Moradores de Aracaju realizaram protestos contra a falta de água na zona sul, nesta quarta-feira (29), após interrupções no abastecimento, que, em alguns bairros, já duram mais de 10 dias. No domingo (26), a população já havia saído às ruas pelo mesmo motivo. A concessionária Iguá Sergipe alegou supostas intervenções indevidas em registros do sistema; enquanto no Orlando Dantas, manifestantes se dirigiram à avenida José Carlos Silva.
A população de Aracaju saiu com razão às ruas contra a falta de água, e colocou no centro do debate na cidade um problema que atinge diretamente a vida cotidiana dos moradores. Sem abastecimento, famílias deixam de cozinhar, lavar roupas, limpar suas casas, manter higiene mínima e organizar a rotina doméstica. Em bairros populares, onde nem todas as residências contam com reservatórios suficientes, a interrupção se torna ainda mais grave.
No bairro Aruana, a manifestação ocorreu após falhas no abastecimento. A concessionária Iguá Sergipe afirmou ter identificado supostas intervenções indevidas em registros essenciais do sistema, mas não apresentou nada de substancial à população que afastasse sua responsabilidade sobre a falta de água.
A versão da empresa, que atribuiu o problema a “sabotagem”, precisa ser tratada com desconfiança. Uma concessionária responsável por um serviço essencial não pode simplesmente transferir a culpa para terceiros sem prestar contas públicas, detalhadas e verificáveis. A população tem o direito de saber quais bairros foram afetados, por quanto tempo ficaram sem água, quais estruturas teriam sido violadas, o porquê de não haver proteção suficiente e qual foi o plano emergencial adotado.
Na quarta-feira (29), o protesto registrado no bairro Orlando Dantas, na zona sul. Manifestantes fecharam a Avenida José Carlos Silva com pneus queimados e usaram cartazes pedindo água. Agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Aracaju foram ao local para organizar o trânsito.
O fato de a população recorrer ao bloqueio de avenida mostra o grau de revolta produzido pela interrupção do abastecimento. Não se trata de simples incômodo. A falta de água paralisa a vida de bairros inteiros. Ela afeta crianças, idosos, trabalhadores, escolas, pequenos comércios e unidades de atendimento. Água não é mercadoria comum: é condição básica de saúde e sobrevivência.
O episódio também revela o problema do modelo de concessões. Quando serviços fundamentais são entregues a empresas, a população fica sujeita a uma relação em que a busca por lucro pesa mais que a garantia universal do atendimento. A empresa opera o sistema, mas, diante da falha, tenta controlar a narrativa pública e deslocar responsabilidades.
A revolta em Aracaju, portanto, é a resposta legítima a uma situação intolerável. A prefeitura e os órgãos de fiscalização também precisam responder, pois conceder o serviço não significa abandonar o dever público de garantir abastecimento, transparência e medidas emergenciais. A população foi às ruas porque a água faltou, e esse fato por si só já condena a política de tratar um direito básico como negócio.


