimento humano que não coloca como elemento primordial o bem-estar de mães e bebês.

Nos anos 80, eu comecei a trabalhar com isso, mas evidentemente que essa mudança de lógica atrapalha, incomoda e irrita aquelas pessoas que detêm o poder dentro da obstetrícia. E, portanto, desde sempre, desde que eu saí da residência médica, quando eu comecei a trabalhar com esses pressupostos, eu fui atacado e fui tratado com desprezo, desdém e depois com ataques mais severos e perseguições à minha pessoa.

Como é feito o parto humanizado? O parto humanizado não é feito “de maneira”. Parto humanizado não é um protocolo. Não é um grupo de rotinas. Parto humanizado não tem uma estética específica. O parto humanizado é todo aquele parto que garante o protagonismo à mulher. Parto humanizado é olhar para a mulher como ser adulto, como uma pessoa que tem condições de fazer escolhas a respeito do seu próprio destino reprodutivo. Parto humanizado é o parto que a mulher escolhe, o parto que a mulher quer, levando-se em consideração os elementos que a ciência nos oferece, que são capazes de lhe oferecer a segurança.

Se você quiser entender de uma forma bem sintética o que é parto humanizado, ele se baseia em três pressupostos básicos:

Primeiro, e o mais importante de todos, é a garantia do protagonismo da mulher. Portanto, a mulher sai da condição de objeto e passa a ser entendida como sujeito do processo. Ou seja, parto não é uma coisa que acontece com a mulher, parto é uma coisa que a mulher faz. O parto é uma coisa que a mulher constrói e ela mesma realiza. Todos os outros profissionais estão ali para ajudar a mulher durante esse processo e não para fazer o processo por ela.

O segundo elemento é que o parto não é um evento médico, o parto é um evento humano. O parto pode se tornar médico quando ele sai da sua rota de fisiologia e entra numa rota de patologia, quando alguma coisa está dando errado. E aí a medicina vai ser chamada para fazer o que for necessário, para instrumentalizar o parto, para fazer uma cesárea, o que for, mas apenas quando o processo natural e fisiológico do parto foge da sua rota natural e entra dentro de uma rota perigosa e patológica. E aí a tecnologia é utilizada para fazer com que ele seja mais seguro tanto para mães quanto para bebês.

E o terceiro elemento fundamental é que todas as ações realizadas sobre o parto precisam estar respaldadas pela medicina baseada em evidências, ou pela saúde baseada em evidências. Ou seja, o parto, durante muitos anos, foi utilizado como um processo em que não existia evidência científica que sustentasse as coisas. Por exemplo, se você tentar se lembrar de como é um parto que você vê na televisão, qualquer coisa assim, você vai ver uma mulher com uma roupa de hospital, deitada de costas numa cama de hospital, com as pernas levantadas, o médico cheio de roupas, gritando para ela, as enfermeiras segurando o braço dela, segurando as pernas dela e mandando ela fazer força. Isso é o que o imaginário traz frequentemente sobre o parto.

Entretanto, nenhuma dessas ações que eu acabei de descrever — tirar sua própria roupa, os médicos com roupa esterilizada, uma mulher deitada, uma mulher com as pernas elevadas e fazendo força comprida — tem qualquer respaldo científico. São ações culturalmente determinadas, sem qualquer benefício para a mãe e sem qualquer benefício para o bebê. Então, a avaliação adequada daquilo que se faz dentro dos centros obstétricos, daquilo que é melhor para as mães, daquilo que é mais adequado para o bom andamento de um parto precisa estar dentro do escopo do entendimento da medicina baseada em evidências, e, portanto, só se ela passar por esse entendimento científico atualizado, ela pode ser entendida como um parto humanizado.

Portanto, três elementos: o protagonismo garantido da mulher, isto é, a mulher é quem faz isso. Em segundo lugar, isso não é um evento médico. Atender um bebê para nascer não é uma coisa como tirar um tumor do fígado, não é uma coisa como fazer uma cirurgia de vesícula, não é uma coisa como fazer uma neurocirurgia ou colocar um pino num osso quebrado. Não é um procedimento essencialmente médico.

