O PSTU montou um “Calendário das Brigadas do Voto Crítico” para o segundo turno. São cinco dias de tarefas: panfletagens em estações, distribuição de material diante de fábricas, debates e um ato de rua. Publicação nas redes sociais convida interessados a participar e anuncia o objetivo da operação: “Contra Bolsonaro, voto crítico no 13. E nenhum apoio ao governo Lula.” O partido que se diz revolucionário decidiu gastar seu esforço militante, que não é visto no dia a dia, para reeleger um governo que reconhece ser adversário dos trabalhadores.
Na sexta (16/10), a brigada começava às seis horas da manhã diante da fábrica da Yama, em Cotia, seguiria para a Altacoppo, em Carapicuíba, e terminaria com um debate sobre a necessidade do “voto crítico”. Haja desespero para eleger Lula, Alckmin, Tebet, Marina Silva e toda a camada de estrumes da burguesia que se incorporou à frente ampla!
Horários, locais, material, militantes na porta de fábrica: assim parece até que o PSTU sabe organizar trabalho político… quando quer. Às vésperas da votação, multiplicou as atividades para eleger Lula numa escala infinitamente maior do que a que empregou, durante os quase quatro anos de governo, para exigir do presidente as reivindicações operárias, lutar pelas liberdades democráticas, contra o sionismo e a polícia etc. O trabalho nas fábricas reaparece com urgência extraordinária quando a tarefa é conquistar votos para a campanha da redução da maioridade penal.
O mesmo acontece com o Opinião Socialista. Um partido que pretende organizar a classe operária deveria publicar e distribuir regularmente seu jornal, independentemente do calendário eleitoral. A publicação quase já não sai como deveria, já desapareceu da atividade dos militantes do partido. Mas finalmente há uma edição nova, a de número 717, com o segundo turno em destaque! Seu editorial reconhece que uma vitória de Lula não acabará com a extrema direita e que o PT buscará novos acordos com setores burgueses. Depois desse diagnóstico, conclui que é preciso votar em Lula.
A Direção Nacional do PSTU anunciou o voto em Lula em 7/10, sem consulta à sua base. No documento, condenou a política de escolher o “mal menor” a cada quatro anos e atribuiu ao governo Lula responsabilidade pelo fortalecimento do bolsonarismo. Mas sua decisão foi… escolher o mal menor! O adjetivo “crítico” não altera o efeito da panfletagem pelo 13. O PSTU abandonou qualquer aspiração à independência da classe operária.
Mas não é a primeira dose. Em 2022, o PSTU também pediu voto crítico em Lula para derrotar Jair Bolsonaro. Não porque, naquele momento, Lula representasse um movimento de tendência ao enfrentamento ao golpe de 2016, ou seja, de mobilização dos trabalhadores. Mas sim porque era o “mal menor” contra Bolsonaro. O balanço da experiência deveria pesar na decisão do PSTU, que prefere repetir o chamado eleitoral de quatro anos atrás. Mudou o nome do Bolsonaro na cédula; a receita do partido continua igual.
O PT e o PSOL já transformaram esse comportamento em rotina. Quando os trabalhadores exigem medidas contra os banqueiros, explicam os limites impostos pelo Congresso, pelos acordos de governo e pelas instituições e que, portanto, não se pode fazer nada a não ser aderir ao toma-lá-dá-cá. Quando a eleição ameaça os cargos da frente ampla, descobrem que é possível mobilizar gente, imprimir material, convocar atos e bater de porta em porta. A organização popular passa a valer pelo número de votos que pode produzir. Terminada a campanha, voltam as negociações com os mesmos partidos da direita.
Por trás do vício eleitoral há uma burocracia que gravita em torno do Estado. Mandatos, assessorias e postos no governo dão a seus dirigentes uma razão material para tratar cada disputa nas urnas como a batalha decisiva da história. Quem vive dessa máquina chama a população para defendê-la de quatro em quatro anos. O PSTU não controla os cargos do PT, mas empresta a militância à eleição de carreiristas. O partido politicamente falido que se diz trotskista acaba reduzido a uma pequena brigada eleitoral da frente ampla.
O resultado é ainda mais grotesco porque o PSTU se reivindica trotskista. Leon Trótski combateu o fascismo quando as organizações nazistas atacavam os trabalhadores alemães. Defendeu a frente única de comunistas e social-democratas para proteger sindicatos, reuniões e organizações operárias. Isso exigia ação comum na luta, com independência política, e não apoio a um governo apresentado como alternativa eleitoral menos perigosa. Em carta de dezembro de 1931, recusou expressamente a exigência de que os comunistas votassem no chanceler Heinrich Brüning para deter Hitler, e em 1932 fez o mesmo quando a social democracia apoiou a candidatura de Hindenburgo.
O PSTU ignora olimpicamente os ensinamentos de Trótski e segue a burguesia: quando ela resolveu derrubar o PT, apoiou o golpe; quando ela reintegra plenamente o PT, o PSTU vota no PT.
O DCO chama de “craqueiros eleitorais” a esquerda institucional que só faz política pensando nas eleições, e que deposita nas eleições todas as suas esperanças, como se elas fossem a coisa mais importante do mundo. Não perguntam por que o povo se afasta de Lula após quase quatro anos de governo com a direita. Querem a próxima fórmula para fazê-lo votar novamente. O PSTU aderiu ao vício com entusiasmo próprio. Dada sua atividade frenética que brotou do nada, já que no dia a dia está sentado no sofá, a droga do PSTU parece ser a cocaína eleitoral.




