Durante o lançamento das candidaturas do Partido da Causa Operária (PCO) no Rio Grande do Sul, realizado neste sábado (29), em Porto Alegre, o médico Ric Jones, candidato do Partido ao Senado, apresentou sua trajetória política e explicou os motivos que o levaram a aceitar a candidatura.
Jones contou que sua entrada na política partidária é relativamente recente e ocorreu a partir de sua aproximação com o PCO, com o socialismo e com a necessidade, segundo ele, de uma revolução capaz de modificar a sociedade. Sua atividade política, porém, começou décadas antes, ainda durante sua formação na medicina.
“Eu sempre fiz política desde o tempo da faculdade”, afirmou. Essa atuação ocorreu principalmente nos movimentos pela humanização do nascimento e pelos direitos das mulheres no parto.
O candidato lembrou que começou a atuar nessa área há cerca de 37 anos, em Porto Alegre, quando temas como doulas, parteiras, violência obstétrica, local de parto e humanização do nascimento praticamente não apareciam no debate público.
Jones recordou os encontros semanais realizados pelo grupo do qual participava. Em algumas ocasiões, apenas um casal comparecia. Mesmo assim, insistia para que a atividade fosse mantida, por considerar que aquelas pessoas tinham o direito de conhecer alternativas e decidir sobre o nascimento de seus filhos.
“Eu digo isso porque muitas vezes a gente está diante de uma plateia pequena, ou de um grupo pequeno, ou de uma ideia que parece minoritária, mas a gente não sabe que nós somos embriões de uma nova realidade, e que ela pode florescer não para a gente, mas para os nossos filhos e para os nossos netos”, declarou.
Questionar o que parece natural
A experiência profissional também levou Jones a concluir que muitas práticas apresentadas como naturais ou exclusivamente científicas eram atravessadas por relações de poder.
Ele descreveu a medicina como um meio fortemente hierarquizado, no qual as mulheres tinham pouca liberdade para decidir sobre diferentes aspectos do parto. Foi nesse ambiente que passou a fazer aquilo que classificou como uma das perguntas mais perigosas diante de uma organização rígida: “por quê?”.
“Por que as mulheres têm que deitar para ter seus filhos? Por que o marido não pode ficar junto? Por que ela tem que trocar de roupa? Por que ela tem que fazer esse soro? Por que tem que apressar? Por que o bebê tem que ser tirado de perto da mãe? Por que essas crianças não podem ficar no peito da mãe logo depois que nascem?”
Esses questionamentos, relatou, provocaram conflitos com a corporação médica. Para Jones, contestar práticas consolidadas em uma organização fortemente hierarquizada faz com que aquele que questiona passe a ser tratado como um traidor.
Foi a partir dessa experiência que o médico estabeleceu uma relação com a política do PCO.
“Eu descobri que o PCO tem uma visão muito semelhante à visão que eu cultivava desde a mais tenra idade dentro da minha área profissional, porque o PCO também faz essas perguntas. Por que a riqueza é dividida dessa forma? Por que o trabalhador nunca ganha? Por que a burguesia tem sempre o direito de escolher? Por que os nossos partidos são comandados por entidades burguesas? Por que nós só podemos escolher esses candidatos à Presidência da República que são financiados pelo grande capital? Por que a sociedade tem que se estruturar dessa maneira?”
Jones acrescentou que aqueles que fazem esse tipo de questionamento acabam perseguidos. Relacionou essa situação à perseguição que afirma sofrer em sua própria trajetória profissional, iniciada, segundo contou, em 1999.
Candidatura como instrumento de luta
Ao falar sobre sua candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Jones destacou a campanha eleitoral como uma oportunidade para levar essas discussões a um público mais amplo.
“A minha posição dentro do PCO, e no auxílio ao PCO, no sentido de me candidatar ao Senado no meu estado, é para que a gente tenha uma grande oportunidade de oferecer as explicações que a gente precisa oferecer para a sociedade”, afirmou.
Para o candidato, a eleição permite apresentar à população os problemas que considera fundamentais e defender uma transformação da sociedade.
Jones encerrou afirmando que o fato de uma mudança ainda não ter ocorrido não significa que ela seja impossível. Para ele, a luta travada hoje também representa um legado para as próximas gerações.
“Esse nosso esforço é o legado que nós deixamos aos nossos descendentes, para que eles possam ter uma vida melhor, uma vida mais justa, e onde a riqueza possa ser adequadamente distribuída entre todos aqueles que contribuem para o grande bolo da riqueza nacional”, concluiu.




