Faixa de Gaza

Pressionado, ‘Israel’ inicia desbloqueio da Passagem de Rafá

A ocupação autorizou uma abertura parcial e “experimental” do principal ponto de saída de Gaza, fechado desde maio de 2024

Sob pressão, o regime de “Israel” autorizou, neste domingo (1º), o início de uma fase de teste na Passagem de Rafá, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. O posto, que funcionava como principal via de ligação de Gaza com o exterior, permaneceu fechado desde maio de 2024, quando o exército ocupante tomou a área. A abertura parcial ocorreu com acompanhamento de delegações da União Europeia e de autoridades egípcias, em meio às negociações vinculadas ao cessar-fogo.

A Cogat (Coordenadoria de Atividades Governamentais nos Territórios) informou, em comunicado, que a passagem foi aberta “em caráter experimental” e “apenas para movimento limitado de pessoas”. Em nota posterior, o órgão da entidade sionista afirmou que pretende ampliar a reabertura na segunda-feira (2), mantendo, porém, silêncio sobre qualquer ampliação na entrada de ajuda internacional.

Do lado palestino, o responsável pelo novo comitê encarregado da administração cotidiana de Gaza declarou que a passagem abre em ambos os sentidos a partir de segunda-feira (2). Rafá é o ponto de fronteira por onde palestinos costumam sair e entrar no enclave, submetido ao bloqueio de “Israel” desde 2007, quando o Hamas expulsou a ocupação sionista do território.

Fase de teste e restrições

Segundo informes preliminares sobre o protocolo em negociação, a reativação do fluxo ocorre de forma gradual e sob restrições impostas pela ocupação. As estimativas iniciais mencionadas nas tratativas falavam em permitir a saída de 150 pessoas por dia e a entrada de apenas 50. O desenho das cotas gerou atritos diplomáticos com o Cairo, que cobra equilíbrio no trânsito e rejeita qualquer medida que facilite deslocamento forçado da população de Gaza.

A presença de observadores europeus foi apresentada como tentativa de retomar parâmetros dos acordos de 2005, com foco em procedimentos de “segurança”. Ainda assim, permanecem limitações: o esquema discutido restringe o retorno a pessoas que deixaram o território após a escalada iniciada em outubro de 2023, mantendo milhares de famílias sob incerteza quanto à mobilidade necessária para estudos, trabalho e tratamento médico.

Organizações da resistência denunciam ‘Israel’

O Comitê de Acompanhamento das Forças Nacionais e Islâmicas afirmou, em nota divulgada no sábado (31), que suspendeu uma reunião em Gaza diante de “contínuas violações” do cessar-fogo por parte da ocupação de “Israel” e de uma “escalada agressiva” após o anúncio de formação do Comitê Nacional para a Administração da Faixa de Gaza.

Segundo o comunicado, a escalada culminou, na madrugada de sábado, no ataque a “edifícios residenciais, abrigos e delegacias de polícia civil”, com “um grande número” de vítimas, “a maioria mulheres e crianças”. A nota afirma que a sequência de ações ocorreu “em uma tentativa evidente de minar” os esforços de consolidação do cessar-fogo, ao qual “as facções e forças palestinas se comprometeram”.

O comitê afirmou ainda que, desde o anúncio do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, houve “massacres” e “perda de vidas inocentes”, com um balanço de “71 mártires e 140 feridos, a maioria em estado grave”. No levantamento apresentado na nota, o território foi submetido a “96 bombardeios aéreos e de artilharia” e a “61 ataques diretos contra civis”, além da “destruição e bombardeio de 17 edifícios residenciais” sobre seus moradores. O texto também denuncia bombardeio e destruição “ininterruptos” na chamada “Zona Amarela”, da qual o exército de ocupação “não se retirou”.

Na primeira parte de suas conclusões, o Comitê de Acompanhamento declarou que “responsabiliza o governo norte-americana, os mediadores e a comunidade internacional” por suas obrigações de interromper a agressão e pressionar o governo de “Israel” a cessar as violações. A nota pede “ação séria” para deter “crimes genocidas” que, segundo o comunicado, continuam a atingir deslocados em campos de refugiados e abrigos, prédios residenciais e locais civis.

Na avaliação do comitê, as violações representaram “grave escalada” para impedir avanços para a “segunda fase” e sinalizar que a ocupação não aceita que o comitê administrativo exerça suas atribuições. A terceira conclusão afirma que o governo de “Israel” é “a única parte” a persistir em descumprir compromissos de encerramento da guerra e em frustrar esforços de estabilização.

