O homem apontado como suspeito do ataque a tiros durante o jantar dos correspondentes da Casa Branca foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia. O caso ocorreu no sábado (25), no hotel Washington Hilton, em Washington, onde estavam Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump, o vice-presidente J.D. Vance, ministros do governo e centenas de jornalistas.
Allen foi detido depois de tentar atravessar um posto de segurança do Serviço Secreto. Segundo relatos da imprensa norte-americana, ele correu em direção à área que dava acesso ao salão onde acontecia o jantar, armado com uma espingarda, uma pistola e facas. Um agente federal foi atingido durante a troca de tiros, mas sobreviveu graças ao colete de proteção.
As autoridades afirmam que o suspeito teria agido sozinho. O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, declarou que Allen tinha como alvo integrantes do governo Trump, “provavelmente incluindo” o presidente. A investigação ainda apura a motivação exata do ataque e se novas acusações, incluindo tentativa de assassinato, serão apresentadas.
Até o momento, Allen enfrenta duas acusações principais: porte de arma de fogo durante crime violento e agressão a agente federal com arma perigosa. Ele deve comparecer a um tribunal federal em Washington nesta segunda-feira (27).
De acordo com perfis profissionais atribuídos a ele, Allen se apresentava como engenheiro mecânico, cientista da computação, desenvolvedor independente de jogos e professor. Teria se formado em engenharia mecânica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, o Caltech, em 2017, e concluído mestrado em ciência da computação pela California State University, Dominguez Hills, em 2025. Também teria trabalhado como professor em meio período na C2 Education, empresa de reforço escolar e preparação para exames universitários.
A imprensa norte-americana informou ainda que investigadores analisam mensagens e escritos atribuídos ao suspeito. Segundo autoridades citadas pelo Washington Post e pela Reuters, Allen teria enviado uma declaração a familiares antes do ataque, indicando intenção de atingir membros do governo Trump. O documento não teria mencionado Trump nominalmente, mas atacava duramente integrantes da administração republicana.
Trump, por sua vez, classificou o suspeito como um “lobo solitário” e afirmou que ele seria uma pessoa “muito problemática”. O episódio foi usado pelo presidente para defender a construção de um novo salão de eventos na Casa Branca, sob o argumento de que o local seria mais seguro do que o hotel onde ocorreu o ataque.
O caso reacende o debate sobre a violência política nos Estados Unidos. A tentativa de ataque ocorreu em um dos eventos mais tradicionais da política norte-americana, o jantar dos correspondentes da Casa Branca, que reúne jornalistas, figuras públicas e autoridades do governo.
Embora a motivação ainda esteja sob investigação, o episódio mostra mais uma vez o clima de decomposição política nos Estados Unidos. O país que se apresenta ao mundo como modelo de “democracia” convive com atentados, ameaças, polarização extrema e uma sociedade cada vez mais atravessada pela violência.


