Segundo a autora destas linhas, o PCO é ao mesmo tempo “patético” e aterrorizante. A primeira expressão creio que deva ser entendida como aparece no patois norte-americano que, na nossa língua, seria traduzido como sendo a pessoa um coitado, uma pessoa que inspira pena. É uma grave traição à linguagem normal. No entanto, não é possível ser as duas coisas ao mesmo tempo.
O PCO é fascista. No sentido político, o fascismo é, na sua essência, um movimento dirigido ao esmagamento da classe operária, das suas organizações políticas e outras. Ter um posicionamento em relação a transsexuais não caracteriza ninguém como fascista. Ser contra o identitarismo, idem. É notório que o nazismo alemão continha uma ala homossexual ideologicamente motivada.
Não é possível caracterizar o nosso partido dessa forma. Aí vemos que o PCO é fascista por associação, ou seja, por suas relações com grupos como a Nova Resistência e à Matria, supondo que estas duas organizações correspondam à definição de fascismo, o que não é o caso. Mas, se fosse assim, deveríamos ser também islâmicos sunitas por associação com o Hamas e islâmicos xiítas por associação com o Irã, o Hezbollah e o Ansar Alá. E as nossas associações com a esquerda filo-stalinista ou maoísta? Nas relações com o PT seríamos reformistas e pela nossa afiliação à CUT seríamos o quê?
Um partido revolucionário pode e deve fazer alianças com quem quer que seja. Por exemplo, Lênin fez um acordo com os militares do imperialismo alemão em plena guerra imperialista para chegar à Rússia. Isso não o transformou em um imperialista alemão. O problema é sempre saber qual é o conteúdo político do acordo, ou seja, se serve ou não a objetivos revolucionários. Não podemos reduzir a luta política a classificações ideológicas. Quem pensa assim é intrinsecamente sectário, pois vê a luta política como realização de uma doutrina, ou seja, de maneira religiosa.
Nosso anti-imperialismo não se reduz a nada. É uma luta contra os países imperialistas e seus capitalistas. Não somos anti-“americanos” e sim combatemos o imperialismo, norte-americano, europeu e japonês. O sionismo consideramos como um instrumento do imperialismo e mais nada. A defesa da soberania nacional e da economia nacional, tanto do Brasil como dos demais países atrasados, é inegavelmente um aspecto da luta anti-imperialista. Não somos desenvolvimentistas ou neodesenvolvimentistas. Simplesmente não acreditamos que seja possível um verdadeiro desenvolvimento econômico na atual etapa histórica do capitalismo.
O problema do “masculinismo” é outra confusão. A revolução é um processo violento que conduz à guerra civil e, nas condições atuais de desenvolvimento da humanidade, a violência é exercida principalmente pelos homens, embora não exclua a participação feminina. Se esta situação deve ser caracterizada como “masculinismo”, não há muito o que se possa fazer.
Já “militarismo” não pode ser atribuído ao PCO, uma vez que o termo designa o sistema militar dos estados capitalistas e guerras imperialistas. O PCO é favor da organização militar das massas exploradas e não do militarismo estatal. Outra vez, se “militarismo” no texto se refere à segunda questão, então é adotá-lo ou renunciar à revolução.
O fascismo, nem o italiano, nem o alemão, nem o brasileiro, nem qualquer outro, tinha nada de socialista mais que a demagogia socialista para enganar o trabalhador. Era um movimento da pequena burguesia enlouquecida pelo capitalismo e do lumpemproletariado a serviço do capital imperialista. É essencialmente um movimento antissocialista e anti-comunista. Mussolini foi do Partido Socialista e vendeu-se ao imperialismo antes de criar o fascismo. O fascismo em ação e no governo foi a forma política do grande capital imperialista em total oposição ao socialismo italiano e às organizações operárias e camponesas.
Esta tentativa de análise acerca do PCO não é logicamente marxista, mas um apanhado de preconceitos liberais. A ideia de fascismo aqui exposta é típica do liberalismo norte-americano que retrata o fascismo apenas como um inimigo da democracia burguesa e que considera os fenômenos políticos a partir de uma caracterização puramente ideológica. A ideologia, no entanto, não é um fator determinante, mas subordinado ao movimento real das classes sociais.
Esta, mutatis mutandis, é a ideologia e a política atuais de quase toda a esquerda pequeno-burguesa, do PT aos anarquistas, passando pela chamada esquerda “radical” como PCB, UP, PSTU etc. É uma ideologia que expressa os interesses da classe média e da burguesia e não da classe operária.