A nota também tratou da reabertura e operação da Passagem de Rafá. O Comitê de Acompanhamento declarou que Rafá é uma passagem “palestino-egípcia” e que quaisquer medidas que concedam à ocupação o direito de interferir no movimento de viajantes contrariam leis internacionais, inserindo-se nos crimes de cerco e restrição de circulação. O comitê cobrou dos mediadores a preservação da segurança do posto e dos viajantes e o respeito ao direito de deslocamento “sem restrições ou condições”, além do encerramento do sofrimento de pessoas retidas fora de Gaza.

Nota à imprensa emitida pelo Comitê de Acompanhamento das Forças Nacionais e Islâmicas

O Comitê de Acompanhamento das Forças Nacionais e Islâmicas suspendeu sua reunião em Gaza no sábado, diante das contínuas violações da ocupação israelense ao cessar-fogo e de sua escalada agressiva após o anúncio da formação do Comitê Nacional para a Administração da Faixa de Gaza, que culminou no ataque a edifícios residenciais, abrigos e delegacias de polícia civil na madrugada de sábado, resultando em um grande número de mártires, a maioria mulheres e crianças.

Essa grave escalada agressiva ocorreu em uma tentativa evidente de minar os esforços e iniciativas para consolidar o cessar-fogo, ao qual as facções e forças palestinas se comprometeram, o que demonstra de forma clara as intenções da ocupação, de seu governo e de seu exército de continuar a agressão e renegar seus compromissos.

Os participantes expressaram choque diante dos massacres cometidos pela ocupação desde o anúncio da formação do Comitê Nacional para a Administração da Faixa de Gaza e da consequente perda de vidas inocentes, com 71 mártires e 140 feridos, a maioria em estado grave. Um levantamento do número de ataques realizados pela ocupação desde a formação do Comitê Nacional para a Administração da Faixa de Gaza mostra que a Faixa de Gaza foi submetida a 96 bombardeios aéreos e de artilharia e a 61 ataques diretos contra civis, além da destruição e do bombardeio de 17 edifícios residenciais sobre as cabeças de seus moradores, somados ao bombardeio e à destruição ininterruptos na chamada “Zona Amarela”, da qual o exército da ocupação não se retirou.

Diante dessa grave escalada agressiva, o Comitê de Acompanhamento das Forças Nacionais e Islâmicas afirma o seguinte:

1- O Comitê de Acompanhamento das Forças Nacionais e Islâmicas, ao mesmo tempo em que lamenta os mártires de nosso povo inocente, responsabiliza a administração norte-americana, os mediadores e a comunidade internacional, com todos os seus componentes, por suas responsabilidades em deter a agressão e pressionar o governo israelense extremista a interromper essas violações. Conclamamos a uma ação séria para deter os crimes genocidas que continuam a atingir os deslocados nos campos de refugiados e de abrigo, edifícios residenciais e locais civis.

2- Essas violações representam uma grave escalada destinada a minar todos os esforços e tentativas internacionais de avançar para a segunda fase. A ocupação envia uma mensagem sangrenta de que não permitirá que o comitê administrativo exerça seu papel e suas atribuições, e essa escalada é uma tentativa clara de criar obstáculos diante de qualquer esforço voltado a aliviar o sofrimento de nosso povo e a pôr fim à catástrofe humanitária deixada pela guerra genocida.

3- Com essa grave escalada agressiva, fica claro para o mundo inteiro que o governo israelense é a única parte que persiste em renegar quaisquer compromissos de encerrar a guerra e busca frustrar todos os esforços voltados a restaurar a estabilidade e a calma.

Em contexto relacionado, o Comitê de Acompanhamento analisou os esforços para reabrir e operar a Passagem de Rafá e afirmou que a Passagem terrestre de Rafá é uma passagem palestino-egípcia, e que quaisquer medidas que concedam à ocupação o direito de interferir no movimento de viajantes pela passagem contrariam as leis internacionais e se inserem no âmbito dos crimes de cerco e de restrição à circulação de indivíduos, garantida por todas as leis e convenções humanitárias e internacionais.

O Comitê de Acompanhamento convocou os mediadores a preservar a segurança da passagem e dos viajantes e a assegurar que o direito de nosso povo de viajar livremente não seja violado, e a pôr fim ao sofrimento das pessoas retidas fora da Faixa de Gaza, no exterior, sem quaisquer restrições ou condições.

Comitê de Acompanhamento das Forças Nacionais e Islâmicas

Sábado: 12 de Sha’ban de 1447 H

Correspondente a 31 de janeiro de 2026

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