A polícia de “Israel” reprimiu protestos de judeus ultraortodoxos contra o recrutamento militar obrigatório, em al-Quds ocupada e outras áreas, na segunda-feira (1º), com granadas de efeito moral. As manifestações bloquearam vias e elevaram a tensão entre a comunidade ultraortodoxa e o Estado. Prefeitos ultraortodoxos anunciaram a suspensão da cooperação com a polícia após prisões relacionadas ao alistamento.
Centenas de manifestantes participaram de atos contra a ampliação da convocação militar. Para os ultraortodoxos, o serviço obrigatório ameaça seu modo de vida religioso e enfraquece o estudo da Torá, considerado uma obrigação central por muitos membros da comunidade. Grupos contrários ao recrutamento pedem que os estudantes rejeitem o alistamento e resistam às ordens militares.
Os protestos se espalharam por vários pontos dos territórios ocupados. Manifestantes bloquearam o cruzamento de Gannot, na Rodovia 4, a Ponte Chords, em al-Quds ocupada, e o cruzamento Hamazleg, em Netivot. Também houve protesto em Safad, no norte. A polícia de “Israel” afirmou que atuava contra pessoas acusadas de perturbar a ordem pública e bloquear estradas.
As manifestações ocorreram depois de confrontos na noite de domingo, em Beit Shemesh. Segundo a polícia, manifestantes invadiram uma delegacia, bloquearam ruas e atiraram pedras. Oito pessoas foram presas e depois libertadas na segunda-feira. As detenções aumentaram a revolta, pois a comunidade ultraortodoxa vê a ofensiva policial como parte de uma campanha para forçar o alistamento de jovens religiosos.
A disputa sobre recrutamento é antiga, mas ganhou novo peso com a pressão por mais soldados no Exército de “Israel” após meses de guerra. Setores seculares e reservistas defendem que o serviço militar seja imposto a toda a sociedade. Já partidos ultraortodoxos e líderes religiosos se opõem ao fim das isenções concedidas a estudantes de instituições religiosas. A crise interna foi agravada pela guerra e pela necessidade de ampliar as tropas.
A crise aumentou quando o prefeito de Beitar Illit, Meir Rubinstein, presidente do Fórum de Autoridades Locais Ultraortodoxas, anunciou que municípios de maioria ultraortodoxa suspenderiam a cooperação com a polícia de “Israel”. Ele acusou a polícia de mirar a comunidade por meio da prisão de pessoas que evitam o recrutamento e afirmou que a corporação se tornou inimiga dos ultraortodoxos.
As medidas anunciadas incluem cancelamento de acordos que permitem à polícia usar prédios municipais, fim de iniciativas de policiamento comunitário e suspensão da cooperação em programas sociais e de segurança. Também podem ser afetadas iniciativas como “Cidade Sem Violência”, coordenação de assistência social e outros projetos conjuntos. Rubinstein advertiu que a perda de confiança pode reduzir a disposição de moradores ultraortodoxos de denunciar incidentes às forças de segurança.
O termo haredi, ou haredim no plural, refere-se a judeus ultraortodoxos que seguem interpretação estrita das leis judaicas, mantêm estilo de vida tradicional e dão grande centralidade ao estudo religioso. A repressão aos protestos mostra que a disputa entre essa comunidade e o Estado deixou de ser apenas legislativa. Com prisões, granadas de efeito moral e bloqueios de rua, a questão do alistamento se transformou em confronto aberto dentro da sociedade de “Israel”.





