América Latina

Protesto massivo na Bolívia é reprimido pela polícia

A mobilização, que havia percorrido mais de 20 quilômetros desde El Alto, foi barrada nas proximidades da praça Murillo, enquanto bloqueios de estradas se espalhavam

A polícia boliviana reprimiu com gás lacrimogêneo uma marcha da Central Operária Boliviana (COB) no centro de La Paz na sexta-feira (22). A mobilização, que havia percorrido mais de 20 quilômetros desde El Alto, foi barrada nas proximidades da praça Murillo, enquanto bloqueios de estradas se espalhavam por sete departamentos e agravavam a crise de abastecimento no país.

Marcharam operários fabris, professores urbanos, mineiros estatais, moradores de El Alto e autoridades de índios conhecidas como Ponchos Rojos. Os manifestantes desceram em direção à sede do governo para exigir de forma unificada a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz. A ação policial impediu o avanço das organizações sindicais e camponesas em direção ao palácio do Governo. 

A mobilização foi descrita como pacífica antes da repressão. Segundo o relato publicado, os efetivos policiais recorreram a agentes químicos para dispersar a multidão nas imediações da praça Murillo, ponto histórico e político da capital boliviana. A intervenção transformou a chegada da marcha ao centro de La Paz em um episódio de confronto, com correria, gases no ar e dificuldade para que equipes de imprensa acompanhassem a situação.

Durante os distúrbios provocados pela ação policial, uma correspondente da imprensa internacional ficou ferida na mão pelo impacto de um petardo (dispositivo explosivo portátil, geralmente de pequeno porte). O incidente ocorreu quando repórteres tentavam registrar as agressões contra os manifestantes. A presença de jornalistas no local evidencia a dimensão pública do protesto, que havia sido convocado por setores sociais organizados e ganhou força em meio à ampliação dos bloqueios de estradas.

Dirigentes de organizações de índios afirmaram que a marcha foi organizada em resposta a atos constantes de discriminação praticados pelo Executivo nacional. Representantes sindicais também criticaram a decisão do governo de deixar de lado lideranças legítimas dos movimentos sociais. As queixas se somaram à reivindicação central pela saída de Rodrigo Paz e à denúncia de que o governo não abriu uma resposta efetiva às demandas populares.

Ao mesmo tempo, os bloqueios de rodovias aumentaram de 27 para 51 pontos ativos em 48 horas. A paralisação do transporte terrestre atinge sete departamentos e mantém semi paralisado o fluxo de insumos essenciais para as principais cidades do altiplano. A extensão territorial dos protestos mostra que a crise não se limita à capital e envolve regiões distintas do país, com impacto direto sobre circulação, comércio e abastecimento.

A duração das mobilizações, que já passa de duas semanas consecutivas, agravou a escassez de combustíveis líquidos e alimentos básicos nos mercados locais. A crise de abastecimento aumenta a pressão sobre o governo, enquanto os setores mobilizados mantêm bloqueios e marchas como forma de exigir resposta política. A combinação entre repressão em La Paz e bloqueios em várias regiões amplia a tensão social em torno da presidência de Rodrigo Paz.

Tentativas de mediação da Igreja Católica e da Defensoria do Povo não foram suficientes para destravar a situação. Segundo o relato, as autoridades ainda não trataram com os setores em protesto as reivindicações que deram origem às mobilizações. A repressão à marcha da COB, portanto, marcou uma nova etapa da crise boliviana: de um lado, organizações sindicais, camponesas e de índios ampliam a pressão nas ruas; de outro, o governo responde com força policial diante de uma mobilização de grandes proporções.

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