Pernambuco

Recife lota auditório no último ato Rui Presidente de 2026

Atividade no Sinttel reuniu candidatos locais do PCO e foi encerrada com discurso do presidenciável

O Partido da Causa Operária (PCO) realizou, na noite desta quarta-feira (30), no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (Sinttel), no Recife, o último ato Rui Presidente da campanha eleitoral de 2026. A atividade reuniu militantes, simpatizantes e candidatos do PCO de Pernambuco e da Paraíba.

Recife foi a única cidade do Nordeste a receber Rui Costa Pimenta durante esta campanha. Presidente nacional do PCO e candidato à Presidência, Pimenta encerrou o encontro com um balanço das eleições, críticas ao governo Lula e uma análise das perspectivas políticas para o período posterior à votação.

A programação começou com uma apresentação do grupo Menestreis Cantador, formado por militantes e simpatizantes do Partido. Em seguida, Mailson da Silva Neto, candidato ao Senado por Pernambuco e mestre de cerimônias da atividade, abriu os trabalhos.

Camilo Duarte, candidato do PCO ao governo da Paraíba, falou em nome da delegação de João Pessoa e destacou a importância da participação do Partido nas eleições. Depois dele, Maurício Caetano, do MRST, tratou de sua experiência de 31 anos na luta pela moradia e afirmou que, apesar de décadas de mobilização, problemas fundamentais dos trabalhadores, como a falta de habitação, continuam sem solução.

Eduardo Santana também participou das saudações iniciais e entregou um certificado ao Rui Pimenta. O documento destacou a posição do Partido diante dos ataques sofridos em razão de sua defesa da resistência palestina.

Candidatos do PCO apresentam programa

Maria Hosana, candidata a deputada federal por Pernambuco, foi a primeira candidata do estado a falar. Professora da rede estadual, ela contou como sua experiência na educação e sua militância em defesa da Palestina contribuíram para sua aproximação com o PCO.

Hosana destacou a posição do Partido em defesa da resistência palestina e afirmou que foi justamente essa política que inicialmente chamou sua atenção.

“Eu era uma simples ativista da causa palestina, com as simples bandeiras na mão, e eu vi um partido de coragem levantar a bandeira do Hamas. Eu disse: esse partido é diferente.”

A candidata também relacionou as dificuldades encontradas em sala de aula aos problemas mais gerais enfrentados pela juventude pobre. Para Hosana, sua experiência como professora mostrou que a transformação das condições de vida dos estudantes não poderia depender apenas do esforço individual de professores e famílias.

Na sequência, Mailson da Silva Neto falou sobre sua candidatura ao Senado. Engenheiro eletricista e ex-dirigente sindical, ele destacou as dificuldades enfrentadas pelo PCO para divulgar seus candidatos e criticou o peso do sistema financeiro sobre a economia brasileira.

“Você vê a população sequestrada pelos bancos. Os bancos praticamente levam mais da metade da receita brasileira. Um país que é rico: nós somos um país rico, não somos um país pobre.”

Mailson afirmou que a campanha do Partido deveria servir para apresentar novas ideias e colocar em discussão problemas que ficam de fora das campanhas dos grandes partidos.

Victor Assis, candidato ao governo de Pernambuco, concentrou sua intervenção na política da esquerda no estado. Ele criticou a longa aliança entre o PT e o PSB e afirmou que essa política terminou colocando a esquerda pernambucana a reboque de partidos burgueses.

Assis apresentou ainda reivindicações do programa do PCO, entre elas a luta contra as privatizações e a defesa de um salário mínimo vital de R$8 mil.

“Nós defendemos um salário mínimo de R$ 8 mil, um salário mínimo vital. Isso também não é nada demais: a gente está apenas exigindo o que está na Constituição, que o salário dê conta das necessidades mais elementares de um trabalhador e da sua família.”

Ao final de sua fala, o candidato afirmou que o PCO não apresentava um conjunto de promessas eleitorais, mas um programa destinado à mobilização.

“Então é isso que a gente vem oferecer: um programa de luta, que não vai ser cheio de promessas.”

