Estudo nacional realizado por pesquisadores de universidades norte-americanas como Stanford, Duke, Penn e Michigan, publicado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) nesta segunda-feira (4), encontrou resultados sobre a proibição do uso de telefones celulares em escolas nos Estados Unidos. A pesquisa analisou dados de milhares de instituições que adotaram pochetes trancáveis e concluiu que a medida não melhora o bem-estar mental dos adolescentes nem o desempenho acadêmico de forma consistente. Embora reduza o uso dos aparelhos em cerca de 30% e aumente a satisfação dos professores, não há ganhos significativos em notas ou frequência escolar, com registro de aumento inicial de suspensões.
Outro estudo, realizado pela Universidade de Birmingham e publicado na revista The Lancet Regional Health em 4 de fevereiro de 2025, chegou a conclusões semelhantes no Reino Unido. A pesquisa comparou alunos de instituições que proíbem e que permitem o aparelho, coletando informações de 1.223 estudantes de 30 escolas britânicas, e não encontrou diferenças significativas na saúde mental dos estudantes nem no desempenho em inglês e matemática.
A investigação do NBER evidencia que a medida defendida como forma de melhorar a atenção e o rendimento escolar não produz os resultados prometidos, embora seu efeito real de reduzir a chegada de informações políticas à juventude continue operando.
Defensores da proibição frequentemente citam relatos subjetivos de professores sobre melhora na atenção dos alunos, mas esses relatos não expressam resultados objetivos mensuráveis. As escolas que implementaram a proibição não apresentam desempenho superior em avaliações acadêmicas, nem seus alunos demonstram melhor saúde mental em comparações mais rigorosas.
O Brasil está alinhado aos países que restringem o uso do aparelho, como França, Espanha, Grécia, Dinamarca, Itália e Holanda. A Lei 15.100 de 2025, sancionada este ano, determina que o uso de aparelhos eletrônicos por estudantes está proibido em escolas públicas e particulares, inclusive nos intervalos. O objetivo declarado da medida é salvaguardar a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes, mas os estudos científicos não comprovam que a proibição atinja esses objetivos.
O efeito real da proibição que não é mencionado pelos defensores da medida é a redução do acesso dos jovens a informações políticas e notícias que possam estimular sua organização estudantil. Ao impedir que estudantes utilizem dispositivos conectados à Internet durante todo o período escolar, as autoridades limitam o fluxo de informações que chegam até essa parcela da população, dificultando a articulação de movimentos estudantis e a mobilização política da juventude. Esse efeito concreto de controle do acesso à informação raramente é debatido quando se discute a proibição dos aparelhos nas escolas.
Enquanto os resultados acadêmicos e de saúde mental prometidos pelos defensores da proibição não se materializam nas pesquisas científicas, o efeito de limitar o acesso dos jovens a informações e à possibilidade de organização política é imediato e mensurável.