Tanto é verdade que durante toda a história da humanidade os médicos atendem parto em não mais do que 0,0001% do tempo em que nós existimos na face da Terra. Portanto, isso não é um evento médico, isso é um evento humano que deve ser atendido, realizado pelas mulheres e atendido pelas pessoas mais capacitadas. E normalmente os médicos são as pessoas menos capacitadas entre os profissionais da saúde para atender partos normais. E, portanto, não é um evento médico, é um evento humano em que vários setores de conhecimento humano participam: psicólogos, psicanalistas, sociólogos, antropólogos, médicos, enfermeiras, doulas, assistentes sociais — todas essas pessoas têm algo a dizer sobre o parto humano, porque ele não é um evento que pertence a uma corporação. E em terceiro lugar é a medicina baseada em evidências, isto é, você não pode impor nada à saúde da mulher que não tenha um respaldo científico. Isso é o que faz um parto se tornar um parto humanizado.

O local onde ele vai ser realizado, isso não tem nada a ver com o parto humanizado. O parto humanizado pode ser feito em casa, no centro de atenção ao parto ou no hospital. O parto pode ser desumanizado no hospital, pode ser violento, desumanizado e tecnocrático em casa, no hospital ou numa casa de parto. Portanto, não é o local. O parto pode ser feito na água e ser desumanizado. Pode ser feito no hospital e ser desumanizado. Não importa. O que vai importar realmente é a ideologia que está impregnada em todas as pessoas envolvidas no parto. A paciente e os cuidadores: os médicos, as enfermeiras, as doulas etc., que estão envolvidos no atendimento. Então, é uma coisa do método.

Eu posso, dependendo do caso, ter uma cesariana e ela não ser parto humanizado. Não, cesariana não é parto humanizado. Cesariana é uma cirurgia. Como eu te disse, humanização do nascimento parte de um elemento fundamental: protagonismo da mulher. Na cesariana, a mulher não é protagonista, o protagonista é o médico. Ele que está fazendo. Por isso eu não aceito se dizer que exista cesariana humanizada. Existe cesariana respeitosa, existe cesariana com indicação médica, existe cesariana digna, existe cesariana bem indicada, existe cesariana bem feita, bem acompanhada, mas isso não tem nada a ver com parto humanizado. Isso é cirurgia. Isso é um ato médico. Enfermeira não faz cesariana, doula não faz cesariana, antropólogo não faz cesariana, só médico faz. Cesariana é ato médico. Ponto.

Parto é outra coisa. Parto humanizado pressupõe o protagonismo da mulher, então isso é uma coisa que a mulher pode fazer. Uma cesariana é quando a gente abandona a possibilidade da fisiologia e não dá mais, é impossível, não tem condições. Existe um risco muito grande na continuidade desse parto. Portanto, a gente vai apelar para uma cesariana. Então, não existe cesariana humanizada. Esse é um conceito muito importante. Aliás, é um conceito que tem uma certa controvérsia. Eu sou muito radical em relação a isso. Tem colegas meus que dizem assim: “não, a minha cesariana foi muito humanizada”. Eu não concordo com esse termo. Eu acho que é um termo que só produz confusão. Cesariana é cirurgia, sem problema. E não teria problema em indicar cirurgias como cesariana. Cesarianas são muito necessárias na sociedade contemporânea. Mas isso não cabe dentro do conceito de parto humanizado.

Existe alguma força empresarial, um lobby, que se oponha ao parto humanizado? Como isso funciona e por que poderia haver essa oposição? Certamente existe. Basta você ver que hoje em dia no Brasil entre 60 e 65% dos partos são cesarianas. Quando eu nasci, a taxa de cesariana não era de 5%; hoje em dia, é de 65%. Quando os meus filhos nasceram, que têm 40 anos agora, a taxa de cesariana era 25%. Hoje já passou de 60%. Então existe uma força que está empurrando para a maior medicalização do nascimento e uma maior artificialização do processo, a ponto de que nenhum parto mais é admitido e o recurso cirúrgico é majoritário no Brasil. Se você for analisar dentro das classes sociais, a classe média, a classe alta, tem 85%, 90% de cesariana. É raro você encontrar uma mulher de classe média que tenha feito um parto normal.

