A retomada de Ormuz pelos persas, em 1622, foi um dos acontecimentos mais importantes da história da região. Depois de mais de um século de domínio português sobre uma das passagens comerciais mais estratégicas do mundo, as forças do Império Safávida, sob o comando de Imam Quli Khan e sob a direção política do xá Abbas I, conseguiram expulsar os colonizadores da região.
Esse será um dos temas da fascinante história do país persa, que será estudada a fundo no no curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Promovida pela Universidade Marxista, a atividade ocorrerá entre os dias 27 de junho e 5 de julho e será conduzida por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.
Ormuz era, no início do século XVI, um dos centros mais ricos do comércio mundial. A ilha controlava a entrada do Golfo Pérsico e servia de passagem para mercadorias que circulavam entre a Pérsia, a Índia, a Arábia, a África Oriental e a Europa. Quem dominasse a região poderia controlar uma parte decisiva das rotas marítimas e terrestres do comércio internacional.
Foi por isso que Portugal, no auge de sua expansão marítima, dirigiu suas forças para Ormuz. O objetivo da monarquia portuguesa não era ocupar grandes territórios no interior da Ásia, mas controlar pontos estratégicos do comércio mundial. A política portuguesa consistia em dominar os estreitos, portos e ilhas que funcionavam como gargalos das rotas comerciais.
Afonso de Albuquerque chegou a Ormuz em 1507 com uma pequena frota, mas com uma superioridade militar decisiva: os navios portugueses estavam equipados com artilharia pesada, capaz de destruir as embarcações locais e ameaçar diretamente a cidade. Mesmo enfrentando forças numericamente muito superiores, Albuquerque conseguiu impor a submissão do reino de Ormuz, que aceitou tornar-se vassalo do rei de Portugal.
A primeira tentativa de dominação, no entanto, não se consolidou imediatamente. Os próprios capitães portugueses se rebelaram contra Albuquerque, interessados no saque e no lucro imediato, e o projeto de construção de uma fortaleza foi interrompido.
O domínio definitivo veio em 1515. Albuquerque voltou com uma frota muito maior, já como governador do Estado da Índia. Diante da ameaça portuguesa e das divisões internas da elite local, Ormuz foi entregue sem grande resistência. A partir daí, Portugal construiu a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição e assumiu o controle das alfândegas e da navegação no Golfo Pérsico.
O sistema imposto pelos portugueses era uma forma aberta de extorsão colonial. Nenhum navio podia circular livremente sem comprar o chamado cartaz, uma licença emitida pelos portugueses. Quem navegasse sem autorização podia ter a carga confiscada e o navio afundado. Com esse mecanismo, Portugal transformou o Golfo Pérsico em uma fonte de renda para seu império ultramarino.
Durante décadas, a presença portuguesa foi tolerada pelos governantes persas por razões comerciais. Mas a situação começou a mudar no início do século XVII. Em 1602, a repressão contra a população xiita no Barém, então ligado à esfera de influência portuguesa, levou à intervenção persa. Allahverdi Khan, um dos principais comandantes do xá Abbas I, libertou o Barém e abriu uma nova etapa do conflito contra Portugal.
Em 1614, os persas tomaram Comorão, atual Bandar Abbas, no litoral iraniano. A cidade, que havia sido uma posição portuguesa, passou a carregar o nome do xá Abbas, tornando-se símbolo da retomada da iniciativa pelos iranianos no Golfo Pérsico.
A tensão aumentou ainda mais quando os portugueses começaram a construir uma nova fortaleza na ilha de Qeshm, próxima de Ormuz. Para o governo safávida, a construção representava uma provocação direta. O xá Abbas decidiu então liquidar a presença militar portuguesa na região.
O grande obstáculo para os persas era a superioridade naval portuguesa. O Irã tinha forças terrestres importantes, artilharia e embarcações tradicionais, mas não possuía uma marinha equivalente à portuguesa. Por isso, Abbas I fez um acordo com a Companhia Inglesa das Índias Orientais, que também tinha interesse em quebrar o monopólio português sobre o comércio do Golfo Pérsico.
A operação combinou o cerco terrestre persa com o apoio naval inglês. As forças de Imam Quli Khan cercaram as posições portuguesas, enquanto os navios ingleses atacaram pelo mar, impedindo reforços e suprimentos. Depois da queda de Qeshm, as forças persas avançaram contra Ormuz.
Após meses de cerco, a fortaleza portuguesa foi tomada em 1622. A vitória encerrou mais de cem anos de presença colonial portuguesa na ilha e representou um golpe profundo contra o império português no Oceano Índico.
A expulsão dos portugueses de Ormuz teve enorme importância política. Portugal havia sido uma das principais potências navais do mundo no século XVI. Seu controle sobre Ormuz permitia interferir diretamente no comércio do Golfo Pérsico e impor taxas sobre povos e mercadores da região.
A derrota de 1622 mostrou que o domínio europeu sobre os mares não era invencível. Ela também fortaleceu a posição do Irã como potência regional e consolidou a importância do Golfo Pérsico como espaço ligado diretamente à soberania iraniana.
A queda de Ormuz abalou ainda a União Ibérica, período em que Portugal estava submetido à coroa espanhola. A perda de uma posição tão importante agravou as tensões entre portugueses e espanhóis e demonstrou a fragilidade do império colonial diante da resistência dos povos dominados.
A vitória sobre Portugal é lembrada até hoje no Irã como um marco da defesa da soberania nacional. O Dia do Golfo Pérsico, comemorado no calendário iraniano, está ligado justamente à expulsão dos colonizadores de Ormuz.
A luta contra os portugueses no século XVII antecipa, em outra escala histórica, os conflitos posteriores do Irã contra a dominação estrangeira. O mesmo problema aparece em diferentes períodos: a tentativa das potências de controlar o território, o petróleo, os portos, as rotas comerciais e a política interna do país.
O curso A história do Irã e da República Islâmica abordará esses processos históricos, desde a formação do Irã moderno até a luta contra o imperialismo no século XX e a Revolução Islâmica de 1979.
O curso será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.





