A pré-candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Estado de São Paulo, Izadora Dias, sustenta que a principal cidade do País é vítima de uma “dupla infalível” entre os governos estadual e municipal, com a privatização dos serviços essenciais escancarando o caráter destrutivo das gestões capitalistas. Em entrevista ao Diário Causa Operária, Izadora afirma que teria vergonha de administrar o estado nas condições atuais e ironiza: quando não está chovendo, falta água; quando chove, falta energia.
Na conversa com o DCO, a pré-candidata trata do programa do PCO para a segurança pública, defendendo o fim da polícia militar enquanto aparato repressivo do Estado burguês e a construção de um policiamento exercido pela própria população dos bairros. Como coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, do PCO, Izadora também aborda as críticas do Partido ao identitarismo, que caracteriza como movimento imperialista que afasta a classe trabalhadora dos movimentos sociais e impõe ao movimento de mulheres pautas alheias às trabalhadoras. A pré-candidata reafirma ainda que o PCO não se apresenta como solução eleitoral, mas utiliza o processo como tribuna para levar adiante seu programa e esclarecer a classe operária.
Leia a entrevista na íntegra:
Qual a diferença da pré-candidatura do PCO para as demais pré-candidaturas que se apresentaram até o momento? Nós, do Partido da Causa Operária, participamos das eleições porque é um momento importante de estar participando da discussão política, mas nós não nos apresentamos como uma solução eleitoral. Nós não acreditamos que são as eleições que vão resolver o problema dos trabalhadores, mas nós participamos justamente para levar adiante o nosso programa e poder esclarecer isso para a classe operária.
Como o PCO avalia o governo do estado de São Paulo dos últimos anos? Se fosse administradora do estado, eu teria vergonha da situação em que ele se encontra. A principal cidade do País, São Paulo, sofre pela má gestão tanto estadual quanto municipal. É uma dupla imbatível para falir São Paulo. Temos o problema da privatização da Enel, a privatização da Sabesp, coisas que mostram que temos um caminho tenebroso para enfrentar aqui em São Paulo essas questões. As pessoas até brincam aqui em São Paulo: quando não está chovendo, falam que está faltando água; quando está chovendo, não tem energia. Ou seja, eu teria muita vergonha de ter esse tipo de problemas na minha administração. Isso é um exemplo da péssima administração dos governos capitalistas.
O governo Tarcísio também ficou marcado por um aumento da violência policial. Qual é o programa do PCO para essa questão? Nós entendemos que a polícia é um aparato repressivo do Estado burguês para oprimir a classe trabalhadora e a nossa proposta é o fim desse aparato e a organização de uma polícia pela própria população. Naturalmente, você precisa de algum tipo de policiamento, mas isso tem que ser feito pelos trabalhadores. Não dá para colocar um elemento que nem faz parte de um bairro, que nem conhece a população, para policiar. Por isso que temos esse resultado de tanta violência. E é engraçado que eles justificam o aumento do policiamento para diminuir roubo de celulares, mas isso não acontece. Pelo contrário, existem cada vez mais notificações de celulares roubados. Parece que é a única coisa com que eles se preocupam. Mas é claro que a desculpa serve para aumentar a violência contra a população pobre.
Você também é coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, coletivo de mulheres do PCO. O coletivo e o Partido têm feito uma série de críticas ao identitarismo, afirmando, inclusive, que o identitarismo prejudica a luta das mulheres. Pode explicar esse problema? Temos dois problemas. O identitarismo, além de colocar em discussão questões que não são importantes, principalmente para as mulheres trabalhadoras, coloca pautas que afastam a classe trabalhadora, afastam a população do movimento. Temos essa questão dos banheiros trans, a questão do movimento trans que tem imposto para o movimento das mulheres problemas que nem são das mulheres. É um movimento que, cada vez mais, como denunciamos desde o começo, só tem causado discórdia entre a população e os movimentos sociais, que confundem que o identitarismo seria a luta em defesa desses setores quando, na verdade, se trata de um movimento imperialista que propõe reivindicações que afastam e causam divergência entre a classe trabalhadora.