Agora, por que isso? Por várias razões. Uma é os interesses econômicos. Uma cesariana mobiliza muito mais recursos do que um parto normal. Parto normal é simplesmente — eu vou falar de uma forma bem grosseira — uma mulher se agacha, faz força e coloca um filho no mundo e depois pega ele no colo. Isso aqui é um parto normal, fisiológico. Não tem nenhuma parafernália especial, não tem nenhuma grande sofisticação. Evidentemente que ela tem um profissional ou profissionais que vão estar cuidando dela e eles são importantes, mesmo num parto simples como esse.

Agora, uma cesariana tem um cirurgião, um auxiliar cirúrgico, um anestesista, tem um pediatra, tem várias enfermeiras, várias técnicas, tem uma UTI neonatal, tem uma internação, tem uma sala de recuperação e tem vários dias no hospital. Isso mobiliza a máquina econômica do capitalismo. Tem muita gente que ganha dinheiro com isso. Mas quem paga o preço por essa intervenção exagerada são mães e bebês. Porque uma cesariana é sabidamente mais arriscada para a mãe e para o bebê. Ela é sabidamente mais arriscada em curto prazo, mas também em longo prazo. Não só para a mãe, que está correndo todos os riscos cirúrgicos, sejam eles riscos hemorrágicos, riscos infecciosos e riscos anestésicos, como ela também tem cicatrizações internas que podem produzir problemas a longo prazo. O bebê mais ainda, porque o bebê não passa pelo canal de parto, não é comprimido pelo canal de parto, não tem todos os efeitos benéficos da adrenalina sobre o bebê na passagem pelo canal de parto, que faz com que ele respire melhor logo depois que nasce, ele não tem a contaminação benéfica das enterobactérias maternas pela passagem do canal de parto, que vão providenciar a esse bebê uma colonização microbacteriana dentro do próprio intestino do bebê que vai ser extremamente adequada e extremamente benéfica para o bom desenvolvimento, inclusive neurológico, desse bebê. Hoje em dia se estuda muito a conexão intestino-cérebro do bebê e essa conexão é muito importante. Então essas crianças que nascem de cesárea são crianças que nascem prejudicadas. É claro que elas podem recuperar o malefício que tiveram por uma cirurgia. E quando eu digo que foi um malefício a cirurgia, eu digo isso mesmo quando ela é bem indicada.

Mesmo quando a cesariana é bem indicada, ela é um malefício para a criança e é um malefício para a mãe. Mas muitas vezes esse malefício é menor do que o risco de deixar ela num trabalho de parto que estava perigoso, que estava oferecendo riscos aumentados para esse binômio, mãe e bebê.

E isso significa que a artificialização do parto e a hospitalização, a medicalização do nascimento humano, produzem muitos ganhos para muitas pessoas. E, portanto, as corporações se beneficiam muito disso. Tem que entender o seguinte: no começo do século XX existia uma disputa bastante acirrada na posse desses corpos femininos, sobre quem mandava nesses corpos femininos. De um lado, a tradição multimilenar do atendimento oferecido pelas parteiras, no mundo inteiro, em qualquer sociedade que vai ser estudada. E de outro lado, uma emergente sociedade médica que, a partir do século XIX, começou a se interessar pelo parto.

É importante frisar que até o início do século XIX, por exemplo, os partos não eram atendidos por médicos, eram só por mulheres, por parteiras, porque a medicina não se interessava por um fenômeno que era exclusivamente feminino e que era absolutamente fisiológico. Por que o médico, que é versado no tratamento das doenças, vai tratar alguma coisa que é absolutamente fisiológica, como botar um filho no mundo, como parir uma criança?

Então houve essa disputa. Mas qual é a diferença entre um médico e uma parteira? É basicamente a utilização de ferramentas. Então os médicos inauguraram no final do século XVII a utilização de ferramentas como fórceps para tracionar a criança para fora do canal de parto, que eram os médicos que utilizavam. E depois, no final do século XIX e início do século XX, a utilização das anestesias e, evidentemente, com as anestesias, a possibilidade de se fazer uma cesariana.

