Entrevista exclusiva

‘Privatização entregou energia do Paraná a meia dúzia de tubarões’

DCO entrevista Adriano Teixeira, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Paraná nas eleições de 2016

Adriano Teixeira é operário metalúrgico e militante dos Comitês de Luta do Partido da Causa Operária. Mora em Paranavaí, no noroeste do Paraná, e disputa pela segunda vez o governo do estado, depois de ter encabeçado a chapa do Partido em 2022. Sua candidatura foi oficializada em convenção realizada em Curitiba no início de agosto, que definiu também José Carlos Telles como candidato a vice-governador e Marcelo Marcelino ao Senado.

Entre os 8 candidatos ao Palácio Iguaçu, Teixeira é o único trabalhador que continua vivendo do próprio trabalho e o único a se apresentar com um programa dos trabalhadores da cidade e do campo. Os demais nomes vieram das alianças e dos acordos montados entre os partidos da burguesia paranaense, com o apoio da imprensa local.

O estado chega a esta eleição depois de o governo de Ratinho Júnior ter entregue a Copel a acionistas privados e mantido na pauta a privatização de outras estatais, entre elas a Celepar. As enchentes e tempestades voltam a atingir dezenas dos 399 municípios todos os anos, sem que o dinheiro necessário para a infraestrutura seja aplicado. Nos bairros pobres, a Polícia Militar segue matando.

Nesta entrevista ao Diário Causa Operária, o candidato trata do programa do Partido para o Paraná, do abandono do poder público diante dos desastres, do sucateamento provocado pela privatização da Copel e da defesa da dissolução da Polícia Militar, com a segurança organizada pela própria população. Leia a íntegra abaixo.

Em linhas gerais, qual é a política que o senhor pretende adotar no governo do Paraná?

O nosso partido, o Partido da Causa Operária, não tem um programa político só para o Paraná. O nosso programa é um programa político geral, para todos os estados. Somos um partido revolucionário e temos uma política ligada diretamente à classe operária. Tudo o que desrespeita a população pobre, a população oprimida, é onde devemos atuar de forma mais significativa. Aí entra a questão da saúde, da educação, da moradia, dos direitos dos trabalhadores, dos direitos democráticos da população. Isso para nós é muito importante.

 

Devemos atuar junto com a população, inclusive. Não pretendemos fazer um governo sozinhos — não é o caso de dizer: “o Adriano foi eleito, ele será o nosso governador aqui”. Atuamos para trabalhar em conjunto com a sociedade, com a população, com a classe operária, com os oprimidos de uma forma geral. É nesse sentido que procuramos colocar uma perspectiva de mudança para a população, não só do Paraná, mas do Brasil e do mundo.

No Paraná, a população tem sofrido muito com os desastres ambientais. Entre 2013 e 2025, o estado acumulou prejuízos de 131 milhões de reais, e dezenas dos 399 municípios registraram alagamentos, com falta de infraestrutura adequada. Na sua opinião, o que falta ser feito para resolver, ou pelo menos amenizar, esse problema?

Essa é uma situação gravíssima, e não é só no Paraná: é no Brasil inteiro. Vemos que os governantes atuam hoje da seguinte forma: esperam acontecer o desastre, esperam acontecer a catástrofe, para depois tentar fazer alguma coisa — e agem de forma totalmente superficial.

As questões climáticas e ambientais, hoje em dia, com a tecnologia que o nosso País tem, com a tecnologia que os estados têm para prever esses desastres, poderiam ser muito bem evitadas. Mas não se emprega o dinheiro público necessário para que isso seja evitado, e a coisa fica à mercê da sorte. Depois vem a imprensa dizer para a gente que foi uma catástrofe ambiental, um desastre da natureza. Não é bem assim. São coisas que poderiam muito bem ser evitadas, mas o poder público deixa isso de lado para não gastar dinheiro com a população.

Os governos neoliberais, que tomam conta hoje de praticamente todos os estados, têm preocupação é com os bancos: pegar o dinheiro da população brasileira, que é gerado através de impostos, e mandar para as mãos de banqueiros que às vezes nem moram dentro do País. Enquanto isso, a população sofre esses desastres, sofre essas enchentes, sofre todo tipo de catástrofe totalmente previsível.

Esse é um caso que temos que estudar em conjunto com a população. Os lugares de risco têm que ser levantados, têm que ser vistos em detalhe, tem que ser empregado dinheiro, tem que ser construída infraestrutura, tem que haver troca de lugar, garantia de moradia. Temos que fazer um trabalho diretamente junto com a população em relação a tudo isso. E dinheiro nós sabemos que tem. O problema é que não é investido no lugar certo, nos lugares onde há interesse direto da classe operária e da classe trabalhadora.

O governador Ratinho Júnior tem conduzido uma política de privatizações de cunho neoliberal, que atingiu a Copel e ameaça a Celepar, entre outras. O Tribunal de Contas do Estado aponta que em 2025 as reclamações contra a Copel aumentaram 133%, e a empresa pretende fazer um PDV para 25% do total de empregados — isso depois de ter registrado lucro recorde em 2024 e distribuído 1,35 bilhão de reais em dividendos. Qual seria a sua política em relação às privatizações?

