Cultura

Quirguistão reúne atletas de 90 países nos Jogos Mundiais Nômades

Sexta edição da competição apresentou 43 modalidades tradicionais, incluindo lutas a cavalo, tiro com arco e caça com aves de rapina

O Quirguistão recebeu representantes de 90 países para a sexta edição dos Jogos Mundiais Nômades, competição internacional destinada à preservação dos esportes e das tradições culturais dos povos da Ásia Central e de outras regiões.

As disputas ocorreram nas proximidades do lago Issyk-Kul, reunindo atletas em 43 modalidades. O programa incluiu corridas de cavalos, lutas tradicionais, tiro com arco, competições de habilidade e práticas antigas de caça.

Entre as modalidades apresentadas está o er enish, uma luta entre dois cavaleiros que procuram derrubar o adversário de sua montaria. Outra competição, o tyiyn enmei, exige que os participantes recolham objetos próximos ao chão enquanto cavalgam em alta velocidade.

Uma das atrações mais conhecidas é o kok-boru, esporte no qual duas equipes montadas a cavalo disputam a posse da carcaça de uma cabra e procuram transportá-la até uma área determinada do campo adversário.

Também foram realizadas competições de tiro com arco a cavalo e modalidades tradicionais de luta corporal. A caça com águias e outras aves de rapina integrou a programação, apresentando técnicas desenvolvidas durante séculos por diferentes povos da região.

Além das atividades esportivas, os Jogos Mundiais Nômades reuniram apresentações musicais, artesanato, vestimentas tradicionais e alimentos típicos. Os espaços receberam iurtas, habitações portáteis utilizadas historicamente por comunidades nômades da Ásia Central.

A competição nasceu de iniciativas desenvolvidas no Quirguistão durante os anos 2000 para preservar práticas esportivas que corriam o risco de desaparecer com a morte dos integrantes mais velhos das comunidades.

A primeira edição foi realizada em 2014, no próprio Quirguistão. Posteriormente, os jogos foram organizados também na Turquia e no Cazaquistão, antes de regressarem ao país de origem.

A iniciativa recebeu reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por sua contribuição à preservação do patrimônio cultural imaterial.

Os Jogos Mundiais Nômades permitem que esportes pouco conhecidos fora de suas regiões de origem sejam apresentados a participantes de dezenas de países. Também contribuem para preservar técnicas, costumes e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Ao reunir competidores de 90 países, a sexta edição consolidou uma iniciativa que começou como esforço regional de preservação cultural e se transformou numa competição internacional.

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