Então isso fez com que os médicos tivessem um poder muito grande de solucionar problemas no parto, o que ofereceu para eles a dominação subterrânea, a ponto de que no Brasil, por exemplo, as parteiras foram quase totalmente exterminadas. Dificilmente você vê na cidade de Porto Alegre uma parteira que atende partos. Hoje em dia existem parteiras chamadas parteiras pós-modernas, que são enfermeiras ou obstetrizes que estudaram ou fizeram cursos de pós-graduação em enfermagem obstétrica ou fizeram um curso de obstetrícia e que estão atendendo partos, inclusive partos no hospital, ou partos em casa. Mas as parteiras foram quase totalmente exterminadas pela cultura, e agora vivemos esse ressurgimento.

Mas os partos são quase que exclusivamente atendidos por médicos, que funcionam numa lógica chamada lógica da intervenção. Ao contrário da enfermagem, que é uma lógica do cuidado. Ou seja, se você coloca nas mãos de um cirurgião o atendimento de um parto, ele naturalmente vai tentar utilizar sua maior capacitação, que é a intervenção, e ele vai intervir, seja com medicações, com drogas, com instrumentalização ou com cirurgias. E é isso que acaba acontecendo. Além do que, existe uma questão não só corporativa, não só da disputa entre médicos e parteiras, mas o fato de que uma cesariana leva 30 minutos para ser realizada, um parto leva 12, 14, 16, 30 horas. Pode acontecer. O cuidado que nós vamos ter, o tempo que nós vamos despender do lado de uma paciente que está em trabalho de parto, toma muito tempo. E o parto é algo que vai na contramão da visão contemporânea do tempo, porque o parto funciona dentro de uma lógica da natureza. O parto demanda temperança, demanda paciência, demanda resiliência, demanda aguardar os tempos adequados para as coisas acontecerem. Os médicos não são treinados para isso. O médico é treinado para resolutividade, para resolver imediatamente uma circunstância que aparece à frente dele. Então isso faz com que, estando na mão dos médicos, a tendência seja a artificialização crescente e sem nenhum tipo de limite.

É fácil a gente prever. E como eu te disse, em meados do século passado, a taxa de cesariana era 5%, hoje é 65%. Dentro de 30 anos a gente pode estar observando o lento e absoluto desaparecimento do parto normal como um método de colocar pessoas no mundo. Isto é, o parto normal está em vias de extinção. Se nós não fizermos nada, se nós não produzirmos uma revolução no atendimento, o parto vai deixar de existir. E as repercussões para isso, para mim, são tão graves que eu acredito que a humanidade que virá depois da extinção do parto vaginal será uma humanidade bastante diferente dessa humanidade que a gente tem hoje em dia. Porque a gente vai ter pela primeira vez suprimido uma função orgânica na espécie humana. O parir deixa de existir. A etapa subsequente a isso é o extermínio das próprias gestações. As mulheres vão deixar de ter filhos. Quem vai ter filhos são máquinas, máquinas de alimentação de fetos, de crescimento fetal, e a gente vai produzir extragestações. Não precisa mais de mulher para gestar e nem para parir. E isso não está tão longe assim quanto a gente imagina.

Como você ficou sabendo do processo que foi movido contra você? Da forma natural: recebi uma carta em casa dizendo que o Conselho Regional de Medicina estava me processando por um parto que havia sido atendido no ano de 2010 e que levou ao óbito de um bebê no hospital privado aqui da cidade de Porto Alegre.

Em relação à acusação, você estava sendo responsabilizado por esse óbito? A acusação foi de que nós não atendemos o bebê no tempo adequado, o que é uma acusação que não tem nenhum sentido. O bebê nasceu em casa, nasceu muito bem, foi tratado muito bem, ficou em observação em casa e, conforme foi combinado com a família, de uma forma muito, muito, muito clara e durante vários meses, qualquer alteração, por mais sutil que fosse no bem-estar desse bebê, ele seria transferido para o hospital. E foi o que nós fizemos. Esperamos o tempo normal, o tempo adequado, por volta de duas ou três horas, e como o quadro respiratório do bebê não ficou tranquilizador, isto é, o bebê só estava um pouco ofegante ainda, apesar de estar bem, a gente resolveu transferi-lo para o hospital.