A própria pergunta já responde. Estamos falando do programa de um regime político neoliberal, e esse tipo de programa, esse tipo de estrutura política, é uma estrutura completamente inimiga da população.

Veja bem: num estado como o nosso, com 399 municípios, uma área gigantesca, a estrutura da Copel foi construída pelas mãos dos trabalhadores. Demorou dezenas de anos para ser construída — uma estrutura estatal, uma estrutura muito eficiente, inclusive. Hoje foi entregue na mão de meia dúzia de tubarões, que não têm objetivo nenhum, nessa política neoliberal, de trazer benefício para a população. Muito pelo contrário: a privatização gera lucro para meia dúzia de pessoas e, quanto à população, como o senhor mesmo coloca na pergunta, o que vem são as dificuldades. Não há um programa de estruturar a empresa, de melhorar a empresa. A privatização causa um sucateamento total. Ela destrói a empresa simplesmente para lucrar.

O programa neoliberal do governador coloca a energia do estado do Paraná, a estrutura energética do Paraná, que é preocupação de toda a população paranaense, na mão de meia dúzia de pessoas, ou de algum empresário. Isso é um absurdo, porque a população fica sujeita a alguém que não tem ligação direta com o povo, que não tem preocupação nenhuma com a população. A preocupação dele é única e exclusivamente com os lucros.

Nosso partido é totalmente contra a privatização, principalmente na questão elétrica — seja no estado do Paraná, seja em outros estados, seja também a Eletrobras, entregue pelo governo Bolsonaro quando ele foi presidente da República. Entregou a maior estrutura energética do Brasil, e da América Latina inclusive, para a mão de empresários. Isso é um absurdo, e nós somos totalmente contra.

Acreditamos que esse tipo de serviço deve ser prestado diretamente pelo Estado, pelo governo, e junto com a população. A população deve atuar diretamente junto com os trabalhadores da empresa, deve saber, deve acompanhar, deve se comunicar.

Os PDVs, os programas de demissão voluntária, também são isso: os cortes, a terceirização, tudo vem junto com a privatização, com todo esse sucateamento. As reclamações começam agora porque a empresa foi privatizada há pouco tempo, há dois ou três anos. Mas, assim que passar esse tempo, vamos ver a conta de energia elétrica subir, a situação ficar cada vez mais grave e a população passar cada vez mais dificuldade num setor de importância fundamental para o povo paranaense.

O que o senhor pode nos dizer sobre a política de segurança pública no Paraná hoje, e como pretende atuar nessa área?

A segurança pública é uma questão que deve ser levada em consideração não só no Paraná, mas em todo o Brasil. Temos aí uma máquina de matar pessoas, que é a Polícia Militar como está organizada hoje. Nós somos pelo fim, pela dissolução desse sistema de segurança. Achamos que é um sistema precário, um sistema que não tem relação nenhuma com a população.

O Partido da Causa Operária defende que a segurança pública seja feita pela própria população. Ou seja: as pessoas estão no bairro, estão numa rua ali, a população se organiza e ela mesma elege quem vai cuidar da segurança. Essa pessoa que se elege para cuidar da segurança tem vínculo com o lugar — é um vizinho, tem vínculo com as famílias, sabe quem é o cidadão que está voltando da faculdade, conhece aquele que bebe no bar ali e causa algum problema. Ela não vai matar essa pessoa, não vai bater nessa pessoa, não vai invadir a casa dessas pessoas, porque tem vínculo com a população.

Então a nossa defesa, o nosso programa de segurança, é um programa voltado para a população e feito junto com a população — não uma instituição como a Polícia Militar, que não é organizada para fazer segurança para a população, muito pelo contrário. É desse tipo de trabalho que precisamos para que isso aconteça.

Que mensagem o senhor deixaria para os eleitores? Por que votar no senhor?

Aqui a questão é por que votar no PCO, não no Adriano. Votar no PCO é votar num programa político, um programa organizado, um programa voltado para a classe operária. É um partido que verdadeiramente é antissistema [?], que defende de verdade os direitos democráticos e a liberdade de expressão, que é contra a privatização, que defende o fim do vestibular, a escola pública e gratuita para toda a população, saúde gratuita e de qualidade, moradia para todos.

Os direitos dos trabalhadores são fundamentais. Defendemos, por exemplo, um salário mínimo de mais de 6 mil reais, que é o salário mínimo calculado pelo Dieese, instituto que traz para nós o valor que o salário deveria ter na prática.

Então, se você é uma pessoa revoltada com toda essa situação política, que não sabe para onde ir, que vê alianças e conchavos da burguesia para todos os lados, está aqui o partido antissistema, o partido verdadeiramente revolucionário, com uma preocupação clara e objetiva com a população trabalhadora, com a classe operária, com os oprimidos de todo o mundo.

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