‘A eleição colocou às claras a situação crítica’

Último a falar, Rui Costa Pimenta começou esclarecendo que o encontro no Recife era a penúltima atividade nacional de sua campanha. A última seria realizada na sexta-feira, com jantares organizados pelo Partido em vários estados.

“Companheiros, vocês falaram que é um lançamento da campanha, mas na realidade essa é a penúltima atividade de campanha que nós estamos fazendo. A última vai ser na sexta-feira, quando nós vamos realizar jantares em vários estados do País.”

Pimenta afirmou que a campanha de 2026 deixou mais evidente uma crise política que já vinha se desenvolvendo no País.

“Eu acho que a eleição colocou às claras a situação crítica que nós estamos vivendo. Nós chegamos nessa eleição com o PT, que governou o País por cinco mandatos, numa situação de virtual falência política.”

O candidato começou seu balanço pelas denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro. Pimenta afirmou que as acusações atingiram uma instituição que ocupou posição central na política brasileira nos últimos anos e voltou a criticar a perseguição judicial contra setores bolsonaristas.

“O STF colocou em marcha um processo de perseguição política da direita bolsonarista e estabeleceu uma verdadeira ditadura. Não é porque nós somos adversários do bolsonarismo que nós vamos deixar de reconhecer esse fato.”

Pimenta também criticou a política adotada pelo governo Lula na reta final da campanha. Ele classificou como tentativa de conquistar votos medidas anunciadas às vésperas da eleição, entre elas o reajuste do Bolsa Família, iniciativas relacionadas às apostas e uma nova etapa do Desenrola.

“É uma política profundamente antidemocrática de compra de votos. Eu não levanto isso simplesmente por uma questão moral. É um indicador da completa falência da política do PT.”

Para o candidato do PCO, a necessidade de recorrer a medidas emergenciais no final da campanha demonstraria o desgaste da política adotada pelo governo nos últimos quatro anos.

‘A eleição não vai resolver nenhum problema nacional’

Um dos pontos centrais do discurso foi a avaliação de que a crise brasileira não poderá ser resolvida apenas por meio da eleição.

Pimenta afirmou que tanto um novo governo Lula quanto um governo bolsonarista sofreriam pressão do sistema financeiro para aplicar medidas de ajuste fiscal e redução dos gastos sociais.

“Nós temos dito desde o começo da eleição, e martelamos bastante isso na campanha, que precisava ficar muito claro que a eleição não vai resolver nenhum problema nacional. Não vai ser pelas eleições.”

O dirigente também fez uma retrospectiva histórica das conquistas dos trabalhadores brasileiros. Ele destacou as greves da primeira metade do século XX e afirmou que direitos posteriormente consolidados na legislação foram resultado da mobilização dos trabalhadores, e não de concessões espontâneas dos governos.

“Os trabalhadores brasileiros tiveram muitas conquistas na primeira metade do século XX, com as greves dirigidas pelos anarquistas, anarcossindicalistas, naquela época, pelos militantes do Partido Comunista no começo e também pelos trotskistas, que dirigiram várias greves.”

Pimenta criticou a ideia de que os governos recentes teriam produzido novas conquistas estruturais para a classe operária. Em sua análise, direitos anteriores foram sendo retirados, enquanto programas sociais passaram a funcionar como medidas paliativas diante do empobrecimento de uma parcela crescente da população.

O candidato mencionou os cortes no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada e criticou a política econômica do governo. Também atacou o uso de indicadores econômicos para apresentar uma situação positiva que, em sua avaliação, não corresponde às condições de vida de grande parte da população.

“Acreditou que a população brasileira, que está lutando com muita dificuldade para simplesmente manter a cabeça fora da água, ia ficar maravilhada com os índices econômicos. É uma loucura, né? Ninguém janta nem almoça índice econômico.”

Candidatura para marcar posição

Pimenta explicou ainda por que o PCO decidiu apresentar uma candidatura própria à Presidência, apesar das enormes diferenças de recursos e de exposição em relação aos grandes partidos.