Chegou ao hospital em excelentes condições, ótimas condições. A gasometria do bebê era muito boa, a oximetria do bebê era muito boa, a perfusão do bebê era muito boa, o bebê não estava pálido, não estava com nenhum transtorno grave, não precisou de nada disso. Tanto é verdade que esse bebê ficou quatro horas e meia em observação no hospital. Ele nasceu, durante duas horas nós esperamos, removemos para o hospital e ele ficou quatro horas e meia em observação no hospital, e nada foi feito. E aí depois, lá no meio da madrugada, começaram a medicar o bebê — primeiro medicaram de forma errada e depois, cinco horas e meia depois, ele foi medicado com a medicação correta, mas aí o bebê já estava desenvolvendo um quadro respiratório muito grave, porque esse bebê nasceu com pneumonia congênita, ele nasceu com processo infeccioso no pulmão. E isso não foi possível observar, porque não é possível observar. Como o bebê não utiliza o pulmão durante o período intrauterino, a gente não tem como saber que o pulmão dele não está funcionando bem.

E o desenvolvimento da crise foi normal. O bebê nasceu com 3 kg, um Apgar 7 e 9 e, portanto, parto normal, parto tranquilo, sem nenhum transtorno grave. Ele foi transferido para o hospital. No hospital, uma série de erros foram cometidos, erros muito, muito graves. Eu não tenho como dizer se esses erros graves cometidos pela equipe de neonatologia do hospital levaram essa criança ao óbito, mas certamente não ajudaram essa criança como deveriam ter ajudado. Isto é, a criança não foi ajudada no hospital como deveria ter sido ajudada. Mas eu não posso afirmar que isso levou o bebê ao óbito.

Entretanto, diante do descalabro que foi aquele atendimento e diante do resultado ruim que foi, eles resolveram atingir e atacar a parte mais fraca, que é o obstetra que pensa diferente, que defende o parto normal, que critica o abuso de cesarianas, que critica a violência obstétrica em hospitais, como uma forma de perseguição e de vingança.

O juiz entendeu que era procedente, ou você foi preso preventivamente? Não, nunca fui preso preventivamente. Nós esperamos durante muitos e muitos anos, não por nossa causa, mas por uma questão da justiça. Esse é um caso de 16 anos atrás. E eu fui julgado no ano passado, finalmente julgado no ano passado, e de uma forma absolutamente absurda e bizarra, porque foi entendimento do Judiciário, de uma forma absolutamente incompreensível, que esse caso deveria ser julgado como dolo eventual, isto é, um bebê que morre foi julgado como se o médico quisesse matar esse bebê. Eu não fui julgado pelas coisas pelas quais normalmente os médicos são julgados — por negligência, imperícia etc. Não foi por isso que eu fui julgado. Eu fui julgado por dolo, como se eu tivesse interesse em matar um bebê. O que já chama muito a atenção porque nenhum médico é julgado assim. Só os médicos que defendem o parto normal. Só eu, por defender o parto normal, fui julgado dessa maneira. Só eu, por atender o desejo da minha paciente de ter o seu filho em casa, fui julgado dessa maneira.

Então isso já é uma coisa bizarra. E depois houve no nosso processo o impedimento dos peritos de falarem. E isso foi a coisa mais grave. Eu fui julgado sem que os peritos, numa questão técnica como o parto, pudessem ser escutados, pudessem ser ouvidos durante o processo. E isso acabou gerando a nulidade desse julgamento. E agora ele vai ter que acontecer de novo.

E como foi a vida na prisão nesse período? Foi quase um ano, certo? Quase um ano. Teve dois períodos: eu fiquei um mês preso e a juíza me deu o direito, me concedeu o direito de responder ao processo em liberdade, mas o Ministério Público recorreu e eu fui preso de novo. Então, fiquei ao todo, desde a minha primeira prisão até agora, um ano e um mês. Mas nesse um ano e um mês eu passei primeiro numa galeria para presos especiais, digamos assim, que são pessoas como advogados, policiais, brigadianos, policiais civis, policiais penais e pessoas que têm crimes de notoriedade, crimes que foram notícia, por exemplo. Essa é a ideia.

