O Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido divulgou novos dados sobre aluguéis e preços de imóveis no Reino Unido na quarta-feira (20), após a entrada em vigor das principais mudanças da Lei dos Direitos dos Inquilinos. Os números mostram aluguéis ainda em alta e preços de compra travados, revelando uma crise de acesso à moradia que atinge até países ricos e se torna mais aguda nos grandes centros urbanos.
O aluguel privado médio no Reino Unido chegou a 1.381 libras por mês em abril de 2026, alta de 3,5% em 12 meses. Na Inglaterra, o valor médio foi de 1.438 libras (R$9,7 mil), também com alta de 3,5%; no País de Gales, 834 libras, alta de 4,9%; na Escócia, 1.019 libras, alta de 2%; e na Irlanda do Norte, 877 libras em fevereiro, alta de 4%.
Ao mesmo tempo, o preço médio das casas no Reino Unido ficou em 268 mil libras em março de 2026, sem crescimento anual. Na Inglaterra, o preço médio caiu 0,6%, para 290 mil libras; no País de Gales, subiu 2,9%, para 213 mil libras; na Escócia, subiu 1,6%, para 187 mil libras; e na Irlanda do Norte, chegou a 198 mil libras no primeiro trimestre, alta de 7,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os dados são duros porque mostram que a estagnação do preço de compra não significa moradia acessível. O aluguel segue subindo, e o trabalhador continua pagando mais para viver em imóveis que não consegue comprar. Em Londres, a inflação anual dos aluguéis foi a menor entre as regiões inglesas, 2%, mas o valor médio chegou a 2.290 libras por mês, o maior do país. No Nordeste, o aluguel médio foi o menor, 776 libras, mas a inflação anual foi a maior, 6,5%.
A desigualdade aparece ainda mais nos dados locais. Em abril de 2026, o maior aluguel médio foi registrado em Kensington e Chelsea, em Londres, com 3.597 libras por mês. Fora de Londres, Oxford teve o maior valor, 1.956 libras. O menor aluguel médio apareceu em Dumfries e Galloway, na Escócia, com 552 libras. A diferença entre centro rico, cidade universitária e regiões periféricas mostra como o mercado habitacional separa populações por renda e expulsa trabalhadores das áreas mais disputadas.
A Lei dos Direitos dos Inquilinos começou a valer em pontos centrais em 1º de maio de 2026. Entre as mudanças estão o fim das expulsões sem motivo pela seção 21, a proibição de vetos genéricos contra famílias com crianças ou pessoas que recebem benefícios, contratos periódicos por tempo indeterminado, aviso prévio maior em muitos casos e limite de um mês de aluguel adiantado no início do contrato. A organização Shelter afirma que as mudanças alcançam 11 milhões de inquilinos privados na Inglaterra.
Mesmo assim, a lei não resolve a crise. Ela não impõe controle efetivo sobre aumentos de aluguel, não acaba com exigências abusivas de fiador e não elimina a política de verificação migratória conhecida como Direito de Alugar, pontos que a própria Shelter aponta como lacunas.
No entanto, ainda que fizesse todas essas medidas ainda não resolveria o problema fundamental da moradia que é a propriedade da maior parte das residências por poucos especuladores, que manipulam os preços e criam escassez artificial para elevar o preço dos imóveis e dos aluguéis, mesmo havendo, de uma forma geral, mais imóveis do que pessoas.