“Nós sabemos que não temos a menor possibilidade de eleger um presidente. Não é uma candidatura competitiva, porque nós estamos participando da eleição nas condições mais limitadas e restritas possíveis. Nós não somos convidados para nenhum debate na televisão, não temos tempo de televisão.”

O dirigente citou a diferença entre os recursos do fundo eleitoral recebidos pelo PCO e pelas maiores legendas e criticou as regras de financiamento e de propaganda eleitoral.

Para Pimenta, porém, a candidatura cumpriu o objetivo definido pelo Partido antes da campanha: apresentar uma posição política própria diante do esgotamento das instituições.

“Quando nós realizamos o Congresso do Partido, na primeira metade deste ano, nós discutimos que o regime político estava esgotado e que nós precisávamos marcar posição na eleição. Eu acho que os acontecimentos comprovaram essas duas conclusões.”

O candidato também tratou da situação do PT. Citou Pernambuco como exemplo da redução das candidaturas próprias do partido e afirmou que as alianças estabelecidas ao longo dos últimos anos vêm enfraquecendo a organização.

Pimenta lembrou que o PCO apoiou Lula na eleição anterior, mas afirmou que o governo deveria ter adotado uma política mais favorável aos trabalhadores e se oposto à perseguição judicial contra a direita.

Mobilização depois das urnas

Na parte final da intervenção, Pimenta voltou-se para o período que começará depois da eleição. Ele afirmou que a tarefa fundamental será organizar os trabalhadores e preparar o Partido para uma possível intensificação da crise política e social.

Como exemplo de uma mudança no movimento sindical, citou a greve dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal. O candidato criticou a atuação do governo durante o conflito e destacou a contradição entre o discurso eleitoral do PT e sua política diante de uma greve.

“Vejam o nível de crise que nós temos: o PT vai para a eleição falando que é a salvação da democracia contra o fascismo e, no meio da eleição, pede ao Tribunal Superior do Trabalho para colocar na ilegalidade uma greve dos seus funcionários.”

Pimenta afirmou ainda ter observado durante a campanha uma descrença crescente nas instituições eleitorais, inclusive entre pessoas que participam ativamente da política.

Para ele, esse sentimento pode se transformar em mobilização à medida que a crise se aprofundar.

“O que nós sabemos é que o agravamento da crise vai impelir as pessoas a se movimentar, independentemente do que estejam pensando. Esse é o nosso prognóstico. Nós achamos que a crise vai se agravar e que isso vai gerar uma reação. Nós precisamos estar prontos para organizar e dar uma direção a essa mobilização, a esse sentimento crescente de revolta.”

O presidente do PCO afirmou que a principal mensagem do Partido depois da campanha será justamente a necessidade de organização política fora do período eleitoral.

“Nós precisamos nos organizar. Nós estamos aqui em Pernambuco fazendo essa atividade, e tem muita gente em volta do partido. Nós precisamos organizar essas pessoas e apontar para elas o caminho do trabalho político sério, fora do tempo eleitoral.”

Pimenta informou ainda que o PCO realizará, no fim de semana seguinte ao próximo, uma conferência nacional para discutir a posição no segundo turno e as perspectivas políticas gerais. Por isso, afirmou que o Partido não anteciparia naquele momento uma decisão sobre a etapa seguinte da eleição.

Ao fazer um balanço das atividades realizadas durante a campanha, Pimenta afirmou que reuniões semelhantes ocorreram em vários estados e reuniram quase 2 mil pessoas. Para o período imediatamente posterior ao primeiro turno, o Partido pretende realizar novas atividades estaduais para incorporar militantes e organizar o trabalho para o próximo ano.

No Nordeste, o candidato defendeu uma política independente das alianças tradicionais mantidas pelo PT na região.

“Nós temos que superar essa política do PT de aliança com a oligarquia nordestina. Precisamos ter uma política voltada inteiramente para os trabalhadores, e para isso é preciso organizar os trabalhadores. O acordo por cima não vai dar em nada.”

A fala de Rui Costa Pimenta encerrou o ato no Sinttel, ovacionado pelos presentes.

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