E eu fiquei nessa galeria, mas eu fiquei durante um mês só nessa galeria. Logo, logo eu fui transferido para uma galeria especial, chamada Galeria de Triagem, que é uma galeria que me permitiria trabalhar e prestar serviços para o serviço penitenciário. Então eu fui trabalhador na penitenciária, o que faz com que a minha visão sobre a prisão seja bastante diferente de 99% das pessoas. Eu estive numa situação bastante especial e fui colocado lá como um trabalhador. Então, eu trabalhei no ambulatório, trabalhei junto aos presos, trabalhei no atendimento direto aos presos, na avaliação dos presos do ponto de vista dos sinais vitais — eu avaliava isso todos os dias, fazia entrevistas com os presos para encaminhá-los para uma unidade de saúde. E depois eu fui transferido para um setor que era do lado desse meu, que era o setor de informação, o Infopen, setor de informação do presídio, onde eu cuidava da chegada dos presos, da preparação dos presos, do encaminhamento dos presos ou da saída dos presos, e também da parte de catalogar todos os prontuários penais dos detentos da prisão. Então eu estava em um trabalho direto com a direção da penitenciária, com a área de segurança.

Eu digo isso porque quando as pessoas dizem “ah, você esteve preso”, as pessoas pensam que eu estive onde normalmente as pessoas ficam, que é nas galerias. E eu não fiquei nas galerias, eu fiquei na Galeria de Triagem, que é uma galeria toda especial, onde a gente tem muito mais liberdade. Tipo assim, eu tinha acesso, eu caminhava livremente pelo presídio, eu não ficava confinado na minha cela, eu saía a todo momento, era chamado para avaliar um preso que tinha brigado, estava machucado, ou que tinha tido um acidente de trabalho, ou que estava com um problema médico. E eu fazia uma triagem desses presos para saber quais daqueles precisavam ir para a unidade de saúde. E muitas vezes eu era chamado no meio da madrugada para ir conversar com presos que não estavam passando bem, que estavam tendo uma crise de ansiedade, coisas do gênero.

Agora que o julgamento foi anulado, você já pode voltar a exercer a sua profissão? Não, não posso exercer por enquanto a minha profissão, porque esse processo começou com a minha cassação junto ao Conselho de Medicina. Isso foi em 2016, há 10 anos. Baseado na perícia que foi realizada nesse caso por um perito que mentiu. E as mentiras desse perito são um capítulo à parte nesse processo. O perito foi contratado pela família e disse uma série de mentiras muito graves a respeito do processo. Erros, erros fáticos. Não é nem a opinião dele que é descabida, não. Ele simplesmente não sabia nem o tamanho de uma gestação normal, de quanto tempo dura normalmente uma gestação. Então ele cometeu inúmeros equívocos, equívocos muito graves e que agora vão ser tratados de uma forma diferente no próximo julgamento. Mas, desde 2016, não estou mais trabalhando.

Existe algum outro grande lobby na medicina fora esse da questão do parto e da cesariana? Como você vê essa questão empresarial da medicina de uma maneira mais ampla? É difícil você ver algum setor da medicina que não seja marcado pelo lobby. Existe uma coisa que seria a medicina virtual, uma medicina que a gente imagina como deveria ser: o médico que tem conhecimento, estuda, conhece as evidências científicas e trata seus pacientes. E existe a medicina que a gente vê todos os dias em todos os lugares, que é uma medicina inserida no contexto em que a gente vive. E esse contexto é um contexto capitalista. E, portanto, a medicina é vista como um negócio.

É difícil um setor da medicina que não seja completamente dominado por lobbies. Você vai ver, por exemplo, cardiologia: tem um lobby dos marca-passos, que foi de Jacuzzi e Cândolo, há muitos anos aqui no Rio Grande do Sul, das empresas que fornecem marca-passos para os pacientes. Você imagina que alguns anos atrás as empresas chegavam para cirurgiões cardíacos e diziam: “se você indicar a nossa marca de marca-passos” — e tinha duas ou três — “você recebe, além de seus honorários, um brinde nosso de 500 dólares”. Então o médico era levado a indicar uma marca de marca-passos porque recebia uma propina das empresas de marca-passos. Aconteceu muitos anos atrás aqui.

