As forças policiais aparecem cada vez mais diretamente nos conflitos entre comunidades que lutam pela terra e grandes proprietários rurais.
A denúncia foi feita pelo secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Luis Ventura Fernández, durante a divulgação do relatório sobre a violência contra os índios em 2025.
Segundo Ventura, os pistoleiros ligados aos fazendeiros continuam exercendo papel importante nas agressões, mas a participação de agentes das polícias estaduais, sobretudo da Polícia Militar, tornou-se mais frequente.
Na Reserva Limão Verde, em Mato Grosso do Sul, moradores denunciaram a entrada de policiais na comunidade e a prisão de pessoas dentro de suas próprias casas, inclusive mulheres.
A atuação das forças repressivas em favor dos grandes proprietários está longe de ser novidade no campo brasileiro.
A polícia sempre teve papel decisivo em despejos, reintegrações de posse e operações contra trabalhadores rurais. O que chama atenção agora é a participação cada vez mais aberta nos mesmos conflitos em que atuam grupos organizados pelo latifúndio.
O chamado Invasão Zero tornou-se uma das expressões desse processo, reunindo proprietários e setores políticos contrários às retomadas de terra e mantendo relações com parlamentares e integrantes das forças policiais.
O relatório do Cimi contabilizou 258 assassinatos de índios em 2025, aumento de 22,3% em comparação com o ano anterior.
Para quem disputa terra contra grandes fazendeiros, esperar neutralidade da polícia significa ignorar a própria função cumprida historicamente pelo aparelho repressivo no campo.




