A Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito contra estudantes da USP em São Paulo na quinta-feira (14), após a ocupação da reitoria durante a greve estudantil. O caso foi enquadrado como dano ao patrimônio público e pode avançar para pedidos de quebra de sigilo telefônico, enquanto o Diretório Central dos Estudantes afirma que a investigação é uma medida de intimidação contra o movimento que cobra retomada de negociações.
O inquérito tramita no 93º Distrito Policial e investiga a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo, mantida por três dias na semana anterior. A desocupação ocorreu na madrugada de domingo (10), em ataque da Polícia Militar. Estudantes relatam ao menos cinco feridos; a Secretaria da Segurança Pública nega que alunos tenham se machucado e diz apurar possíveis excessos. A USP declarou que não foi informada previamente sobre a ação e lamentou a violência registrada. Vídeos, no entanto, mostram os grevistas sendo brutalmente atacados pela PM.
Durante a retirada, policiais apreenderam notebooks, celulares e outros objetos pessoais dos estudantes. A Secretaria da Segurança informou que os itens foram encaminhados ao Instituto de Criminalística e que a autoridade policial poderá pedir judicialmente quebra de sigilo telefônico para identificar elementos relacionados a crimes como dano, invasão mediante violência ou delitos correlatos. Para o DCE, a medida representa coação institucional contra uma ocupação realizada para pressionar pela reabertura da mesa de negociação.
A greve estudantil teve como reivindicação central o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. Os alunos reivindicam aumento das bolsas integrais de R$885 para cerca de R$1.804, valor do salário mínimo paulista, além de melhorias nos restaurantes universitários, moradias estudantis e políticas de permanência. Em ato na avenida Paulista, na quarta-feira (13), os estudantes protestaram contra o encerramento unilateral das conversas pela reitoria e denunciaram a violência policial na desocupação.
A reitoria anunciou a criação de uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional para um novo ciclo de interlocução com a representação estudantil. Também apresentou propostas sobre restaurantes universitários, contratação de funcionários, oferta de refeições e grupos de trabalho. Ainda assim, os estudantes afirmam que a resposta veio depois de dias sem contato direto e sob pressão policial.