Outro lobby fabuloso que existe aqui é o das órteses e próteses, que acontecia junto aos ortopedistas: “ah, indique a nossa prótese”. Existe o lobby sobre as lentes que os oftalmologistas utilizam, que é um outro lobby em que empresas seduzem os profissionais e fazem propaganda, e às vezes mais do que propaganda, para seduzir os médicos a utilizar os seus produtos.

E não só isso. O que é o abuso de antibióticos na sociedade contemporânea? Uma criança de dois, três anos toma inúmeros antibióticos. Em qualquer tipo de mal-estar da criança, tosse, catarro, os médicos usam antibióticos, porque são ensinados assim na faculdade e porque existe uma pressão muito grande da indústria farmacêutica na utilização dessas medicações. Então existe todo um capítulo para se estudar em medicina, que é o capítulo da medicina aplicada ao capitalismo. Ou o contrário, o capitalismo aplicado à medicina. Ou seja, como funciona a medicina quando as coisas que você prescreve no seu dia a dia são manipuladas por grandes corporações para oferecer lucro para as grandes empresas.

Então toda a medicina é feita disso. Onde não tem lobby na medicina? Toda ela é marcada por lobby. Em qualquer especialidade existem lobbies poderosos de empresas em cima dos médicos, pressionando os médicos para indicar os seus produtos. E muitas vezes sem nenhuma indicação científica de que eles tenham qualquer tipo de sucesso.

Olha o que acontece, por exemplo, na indústria dos psicotrópicos, dos neurolépticos, dos medicamentos psiquiátricos. Isso é uma fábula, o que corre de dinheiro por trás da indicação de antidepressivos, antipsicóticos etc. É uma fábula de dinheiro, são montanhas de dinheiro pressionando profissionais da psiquiatria, principalmente, mas mesmo os clínicos gerais, na prescrição de remédios para tratar as pessoas.

Eu vi agora no sistema prisional, e só no sistema prisional onde eu estava, 30 mil comprimidos de benzodiazepínicos eram utilizados todos os meses, na prisão do Hospital de Custódia, para 2.500 pessoas. 30 mil comprimidos só de benzodiazepínicos, fora os antipsicóticos, fora os soníferos, fora os ansiolíticos, fora toda a classe de medicamentos de uso psiquiátrico que é prescrita no sistema prisional. E isso é porque as pessoas acreditam que precisam se entupir de drogas para poder sobreviver a uma sociedade que não oferece para elas o mínimo de tranquilidade para a sua própria sobrevivência.

Como você vê a importância política de seu processo com relação ao parto humanizado no Brasil e, de forma mais ampla, à luta geral contra o lobby da medicina? Geralmente, quando existe algum tipo de ideia revolucionária ou desafiante aos poderes constituídos, a forma mais fácil de combater essa ideia é atacando os mensageiros. Isto é, ataque o mensageiro. É mais fácil atacar as pessoas do que atacar as ideias. Para atacar as ideias, você precisa ter um embasamento, ter uma série de evidências que corroborem a sua posição. Atacar as pessoas é fácil: você faz ataques morais, ataques à reputação etc. É mais fácil fazer isso.

Lembra que eu falei que o elemento fundamental da humanização do nascimento é a garantia do protagonismo às mulheres? É a garantia de dar às mulheres o direito de fazer escolhas sobre seu destino reprodutivo. E, do ponto de vista da medicina, é a coisa mais aviltante que pode acontecer. Porque o nome “paciente” que se dá aos clientes da medicina já é dado para que as pessoas tenham que ser pacientes. E paciente significa que você tem que ficar esperando, você não faz nada. Você deixa tudo nas nossas mãos. Você é objeto do nosso trabalho. Você não é sujeito do nosso trabalho. Nós vamos fazer coisas sobre você. Mas você não tem que tomar nenhuma decisão a respeito disso.

Uma paciente que resolve escolher o lugar onde seu filho vai nascer, essa é uma paciente ruim para a medicina. Os médicos não querem saber disso. Os médicos querem pacientes dóceis. Pacientes absolutamente submissas às ordenações da corporação. O que existe de desafiador nesse meu processo não é porque ele foi em casa — isso talvez fosse até irrelevante, porque o parto tem ocorrido em casa —, mas foi porque a paciente escolheu que fosse em casa e o médico aceitou a escolha que ela fez sobre o local do parto. Os médicos acham isso algo absolutamente degradante. Mais do que isso: o médico estava na casa da paciente para dar segurança ao trabalho da parteira que estava atendendo a paciente. E os médicos acham isso uma coisa absolutamente inaceitável e humilhante. “Como assim, o médico estava lá só para ajudar o trabalho que a parteira fez na atenção à paciente?”.

