A polícia de ocupação israelense reprimiu, nesta segunda-feira (1º), protestos de judeus ultraortodoxos contra o alistamento militar obrigatório em diversas regiões da Palestina ocupada. Em al-Quds (Jerusalém) ocupada, as forças repressivas utilizaram granadas de efeito moral para dispersar manifestantes haredim que bloqueavam ruas e cruzamentos em protesto contra a convocação forçada para o Exército sionista.
As manifestações reuniram centenas de pessoas, segundo a imprensa israelense, e ocorreram em pontos como o entroncamento de Gannot, na Rodovia 4, a Ponte Chords, em al-Quds ocupada, o cruzamento de Hamazleg, em Netivot, além da cidade de Safed, no norte. Os manifestantes bloquearam vias e denunciaram a ofensiva do Estado sionista contra seu modo de vida religioso.
A polícia israelense afirmou que atuava contra “perturbadores da ordem pública” e pessoas que bloqueavam estradas. Os protestos se intensificaram após confrontos registrados no domingo (31) em Beit Shemesh, onde manifestantes teriam invadido uma delegacia, bloqueado ruas e atirado pedras. Oito pessoas foram presas e, posteriormente, liberadas na segunda-feira.
A crise gira em torno da isenção militar concedida historicamente a homens ultraortodoxos que estudam em instituições religiosas. Para os haredim, o serviço militar obrigatório representa uma ameaça direta ao estudo da Torá e à organização de sua comunidade. O Estado sionista, por outro lado, busca ampliar o recrutamento diante do desgaste provocado por meses de guerra e pela necessidade crescente de soldados.
A pressão pelo alistamento dos ultraortodoxos revela uma contradição profunda dentro do próprio regime. Enquanto o Exército israelense é mobilizado para sustentar a ocupação e a guerra contra os palestinos e outros povos da região, setores inteiros da sociedade israelense se recusam a servir como carne de canhão do sionismo.
A crise ganhou novo elemento quando Meir Rubinstein, prefeito de Beitar Illit e dirigente do Fórum de Autoridades Locais Haredi, anunciou que municípios ultraortodoxos irão suspender a cooperação com a polícia israelense. Rubinstein acusou a polícia de transformar-se em “inimiga da comunidade haredi” ao prender jovens acusados de não obedecer às ordens de alistamento.
Segundo o Canal 13 de “Israel”, os dirigentes municipais haredim afirmaram que deixarão de cooperar com as autoridades enquanto continuarem as prisões relacionadas ao serviço militar. As medidas incluem cancelar acordos que permitem à polícia utilizar prédios municipais, encerrar iniciativas de policiamento comunitário e congelar programas conjuntos, como o “Cidade Sem Violência” e ações de assistência social.
Rubinstein também advertiu que a ruptura de confiança poderá levar membros da comunidade a deixar de registrar ocorrências junto às forças policiais.
O episódio expõe mais uma fissura no interior do Estado sionista. De um lado, a burguesia sionista e o comando militar exigem mais soldados para sustentar sua política de agressão. De outro, setores da própria população judaica rejeitam participar diretamente da máquina militar do regime. Trata-se do aprofundamento da crise de um Estado construído sobre a ocupação, a guerra permanente e a submissão aos interesses do imperialismo.