Então a corporação médica ficou absolutamente “possessa” com isso e tratou disso como se fosse algo absolutamente inaceitável. E esse caso tem uma relevância porque, se você acreditar que esse parto teve algum tipo de culpa da equipe que atendeu, isso inviabilizaria qualquer parto domiciliar. Porque, veja bem, o nosso parto e a combinação que nós fizemos com a paciente é o seguinte: nós vamos te atender em casa, mas se tiver qualquer problema, você vai imediatamente para o hospital. E foi o que aconteceu. Tanto é que o bebê chegou no hospital muito bem. Por isso ele chegou num tempo adequado ao hospital.

Se você disser que qualquer parto que nasce — o bebê vai nascer em casa e qualquer coisa que aconteça no hospital, por exemplo, se alguém deixar o bebê cair no hospital de uma mesa, a culpa vai ser pelo fato de ele ter nascido em casa —, ninguém vai conseguir atender a um parto em casa. E isso vai limitar a gama de opções que uma mulher vai ter sobre seu parto. E é isso que é muito grave para todas as outras mulheres. Porque se esse parto realmente for levado, essa culpa e essa culpabilização dos profissionais for levada adiante, isso significa que as mulheres perderão a oportunidade de ter parto em casa.

Veja, um caso muito famoso na Hungria foi exatamente isso, com uma mulher chamada Ágnes Geréb. O que acontecia? Ela dizia assim: “quero ter um filho em casa, e não tem nenhuma lei que proíba uma mulher de ter o seu filho em casa, nem na Hungria e nem no Brasil”. Não é? Isso não é crime, isso não está errado, não tem lei nenhuma a respeito disso. Uma mulher pode ter o seu filho onde ela bem entender. O que os médicos fizeram no caso Ágnes Geréb foi dizer o seguinte: “não, tudo bem, você pode ter o seu filho onde você quiser, mas se você tiver seu filho em casa, nós vamos atacar o médico”. O que acontecia? As mulheres não conseguiam levar adiante a sua escolha porque os médicos estavam sendo perseguidos. Que é exatamente o que está acontecendo aqui. As mulheres não conseguem ter os seus filhos em casa no Brasil ou no lugar de escolha que tiveram, da escolha delas, porque a corporação médica e também o sistema de justiça brasileiro atacam os médicos que respeitam a escolha das mulheres. O médico que simplesmente aceitou, porque a paciente tinha plenas condições de ter o seu filho onde ela escolheu. E isso, portanto, vai produzir um reflexo em todas as mulheres do país.

Em última análise, essa condenação absurda, injusta, imoral e indecente afeta a liberdade de escolha das mulheres. E as mulheres deveriam estar muito atentas a isso. Porque o fato de não poder escolher o lugar do parto é só um detalhe. A próxima etapa vai ser o quê? Você não pode escolher o tipo de parto que você vai ter. Você vai ter que fazer o que os médicos acham que é melhor para você. O que os médicos querem fazer, que é o que já está acontecendo. Lembra que, quando uma mulher vai ter o seu bebê, o médico começa a pressionar para que ela tenha o parto que ele quer, que é uma cesariana, porque é mais rápida e é mais tranquila? Se uma paciente morrer de uma cesariana no hospital, por infecção, por hemorragia ou por um efeito anestésico, o médico lava as mãos e diz assim: “eu não tenho nada a ver com isso”. Portanto, muito mais segura a cesariana, não para a paciente, que é pior, mas para o médico. O médico se sente seguro quando ele está atendendo uma cesariana e se sente muito inseguro quando ele está atendendo um parto.

É comum que médicos sejam processados por fazer cesariana e isso vir a dar alguma complicação depois? Quase nunca médicos que fazem cesariana são processados. Os processos contra obstetras acontecem quase que exclusivamente contra médicos que atendem parto normal. Porque a cultura premia a cesariana e ataca os médicos que atendem parto normal.

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